Você está visualizando atualmente Hábitos de estudo: como criar uma rotina que funciona
📷 Pátio da FAFIL | Acervo institucional FSA

Hábitos de estudo: como criar uma rotina que funciona

Compartilhe
20 Views

Hábitos de estudo: o que ajuda a aprender melhor e manter uma rotina

Você monta um cronograma na segunda-feira com Matemática, Português, História, Biologia, redação, exercícios, revisão e simulados.

Na quarta, alguma coisa sai do planejado.

Na quinta, você olha para o cronograma atrasado e começa a pensar que deveria refazer tudo.

Essa situação é bastante comum porque uma boa rotina de estudos não depende de cumprir um planejamento perfeito. Ela precisa funcionar também nos dias em que você tem aula, trabalho, compromissos, cansaço e outras coisas para resolver.

Bons hábitos de estudo são comportamentos que ajudam você a estudar com regularidade, organizar o que precisa aprender e acompanhar o próprio progresso. Isso pode incluir reservar horários, definir prioridades, revisar conteúdos, fazer exercícios, reduzir distrações e ajustar a rotina quando necessário.

A organização importa, mas o hábito não se resume a passar muitas horas diante do material.

Resposta rápida: quais hábitos ajudam a estudar melhor?

Uma rotina de estudos pode ficar mais eficiente quando você:

  • define horários possíveis de cumprir;
  • sabe o que pretende estudar antes de começar;
  • divide tarefas grandes em partes menores;
  • alterna leitura e revisão com exercícios e recuperação do conteúdo;
  • volta aos assuntos em dias diferentes;
  • reduz distrações durante períodos de concentração;
  • faz pausas;
  • acompanha o que conseguiu fazer;
  • ajusta o planejamento quando a rotina muda;
  • mantém espaço para sono e descanso.

Essas práticas se aproximam do conceito de autorregulação da aprendizagem, que envolve planejar, acompanhar e modificar as próprias estratégias de acordo com os objetivos e com as dificuldades encontradas.

Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos descreve a autorregulação justamente como um processo ativo e intencional em que o estudante administra comportamentos, pensamentos e emoções orientados a seus objetivos de aprendizagem.

Comece por uma rotina que realmente caiba no seu dia

Uma rotina de estudos feita para uma versão ideal da sua semana provavelmente vai durar pouco.

Se você chega em casa às 19h depois da escola ou do trabalho, talvez um planejamento que determine quatro horas diárias de estudo até a madrugada não seja sustentável.

Antes de definir quantas matérias estudar, observe sua própria semana.

Quais horários já estão ocupados? Quanto tempo você leva no deslocamento? Em quais dias costuma chegar mais cansado? Existem períodos em que consegue se concentrar melhor?

A partir disso, fica mais fácil encontrar espaços reais para estudar.

Fatores como local de estudo, materiais, uso do computador, dificuldade para saber por onde começar e programação de horários entre os elementos envolvidos na construção desse hábito.

Ter uma rotina não significa estudar exatamente no mesmo minuto todos os dias. Significa diminuir a necessidade de decidir do zero quando, o que e como estudar.

Quantas horas por dia eu preciso estudar?

Não existe uma quantidade universal.

Uma pessoa que está na escola em período integral terá uma rotina diferente de quem estuda pela manhã, trabalha à tarde ou já está na faculdade.

Também existem semanas diferentes dentro da vida da mesma pessoa.

Antes de uma prova, talvez seja necessário dedicar mais tempo a determinado assunto. Em outra semana, trabalhos e atividades podem ocupar parte desse espaço.

Por isso, pensar apenas em “quantas horas” pode ser menos útil do que observar:

O que preciso aprender? Quanto tempo tenho disponível? O que consigo fazer com atenção nesse período?

Duas horas com objetivos definidos podem ser mais produtivas do que passar uma tarde inteira alternando entre a apostila e o celular.

Defina o que você vai fazer antes de começar

“Estudar Matemática” é um plano muito amplo.

“Revisar função do segundo grau e resolver dez exercícios” já indica uma ação.

Quanto mais genérica é a tarefa, maior pode ser a dificuldade para saber por onde começar.

Em vez de montar o cronograma apenas com o nome das matérias, experimente registrar atividades mais concretas:

Biologia: revisar genética e responder cinco questões.
Português: corrigir exercícios de interpretação de texto.
História: estudar Era Vargas e explicar os principais pontos sem consultar o material.
Redação: escrever uma introdução e revisar os argumentos.

Isso também facilita perceber se o objetivo cabia naquele período.

Se a tarefa era impossível para uma hora disponível, o problema talvez não estivesse na sua disciplina, mas no tamanho do que foi planejado.

Estudar é diferente de organizar material

Arrumar os cadernos, escolher uma playlist, criar uma planilha, separar canetas e deixar os títulos do resumo bonitos podem fazer parte da preparação.

Mas preparar-se para estudar não é a mesma coisa que estudar.

Essa diferença parece óbvia até você perceber que passou quarenta minutos configurando um aplicativo de produtividade e ainda não abriu o conteúdo da prova.

Uma rotina precisa reservar a maior parte do tempo para atividades diretamente relacionadas à aprendizagem.

Isso inclui ler quando é necessário compreender um assunto, mas também resolver problemas, responder perguntas, escrever, comparar conceitos e tentar lembrar do conteúdo sem consultar imediatamente o material.

No artigo Como o cérebro aprende?, publicado aqui no Blog FSA, mostramos por que atenção, memória e prática participam desse processo e por que apenas reler várias vezes pode não ser suficiente.

Não deixe toda a revisão para a véspera

Você estuda um conteúdo hoje, entende e segue para o próximo.

Algumas semanas depois, tenta responder uma questão sobre aquele assunto e percebe que já não lembra tão bem.

Isso é esperado.

Por esse motivo, uma rotina de estudos precisa ter espaço não apenas para aprender assuntos novos, mas também para voltar ao que já foi estudado.

Não é necessário reler todo o material do início ao fim em cada revisão.

Você pode:

  • responder algumas questões;
  • tentar escrever o que lembra;
  • usar cartões de perguntas;
  • explicar o assunto em voz alta;
  • rever apenas os pontos nos quais ainda tem dúvida;
  • retomar exercícios que errou anteriormente.

Distribuir os contatos com o conteúdo ao longo do tempo é uma das estratégias discutidas na literatura sobre aprendizagem e também apareceu no artigo anterior do Blog.

Para quem se prepara para o Enem, isso é particularmente importante. Um conteúdo estudado no início do ano não precisa desaparecer do cronograma até a semana da prova.

Fazer questões deve fazer parte da rotina

Há uma diferença grande entre reconhecer uma resposta quando ela está diante de você e conseguir encontrá-la sozinho.

Por isso, exercícios são úteis mesmo antes de você se sentir completamente preparado.

Eles ajudam a identificar:

  • conteúdos que você já consegue utilizar;
  • conceitos que parecem claros, mas ainda geram dificuldade;
  • erros de interpretação;
  • assuntos que precisam ser revistos;
  • tipos de questão que consomem muito tempo.

Errar uma questão durante os estudos é bem diferente de errá-la no dia da prova.

Durante o estudo, o erro pode funcionar como informação.

Em vez de registrar apenas quantas questões acertou, tente descobrir por que errou.

Foi falta de conhecimento? Atenção? Interpretação? Você confundiu dois conceitos? Sabia o conteúdo, mas não conseguiu aplicá-lo?

Essa análise torna a correção parte do estudo.

O celular precisa ficar longe?

Não necessariamente em outro cômodo, mas é importante observar o que acontece quando ele fica ao seu lado.

Você começa a estudar.

Chega uma notificação.

Responde rapidamente.

Volta para o exercício.

Lembra de outra mensagem.

Abre o aplicativo.

Quando percebe, passaram quinze minutos.

O problema não é apenas o tempo gasto na rede social. Cada interrupção também exige que você volte à tarefa e reconstrua o foco.

Se isso acontece com frequência, algumas soluções simples podem ajudar:

  • silenciar notificações;
  • deixar aplicativos fechados durante o período de estudo;
  • usar o modo “não perturbe”;
  • colocar o celular fora do alcance da mão;
  • separar momentos específicos para consultar mensagens.

Também é recomendado limitar mídias sociais e outras distrações durante os períodos dedicados à concentração.

Você não precisa transformar o celular em inimigo. Ele pode ser útil para vídeos, cronômetros, exercícios, pesquisas e flashcards. A questão é perceber quando ele está servindo ao estudo e quando está interrompendo o estudo.

Fazer pausas ajuda?

Pode ajudar.

Ficar sentado estudando durante horas seguidas não é necessariamente uma demonstração de produtividade.

Depois de um período de concentração, levantar, beber água, descansar os olhos ou caminhar um pouco pode facilitar a retomada da atividade.

Isso não significa que existe um intervalo obrigatório que funcione para todas as pessoas.

O método Pomodoro, por exemplo, ficou conhecido por utilizar períodos de concentração intercalados com pequenas pausas. Muita gente gosta desse formato, mas os famosos 25 minutos não são uma regra do cérebro.

Você pode perceber que consegue trabalhar bem por 30, 40 ou 50 minutos antes de precisar de uma pausa.

O importante é evitar dois extremos: insistir quando você já perdeu completamente a concentração ou transformar uma pausa de dez minutos em uma hora longe dos estudos.

Preciso estudar sempre no mesmo lugar?

Não obrigatoriamente.

Mas ter um espaço minimamente organizado pode diminuir algumas distrações.

Você não precisa ter um escritório ou uma escrivaninha exclusiva. Para muita gente, isso simplesmente não existe.

O ambiente possível pode ser uma mesa na cozinha, a biblioteca, uma sala de estudos ou outro lugar onde seja possível permanecer por algum tempo.

Quando puder escolher, observe:

  • iluminação;
  • posição para sentar;
  • ruído;
  • materiais de que precisará;
  • acesso a água;
  • quantidade de interrupções;
  • facilidade para usar o celular para outras coisas.

O local de estudo é um dos fatores a considerar na organização da rotina. Não ter o ambiente ideal não impede ninguém de estudar. A ideia é melhorar aquilo que estiver sob seu controle.

Um cronograma precisa prever dias ruins

Aqui está uma parte que muitos planejamentos esquecem.

Algum dia você não vai conseguir estudar.

Pode surgir um compromisso, você pode ficar doente, uma atividade da escola pode demorar mais ou simplesmente pode estar cansado demais.

Quando o cronograma é montado sem nenhum espaço para imprevistos, uma tarefa atrasada empurra todas as seguintes.

Logo aparece aquela sensação de que “perdi o cronograma”.

Por isso, evite ocupar todo minuto disponível da semana.

Deixe algum espaço para retomar uma atividade atrasada ou reorganizar prioridades.

Se algo não aconteceu na terça-feira, observe onde pode ser encaixado novamente. Não é necessário transformar a quarta em uma maratona para “pagar” todas as horas perdidas.

Acompanhar o que você estudou ajuda a melhorar a rotina

Planejar é uma parte da organização. Observar o que realmente aconteceu é outra.

No final da semana, você pode olhar para o planejamento e verificar:

O que consegui fazer?
O que sempre ficou para depois?
Quais atividades demoraram mais do que imaginei?
Em qual período consegui me concentrar melhor?
Que conteúdo ainda preciso retomar?

Esse acompanhamento faz parte da autorregulação da aprendizagem.

Uma revisão de 2024 sobre esse tema no Ensino Superior destaca o papel de recursos como diários de aprendizagem e feedback para ajudar estudantes a observar e orientar os próprios processos de estudo.

Você não precisa manter um diário detalhado.

Uma agenda, planilha, aplicativo ou algumas anotações já podem mostrar padrões que não aparecem quando confiamos apenas na memória.

E quando bate a procrastinação?

Procrastinar não significa necessariamente que você não se importa com os estudos.

Às vezes, a tarefa parece grande demais.

“Preciso estudar todo o conteúdo de Física” é um ótimo exemplo de algo que pode gerar vontade de fazer qualquer outra coisa.

Dividir essa tarefa muda o ponto de partida:

Hoje, vou revisar cinemática.
Depois, resolver cinco questões.
Amanhã, volto aos erros.

Começar por uma ação clara costuma ser mais simples do que começar por um objetivo enorme.

Também pode ajudar combinar um horário específico com uma tarefa específica: “às 19h vou fazer os exercícios 1 a 10” é mais concreto do que “hoje preciso estudar”.

A autorregulação está relacionada justamente a esse processo de estabelecer objetivos, escolher estratégias, acompanhar o próprio desempenho e ajustar o comportamento quando necessário.

Como montar uma rotina de estudos na prática?

Você pode começar de maneira bastante simples.

1. Anote os compromissos que já existem.
Inclua escola, trabalho, deslocamentos, cursos e outras atividades fixas.

2. Identifique os períodos disponíveis.
Não transforme automaticamente todo horário livre em horário de estudo.

3. Liste suas prioridades.
Uma prova próxima ou um conteúdo com maior dificuldade pode receber mais atenção naquela semana.

4. Defina tarefas concretas.
Troque “estudar Química” por “revisar ligações químicas e fazer dez questões”.

5. Inclua revisões.
Reserve alguns períodos para conteúdos que você já estudou.

6. Preveja pausas.
Escolha intervalos que permitam descansar sem desmontar a rotina.

7. Deixe algum espaço livre.
Ele poderá receber tarefas que demoraram mais ou imprevistos.

8. Revise o próprio planejamento.
Depois de alguns dias, ajuste aquilo que não funcionou.

Essa última etapa é importante.

Um cronograma não precisa provar que você é disciplinado. Ele precisa ajudar você a estudar.

Existe uma rotina perfeita de estudos?

Não.

Uma rotina eficiente para quem estuda de manhã pode não funcionar para quem trabalha o dia inteiro.

Também é possível que uma estratégia funcione durante algumas semanas e precise mudar quando começam as provas ou quando a quantidade de atividades aumenta.

Por isso, criar hábitos de estudo envolve testar, observar e ajustar.

A literatura sobre autorregulação da aprendizagem trabalha justamente com essa ideia de o estudante participar ativamente do próprio processo, estabelecendo objetivos, escolhendo estratégias e acompanhando seus resultados.

Autonomia não significa descobrir tudo sozinho. Professor, colegas, família e outros recursos podem ajudar bastante.

A diferença é que, aos poucos, você também aprende a identificar aquilo de que precisa para estudar.

Criar hábitos de estudo também prepara para a faculdade

Essa organização não deixa de ser útil depois do vestibular.

Na graduação, o estudante precisa conciliar aulas, leituras, trabalhos, avaliações, projetos e, em muitos casos, estágio ou emprego.

Por isso, aprender a organizar o próprio estudo ainda no Ensino Médio pode facilitar a adaptação à vida universitária.

E o processo não termina quando alguém entra na faculdade. Conforme as disciplinas e responsabilidades mudam, a rotina também precisa ser reorganizada.

Se você está escolhendo sua graduação, pode conhecer os cursos da Fundação Santo André e comparar áreas, modalidades e formações disponíveis.

Conheça os cursos de graduação da FSA

Deixe um comentário