Rede Pequenas Bibliotecas Vivas de Santo André ganha apoio da Unesco

Fundação Santo André faz parte do Projeto, reconhecido entre 152 inscritos no 6º Concurso de Ajudas do Iberbibliotecas, disputado por oito países

 

Santo André, julho de 2018 – O projeto Rede de Pequenas Bibliotecas Vivas de Santo André foi um dos 11 selecionados entre os 152 trabalhos de oito países, inscritos no 6º Concurso de Ajudas do Iberbibliotecas, Programa Iberoamericano de Bibliotecas Públicas, vinculado ao Cerlalc/Unesco – Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe. Entre os 11 trabalhos reconhecidos, três são brasileiros.

A conquista beneficiará com US$ 9.300 quatro bibliotecas comunitárias do projeto e a verba será aplicada na formação de mediadores de leitura e na aquisição de acervo e de mobiliário para as bibliotecas. Duas estão localizadas na microrregião Sacadura Cabral: a da Fundação Santo André (FSA), organizada por alunos e professores do curso de Pedagogia, com apoio de outros cursos; e a Caminhos da Cultura, situada no Núcleo Sacadura Cabral e que tem como ator central um dos moradores, Gian Nunes Oliveira. Outras duas ficam na microrregião Cata Preta: uma no interior do Projeto Semear Conhecimento, onde a pedagoga Joelma Gonçalves Laureano atende a cerca de 90 crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem; e outra na Associação de Moradores do Núcleo Eucaliptos, que tem como animador Adauto Farias da Silva.

O reitor da FSA, Francisco Milreu, afirma que projeto Rede de Pequenas Bibliotecas Vivas de Santo André abre possibilidades de acesso ao campus da universidade pelos moradores de seu entorno. “O projeto leva a cultura aos moradores e promove um dos direitos fundamentais do cidadão, o direito à literatura e à cultura”, avalia.

Atualmente, a Rede é composta por uma biblioteca pública municipal, uma escolar e quatro comunitárias. Além da Fundação Santo André, são parceiras do projeto a Prefeitura, por meio da própria Rede de Bibliotecas, e a SP Leituras-Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que inscreveu o projeto no concurso.

História e experiências

Marilena Nakano, ex-professora no curso de Pedagogia da FSA, faz parte da história do projeto. A professora conta que o objetivo inicial era aprimorar a formação de futuros professores de educação infantil e ensino fundamental I, matriculados no curso de Pedagogia. “Saímos da sala de aula para os territórios vulneráveis vizinhos à universidade para aprender com seus habitantes, ouvi-los e desenvolver ações com eles, foi assim que nasceu uma biblioteca viva no pátio da Fundação, focada nos direitos dos cidadãos e no acesso à literatura”, diz. Marilena conta que o foco foi criar novo modelo de biblioteca, fugir do tradicional onde imperam “a ordem e o silêncio” e promover espaço para encontro das pessoas, de contação de história, oficinas e de manifestações culturais.

Maria Elena Villar e Villar, professora do curso de Pedagogia da FSA e coordenadora da Biblioteca Viva na instituição, ressalta o impacto do projeto na formação dos futuros professores e sobre as comunidades. “Descobrimos que ser professor em escola pública é ser parceiro da comunidade, e aprendermos isso com as pessoas, indo até elas, o impacto dessa experiência sobre a formação dos nossos alunos é imensurável”, diz.

A experiência de Maria Elena vai além da Pedagogia. Passa por ações comunitárias desenvolvidas pelos alunos com a comunidade, como limpar e restaurar, juntos, espaços degradados. “Nossos alunos se dedicam a transformar locais abandonados em ambientes de convivência, onde crianças e adultos se sentem acolhidos e respeitados, e as salas das bibliotecas ganham cor e vida. O trabalho, que já tem seis anos, resultou no reconhecimento do nosso projeto”, avalia. Para a professora o maior desafio do projeto é formar leitores. “Queremos que a rede cresça e que em cada território cada uma das pequenas bibliotecas tenha a sua identidade”, finaliza.

 

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