Você está visualizando atualmente Condomínios: aplicar ASG (Ambiental, Social e Governança) na prática

Condomínios: aplicar ASG (Ambiental, Social e Governança) na prática

Compartilhe
2 Views · 

Condomínios têm papel estratégico na busca por cidades mais sustentáveis. Com milhões de unidades habitacionais e serviços reunidos em poucas áreas, os condomínios concentram consumo, geração de resíduos e convivência social — por isso são locais perfeitos para aplicar práticas de ASG (ambiental, social e governança).

Por que ASG importa para condomínios

O imóvel em um condomínio é também um ativo financeiro sujeito a riscos internos e externos. Má administração, inadimplência alta ou falta de transparência reduzem a reputação e o valor do ativo. Da mesma forma, obras e empreendimentos na vizinhança alteram oferta, demanda e valor.

Aplicar ASG é reduzir riscos, melhorar a governança e gerar valor para condôminos. Não é apenas uma agenda ambiental: envolve ética, transparência, segurança, responsabilidade social e gestão de riscos.

Quem são os stakeholders dentro de um condomínio?

  • Síndico, administradora e conselho — responsáveis pela tomada de decisão, prestação de contas e cumprimento legal.
  • Condôminos e visitantes — impactados por decisões de gestão e participantes das assembleias.
  • Prestadores de serviço e funcionários — zeladores, porteiros, equipes de limpeza, fornecedores de reforma e manutenção.
  • Empresas locais e prefeitura — parceiros para projetos de infraestrutura, poda, gestão de resíduos e incentivos.

Ações ambientais de alto impacto e baixo custo

  • Eficiência hídrica: redutores de vazão nas áreas comuns, captação de água da chuva em cisternas (seguindo normas), reúso de águas cinzas para limpeza de áreas comuns.
  • Energia: troca para iluminação LED, sensores de presença e estudo de viabilidade para energia solar. Existem modelos de contrato e assinatura que reduzem o investimento inicial.
  • Gestão de resíduos: plano de gerenciamento de resíduos, logística reversa, manifesto de transporte de resíduos de obra e compostagem comunitária — exemplo prático: composteira simples construída com materiais reaproveitados que melhora as plantas do condomínio e envolve moradores.
  • Biodiversidade e conforto térmico: telhados verdes, jardins verticais e horizontal, escolha de espécies nativas e manejo correto das árvores para evitar danos à edificação e reduzir ilhas de calor.

Saúde coletiva e exemplos que ensinam

A separação incorreta de resíduos pode gerar consequências graves para a saúde pública. Um caso real mostrou que o descarte de orgânicos em contêineres aumentou a presença de roedores e levou a um óbito por leptospirose. Esse exemplo evidencia que a gestão de resíduos em condomínios não é apenas ambiental: é questão de segurança e vida.

Dimensão social: inclusão e qualidade de vida

  • Projetos simples como arrecadação de alimentos e roupas, hortas comunitárias e atividades para idosos geram grande impacto social.
  • Valorização e capacitação de funcionários reduzem rotatividade e melhoram o serviço. Um caso prático: realocação de uma profissional de limpeza para portaria quando houve problema de saúde — importante postura de inclusão e reconhecimento de competências independentemente de gênero.
  • Investir em qualidade de serviço muitas vezes significa escolher propostas com melhor custo-benefício e não só o menor preço.

Governança: o primeiro passo para tudo

Governança é base. Transparência, prestação de contas, código de conduta, compliance e proteção de dados (LGPD) devem vir antes ou simultaneamente às ações ambientais. Uma boa governança facilita captar recursos, integrar condôminos e executar projetos com legitimidade.

Ferramentas úteis: plano de gestão de risco, comitê de crise, manutenção preventiva e auditorias periódicas. Antes de comunicar grandes ações, organize processos internos e resolva os problemas de governança.

Como começar: passos práticos

  1. Mapear materialidade: ouvir condôminos, identificar prioridades e riscos.
  2. Definir metas claras relacionadas a água, energia, resíduos e bem-estar social.
  3. Integrar ações no orçamento e no calendário de assembleias.
  4. Implementar projetos-piloto de baixo custo (troca de lâmpadas, composteira, cursos de capacitação para funcionários).
  5. Medir e comunicar resultados com transparência para aumentar adesão.

Principais desafios e como superá-los

O maior obstáculo costuma ser a resistência por falta de conhecimento ou preocupação com custo. Estratégia eficiente: começar por ações que impactam o bolso de forma positiva (redução de contas ou incentivos fiscais, como IPTU verde). Transparência e comunicação frequente nas assembleias ajudam a conquistar confiança.

Checklist rápido para síndicos e conselhos

  • Realizar diagnóstico de consumo (água, energia, resíduos).
  • Promover assembleias curtas e frequentes para prestação de contas.
  • Implantar um plano de gerenciamento de resíduos e compostagem.
  • Avaliar viabilidade de energias renováveis com estudo técnico.
  • Capacitar funcionários e criar políticas de inclusão.
  • Instituir gestão de riscos e comitê de crise.

Conclusão

Condomínios são microcosmos urbanos com enorme potencial para agir em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com foco em governança, pequenas ações replicáveis e comunicação transparente, é possível melhorar a qualidade de vida, reduzir riscos e valorizar o patrimônio coletivo. Comece com um passo: escute, planeje e execute.

Saiba mais sobre os cursos da FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ

Viva novas experiências de aprendizagem.

Clique aqui.

Deixe um comentário