Por que assistimos ao BBB? Psicóloga explica o fascínio do público pelo reality show mais famoso do Brasil
Todos os anos, milhões de brasileiros acompanham, comentam e se envolvem emocionalmente com o Big Brother Brasil (BBB). Além disso, o programa movimenta redes sociais, influencia conversas do dia a dia e transforma participantes em celebridades instantâneas. Mas afinal, por que gostamos assistimos ao BBB? O que esse fenômeno revela sobre o comportamento humano?
A resposta vem da Profa. Dra. Marlene Bueno Zola, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), que analisa o sucesso do reality show sob a perspectiva psicológica e social.
“O BBB funciona como um grande laboratório de relações humanas. As pessoas se reconhecem nos conflitos, nas emoções e nas escolhas dos participantes. Assim, assistir ao programa é, em muitos casos, uma forma de observar a si mesmo e aos outros”, explica a professora.
Espelho das relações humanas
Segundo Marlene Zola, o principal atrativo do reality está na identificação emocional. Os participantes enfrentam situações de convivência intensa, competição, rejeição e alianças, experiências comuns na vida cotidiana.
“Todos nós lidamos com conflitos, amizades, exclusões e disputas. No BBB, esses processos aparecem de forma amplificada, o que desperta empatia, julgamento e curiosidade”, afirma.
Por isso, esse envolvimento leva o público a torcer, criticar, defender e até projetar seus próprios valores nos competidores.
Por que assistimos ao BBB: a curiosidade sobre o outro e o prazer de observar
Além da identificação emocional, outro fator importante é o chamado comportamento voyeurístico social, termo usado na Psicologia para descrever o interesse natural do ser humano em observar a vida alheia.
“Existe um desejo humano de entender como o outro pensa, reage e sente. O reality oferece acesso privilegiado ao cotidiano de pessoas em situações extremas, o que satisfaz essa curiosidade”, explica a coordenadora.
Além disso, o formato 24 horas cria a sensação de proximidade e intimidade. Com isso, o vínculo entre público e participantes acaba se fortalecendo.
Julgar, escolher e se posicionar
Outro ponto relevante é que o BBB ativa mecanismos psicológicos ligados ao julgamento moral e à tomada de decisão. Ao votar, comentar e opinar, o espectador participa ativamente da narrativa.
“Quando escolhemos quem deve ficar ou sair, estamos exercitando valores, crenças e critérios de justiça. Assim, o programa estimula o público a refletir, mesmo que inconscientemente, sobre ética, convivência e responsabilidade”, destaca Marlene Zola.
Emoções em tempo real e alívio da rotina ajudam a explicar por que assistimos ao BBB
Além desses aspectos, em tempos de rotina intensa e pressão cotidiana, o reality também funciona como uma forma de escape emocional.
“Assistir ao BBB permite relaxar, rir, se indignar e se emocionar. Ao mesmo tempo, é uma experiência que gera conversa, pertencimento e até sensação de comunidade, especialmente nas redes sociais”, observa a professora.
Um fenômeno que ajuda a entender a sociedade
Para a coordenadora do curso de Psicologia da FSA, o BBB vai além do entretenimento. Na prática, ele se tornou um termômetro social, revelando valores, preconceitos, expectativas e transformações culturais.
“O programa mostra como a sociedade reage ao diferente, ao conflito, ao erro e ao sucesso. Por isso, é um material riquíssimo para estudar comportamento humano, relações interpessoais e dinâmica de grupos”, afirma.
Psicologia em diálogo com o cotidiano
Na Fundação Santo André, temas como mídia, comportamento, relações sociais e saúde mental fazem parte da formação dos estudantes de Psicologia, conectando teoria e realidade.
“Quando analisamos fenômenos populares como o BBB, mostramos que a Psicologia está presente em todos os aspectos da vida”, conclui Marlene Zola.