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Risco do vírus Nipah é baixo no Brasil

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Risco do vírus Nipah chegar ao Brasil é baixo, mas vigilância e informação são essenciais, alerta especialista

O vírus Nipah (NiV), responsável por surtos graves em países do Sudeste Asiático, tem chamado a atenção das autoridades de saúde e da comunidade científica mundial. Embora não haja registros da doença no Brasil, especialistas destacam a importância da vigilância epidemiológica, da informação correta e da preparação dos sistemas de saúde diante de um mundo cada vez mais conectado.

A análise é da Profa. Mestra Kelly Cristina Batista de Souto Queiroz, biomédica habilitada em Patologia Clínica, Fisiologia Humana, Imagenologia e Citologia Clínica, e professora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA).

“O risco de o vírus Nipah chegar ao Brasil é considerado baixo neste momento, mas isso não significa que o país esteja imune. Em um cenário de globalização, mudanças climáticas e aumento do contato entre humanos e animais silvestres, a vigilância é fundamental”.

O que é o vírus Nipah?

O vírus Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para humanos. Ele foi identificado pela primeira vez no final da década de 1990 e tem como principais reservatórios naturais morcegos frugívoros, especialmente da família Pteropodidae.

A transmissão pode ocorrer:

  • pelo contato com secreções (saliva, urina e fezes) de animais infectados;
  • pelo consumo de alimentos contaminados, como por exemplo: frutas mordidas por morcegos;
  • e, em alguns surtos, por transmissão direta entre pessoas, através de gotículas respiratórias (tosse, espirro) e fluídos corporais.

Os sintomas variam de quadros leves até manifestações graves, como encefalite, insuficiência respiratória e alterações neurológicas, com taxas de letalidade elevadas em alguns países onde o vírus já circulou.

Por que o Brasil deve ficar atento?

Segundo a Profa. Kelly Souto, o Brasil reúne fatores que exigem atenção, como:

  • grande biodiversidade;
  • presença de morcegos frutívoros em diferentes biomas;
  • intenso fluxo internacional de pessoas e mercadorias.

“No entanto, é importante destacar que não há evidências de circulação do vírus Nipah no território brasileiro. O país possui experiência consolidada em vigilância de doenças emergentes e protocolos de resposta rápida”, ressalta.

Ela lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) e os laboratórios de referência desempenham papel central na identificação precoce de agentes infecciosos.

Informação correta evita pânico

A professora reforça que o tema deve ser tratado com responsabilidade e base científica, evitando alarmismo.

“Divulgar informações sem critério pode gerar medo desnecessário. O mais importante é orientar a população sobre prevenção, higiene, segurança alimentar e a importância de procurar serviços de saúde diante de sintomas suspeitos, principalmente após viagens internacionais”.

Entre as medidas gerais de prevenção estão:

  • evitar contato direto com animais silvestres;
  • consumir alimentos de origem segura e bem higienizados;
  • respeitar orientações sanitárias em viagens internacionais.

O papel da Biomedicina e da ciência

Para a docente da Fundação Santo André, a discussão sobre o vírus Nipah reforça a importância da ciência, da pesquisa e da formação de profissionais da saúde.

“O biomédico atua diretamente no diagnóstico laboratorial, na vigilância e na pesquisa de agentes infecciosos, além de ser também um educador, trazendo informações seguras para a população. Preparar profissionais qualificados é essencial para enfrentar possíveis emergências sanitárias”.

Vigilância, ciência e prevenção

Embora o vírus Nipah não represente, neste momento, uma ameaça imediata ao Brasil, o alerta dos especialistas é claro: prevenção, informação de qualidade e investimento em ciência são as melhores ferramentas para proteger a saúde pública.

“Doenças emergentes nos lembram que saúde humana, animal e ambiental estão interligadas. Estar atento é uma forma de cuidado coletivo”.

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