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Psicologia e diferença: o poder transformador do coletivo contra invisibilidades e violência

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A psicologia aplicada à proteção social e à saúde pública tem um papel político e ético: dar visibilidade, fortalecer sujeitos e transformar contextos. Quando entendemos a diferença como potencial coletivo, mudamos práticas, políticas e espaços — e isso impacta diretamente na redução de violências e das invisibilidades produzidas historicamente.

Por que falar de diferença e coletivo?

Diferença não é problema individual a ser corrigido; é uma condição que revela formas de organização social que excluem. A psicologia amplia a escuta para além do indivíduo: olha família, comunidade e território. Assim, o foco deixa de ser apenas o deficit e passa a ser o contexto que gera ou perpetua a exclusão.

Marcos legais e mudança de paradigma

Nas últimas décadas, políticas públicas importantes transformaram assistência e saúde em direitos — não mais caridade. A criação do SUAS e do SUS, e leis como a Lei Brasileira de Inclusão, fizeram da garantia de direitos um dever do Estado. Nesse cenário a psicologia conquistou espaço como prática pública, colaborando para intervenções que não punem, mas protegem e promovem vínculos.

O que muda na prática?

  • Assistência como direito: atendimento para quem dele precisar, independente de renda.
  • Política relacional: o SUAS não é investigação punitiva; é proteção social e fortalecimento do coletivo.
  • Psicologia pública: não se reduz a terapia individual; envolve trabalho com famílias, grupos e comunidades.

O papel do psicólogo na proteção social

A atuação da psicologia no SUAS exige uma escuta qualificada que considere história, território e cultura. O psicólogo observa as violências naturalizadas, as redes de cuidado e as estratégias de sobrevivência — e articula respostas que priorizam autonomia e emancipação.

Exemplos concretos mostram a diferença desse olhar: diante de trabalho infantil numa rua ou farol, a resposta não é apenas legalista. Interrogar o contexto — se a criança está na fila de creche, se a mãe tem rede de apoio — pode ser a chave para proteger sem criminalizar.

Princípios de atuação

  • Não-coercitividade: intervenções que respeitam o sujeito e a família.
  • Articulação multiprofissional: diálogo com saúde, educação, habitação e cultura.
  • Foco no sujeito: sempre priorizar o bem-estar e os direitos do indivíduo.
  • Ética: o código profissional orienta todas as ações e protege contra práticas institucionalmente violentas.

Acessibilidade e construção do espaço público

A arquitetura e o design influenciam práticas de inclusão. A Lei Brasileira de Inclusão desloca a deficiência do “problema do corpo” para a relação entre pessoa e ambiente: a deficiência ocorre quando barreiras impedem a participação plena.

Isso significa que remover degraus, garantir informação acessível, projetar espaços sensoriais e adotar tecnologia assistiva não são luxos — são medidas que tornam a cidade e os serviços mais democráticos. A psicologia colabora identificando como essas barreiras afetem subjetividades e relações.

Barreiras comuns

  • Arquitetônicas: degraus sem rebaixamento, espaços estreitos.
  • Comunicacionais: ausência de Libras, textos inacessíveis.
  • Atitudinais: estigma e exclusão cotidiana.
  • Digitais: plataformas que exigem habilidades que parte da população não tem.

Tecnologia: assistiva versus inclusiva

A tecnologia pode ser assistiva (apoiando quem tem barreira) e inclusiva (oferecendo acesso generalizado). Um exemplo: leitores de tela permitem acesso a conteúdo, mas linguagens gráficas como o uso de “x” na escrita inclusiva podem criar novas barreiras para quem depende desses leitores. É preciso pensar inteligentemente: inclusão não é apenas adotar tecnologia, é garantir acesso efetivo.

Ética, coragem e desconstrução cotidiana

Combater invisibilidades implica também decidir falar. Romper preconceitos acontece nas conversas de cada dia: corrigir piadas, enfrentar comentários discriminatórios e assumir postura ética no trabalho. A psicologia incentiva esse exercício de autoexame e ação, porque pequenas atitudes mudam ambientes.

Práticas para começar agora

  1. Promover rodas de conversa e discussões de caso no serviço.
  2. Formar equipes multiprofissionais e incluir arquitetos e tecnólogos nas propostas.
  3. Verificar processos digitais para não excluir parcelas da população.
  4. Estimular atitudes que valorizem a diferença no dia a dia.

Arte, palavra e cuidado

A arte é uma medicina. Poemas e práticas artísticas ampliam a escuta e sensibilizam para a humanidade compartilhada. O poeta Rumi lembra que emoções chegam como visitantes; acolhê-las é um caminho para cura e integração.

Ser humano é ser uma casa de hóspedes. A cada instante uma nova chegada, uma alegria, uma depressão…

Incorporar arte e poesia nas práticas de cuidado é uma estratégia poderosa da psicologia para promover empatia e fortalecer coletivos.

Conclusão: diferença como potência coletiva

Encarar a diferença como poder transformador exige mudanças técnicas, éticas e culturais. A psicologia tem papel central ao:

  • Oferecer escuta ampliada e contextualizada.
  • Atuar em conjunto com políticas públicas e outros saberes.
  • Promover práticas que removam barreiras e fortaleçam redes de cuidado.

Lutamos por uma sociedade onde a inclusão não seja um adjetivo, mas a regra. Agir coletivamente, com coragem e sensibilidade, é transformar invisibilidades em vozes e violências em proteção.

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