Você está visualizando atualmente Diploma ainda importa em tecnologia? Veja o que pesa na carreira
📷 Oficina de Tecnologia - Semana da FAECO 2025 | Acervo institucional FSA

Diploma ainda importa em tecnologia? Veja o que pesa na carreira

Compartilhe
2 Views

Diploma ainda importa na área de tecnologia? O que pesa na formação profissional

⏱️ Tempo de leitura: 10 minutos

Você provavelmente já encontrou alguma história parecida: alguém aprendeu programação sozinho, montou um portfólio, conseguiu o primeiro emprego em tecnologia e construiu a carreira sem concluir uma faculdade.

Ao mesmo tempo, muitas vagas continuam pedindo formação superior, estudantes procuram graduações em Computação, Sistemas de Informação, Dados e outras áreas, e empresas investem em programas de estágio direcionados a universitários.

Então surge uma dúvida bastante razoável: o diploma ainda importa para quem quer trabalhar com tecnologia?

Para o Prof. Me. Flavio Flauzino, coordenador e docente dos cursos de Tecnologias em Computação da Fundação Santo André, a questão não deve ser tratada como uma escolha entre faculdade ou conhecimento prático.

O diploma continua sendo extremamente importante, mas, isoladamente, já não basta. As empresas procuram profissionais que saibam aplicar o conhecimento na prática, resolver problemas, trabalhar em equipe, comunicar suas ideias, lidar com diferentes perfis profissionais e acompanhar a rápida evolução tecnológica.

Na visão do professor, formação acadêmica, conhecimento técnico, experiências práticas e competências comportamentais precisam ser desenvolvidos em conjunto.

Resposta rápida: diploma ainda importa na área de tecnologia?

Sim, a formação superior continua tendo espaço na carreira em tecnologia, mas o diploma sozinho não demonstra tudo o que um profissional sabe fazer.

Quem está entrando na área também pode precisar mostrar conhecimentos técnicos, projetos desenvolvidos, capacidade de resolver problemas, comunicação, trabalho em equipe e disposição para continuar aprendendo.

Por isso, a pergunta mais útil não é simplesmente “faculdade ou experiência?”.

Para quem está planejando a própria formação, faz mais sentido observar como a graduação pode ser combinada com experiências práticas ao longo do curso.

Faculdade de tecnologia ensina tudo o que você vai usar na carreira?

Não, e dificilmente conseguiria.

A tecnologia muda rápido. Linguagens ganham novas versões, ferramentas aparecem, plataformas deixam de ser utilizadas e novas aplicações de Inteligência Artificial surgem com frequência.

Uma graduação que se limitasse a ensinar a ferramenta mais utilizada naquele momento poderia envelhecer junto com ela.

Parte da função da formação acadêmica está, portanto, em desenvolver fundamentos que continuam úteis mesmo quando as tecnologias mudam.

Dependendo do curso, isso pode envolver conhecimentos de:

  • lógica e programação;
  • algoritmos;
  • bancos de dados;
  • redes;
  • sistemas operacionais;
  • arquitetura de computadores;
  • engenharia de software;
  • segurança;
  • matemática;
  • análise de dados;
  • gestão de projetos;
  • ética e aspectos sociais da tecnologia.

As ferramentas utilizadas para aplicar esses conhecimentos podem mudar ao longo da carreira.

É por isso que saber aprender também passa a fazer parte do trabalho.

Então saber programar é mais importante que ter diploma?

Essa comparação cria uma escolha que nem sempre precisa existir.

Saber programar é uma competência técnica importante para diversas funções, mas a área de tecnologia reúne profissões bastante diferentes.

Há profissionais trabalhando com desenvolvimento, dados, infraestrutura, segurança da informação, produto, Inteligência Artificial, análise de sistemas, gestão de tecnologia e outras frentes.

Mesmo dentro do desenvolvimento de software, conhecer uma linguagem não resume todo o trabalho.

O profissional precisa compreender o problema que está tentando resolver, organizar uma solução, testar, documentar, conversar com outras pessoas e tomar decisões ao longo do projeto.

O Prof. Flavio resume essa combinação:

“Um profissional pode dominar uma linguagem de programação, uma ferramenta de Inteligência Artificial ou uma plataforma de computação em nuvem, mas também precisa compreender problemas, comunicar suas ideias, trabalhar em equipe, lidar com prioridades e tomar decisões.”

Segundo ele, competências técnicas e comportamentais precisam caminhar juntas.

Quais habilidades aparecem junto com o conhecimento técnico?

No material preparado para este artigo, o professor cita algumas competências que aparecem com frequência na formação de profissionais da área:

  • domínio técnico;
  • capacidade de aprender continuamente;
  • raciocínio lógico;
  • resolução de problemas;
  • trabalho colaborativo;
  • comunicação;
  • criatividade;
  • ética no uso da tecnologia;
  • adaptação a mudanças;
  • pensamento crítico.

Essa combinação fica mais fácil de entender quando pensamos em um projeto real.

Imagine que você esteja desenvolvendo um sistema para uma empresa.

Programar é parte do trabalho, mas antes alguém precisa compreender a necessidade. Depois, será necessário decidir como a solução funcionará, conversar com usuários ou profissionais de outras áreas, organizar prioridades, testar o sistema e explicar decisões.

É nesse momento que conhecimentos técnicos e habilidades de comunicação, organização e colaboração começam a se encontrar.

Como comprovar experiência se eu ainda estou na faculdade?

Esse é um ponto especialmente importante para quem está procurando estágio ou o primeiro emprego.

Experiência prática não precisa começar apenas depois da contratação.

Durante a graduação, você pode construir projetos que mostrem como utiliza aquilo que está aprendendo.

O Prof. Flavio cita exemplos como projetos integradores, hackathons, desenvolvimento de aplicativos, pesquisas, iniciação científica, estágios e portfólios pessoais.

Imagine que você tenha desenvolvido um aplicativo durante uma disciplina.

Em uma seleção, você pode explicar:

  • qual problema o projeto procurava resolver;
  • qual foi a sua participação;
  • quais tecnologias utilizou;
  • quais dificuldades apareceram;
  • como vocês organizaram o trabalho em equipe;
  • quais decisões precisaram tomar;
  • o que faria diferente em uma próxima versão.

A conversa deixa de ser apenas “eu conheço Python” ou “sei desenvolver aplicações”.

Você passa a mostrar como utilizou esse conhecimento.

Na FSA, o próprio Hackathon é um exemplo desse tipo de experiência: estudantes trabalham em equipe e têm um período determinado para desenvolver um protótipo a partir de um problema proposto. Conheça o Hackathon FSA

Portfólio é importante para quem trabalha com tecnologia?

Pode ser bastante útil, principalmente em áreas nas quais é possível apresentar projetos.

Um portfólio não precisa ser uma coleção enorme de sistemas completamente finalizados.

Para um estudante, ele também pode registrar projetos desenvolvidos durante a graduação, aplicações próprias, análises de dados, protótipos ou outras experiências relacionadas à área que pretende seguir.

Segundo o Prof. Flavio, esses projetos permitem observar tanto a aplicação do conhecimento técnico quanto competências como organização, comunicação, colaboração e capacidade de lidar com problemas.

Dependendo da área, esse material pode aparecer em um site próprio, GitHub ou outras plataformas adequadas ao tipo de trabalho.

O importante é conseguir explicar aquilo que você apresenta.

Copiar um projeto pronto e colocá-lo no perfil sem saber como ele funciona dificilmente ajudará quando alguém perguntar sobre as decisões tomadas durante o desenvolvimento.

Certificações substituem uma graduação?

No entendimento apresentado pelo professor, não.

Certificações podem complementar a formação porque permitem aprofundar conhecimentos em determinadas ferramentas, plataformas ou tecnologias.

“As certificações complementam a graduação e podem demonstrar ao mercado que o estudante possui conhecimentos específicos em tecnologias amplamente utilizadas. Porém, é importante entender que uma certificação não substitui a formação acadêmica nem a experiência prática.”

A proposta, novamente, é de combinação.

Uma graduação tem uma abrangência diferente daquela encontrada em uma certificação específica.

Enquanto o curso superior trabalha uma formação distribuída ao longo de vários semestres, uma certificação pode aprofundar determinado ambiente de nuvem, sistema operacional, infraestrutura ou tecnologia.

São objetivos diferentes.

Preciso fazer muitas certificações durante a faculdade?

Não é necessário transformar a graduação em uma corrida para acumular certificados.

Primeiro, observe a área que começa a despertar seu interesse.

Se você gosta de infraestrutura e computação em nuvem, determinada certificação pode fazer sentido.

Se pretende trabalhar com desenvolvimento, outras formações podem ser mais relacionadas ao seu objetivo.

Quem se interessa por segurança encontrará outro conjunto de possibilidades.

A certificação fica mais útil quando existe alguma relação com aquilo que você pretende estudar ou praticar.

Na Fundação Santo André, o material fornecido pelo Prof. Flavio destaca iniciativas como Huawei ICT Academy e Red Hat Academy, além de atividades realizadas a partir de parcerias com empresas como IBM e Cisco, como possibilidades de complementação da formação tecnológica dos estudantes.

Hard skills ou soft skills: quais pesam mais?

Os dois grupos cumprem funções diferentes.

As chamadas hard skills correspondem aos conhecimentos técnicos utilizados para realizar determinadas atividades. Em tecnologia, podem envolver programação, banco de dados, redes, análise de dados, nuvem, segurança ou ferramentas específicas.

As soft skills, ou competências comportamentais, aparecem na maneira como você trabalha com outras pessoas e lida com situações profissionais.

O Prof. Flavio explica essa relação da seguinte forma:

“Não se trata de escolher entre hard skills e soft skills. O profissional que o mercado procura precisa das duas. A competência técnica permite construir a solução; as competências comportamentais ajudam a compreender o problema, trabalhar com as pessoas e fazer essa solução gerar valor.”

Para quem ainda está na faculdade, atividades em grupo, projetos, apresentações, iniciação científica e estágio também são situações em que essas competências começam a ser desenvolvidas.

E a Inteligência Artificial? Ela muda o que as empresas procuram?

A Inteligência Artificial já está modificando a maneira como várias atividades de tecnologia são realizadas.

Ferramentas podem auxiliar na escrita de código, organização de informações, testes, análise de dados, documentação e diversas outras tarefas.

Isso não elimina a necessidade de compreender aquilo que a ferramenta produz.

Segundo o Prof. Flavio:

“Saber utilizar a tecnologia é importante, mas saber avaliar suas respostas, identificar suas limitações, contextualizar os resultados e tomar decisões a partir deles também é fundamental.”

Para ele, a expansão da IA aumenta a importância de competências como pensamento crítico, formulação de problemas, comunicação, colaboração e julgamento profissional.

Essa discussão também aparece em outras profissões. No artigo Como a tecnologia está mudando o trabalho nas empresas?, mostramos como IA, dados, automação e sistemas digitais estão reorganizando atividades em diferentes áreas. Leia o artigo sobre tecnologia e mercado de trabalho

Usar IA para programar significa que não preciso aprender programação?

Não é uma boa conclusão.

Uma ferramenta pode gerar uma solução aparentemente funcional e ainda produzir erros, problemas de segurança, decisões inadequadas ou códigos que você não consegue manter posteriormente.

Quanto melhor você compreende os fundamentos, mais condições possui para analisar aquilo que foi produzido.

É semelhante ao uso de uma calculadora.

Ter uma ferramenta capaz de realizar rapidamente uma operação não elimina a necessidade de compreender qual cálculo precisa ser feito e se o resultado recebido é coerente.

Com a IA, essa capacidade de avaliar ganha ainda mais espaço.

O que a graduação acrescenta além das aulas?

Esse é outro ponto que pode passar despercebido quando alguém compara apenas “conteúdo da faculdade” com “conteúdo disponível gratuitamente na internet”.

Vídeos, cursos livres e documentação técnica são recursos importantes e podem fazer parte do aprendizado ao longo de toda a carreira.

A experiência universitária, porém, também pode reunir situações como:

  • projetos desenvolvidos em equipe;
  • laboratórios;
  • contato com professores e colegas;
  • iniciação científica;
  • extensão;
  • hackathons e desafios;
  • estágio;
  • apresentações acadêmicas;
  • contato com empresas e profissionais;
  • desenvolvimento de trabalhos com acompanhamento docente.

Essas atividades criam oportunidades para aplicar conhecimentos e lidar com problemas que não aparecem necessariamente quando alguém estuda uma ferramenta de forma isolada.

A Fundação Santo André também mantém o HUBFSA, voltado ao desenvolvimento de aplicativos, soluções digitais, empreendedorismo tecnológico e projetos estudantis relacionados a desafios do mercado.

Faculdade, curso livre ou certificação: preciso escolher apenas um?

Não.

Eles podem cumprir papéis diferentes.

A graduação pode construir uma base ampla de formação. Um curso livre pode ajudar você a aprender uma ferramenta ou explorar rapidamente um assunto. Uma certificação pode aprofundar conhecimentos em determinada tecnologia. Um projeto permite colocar parte disso em prática.

Ao longo da carreira, essas formas de aprendizagem acabam aparecendo em momentos diferentes.

É uma característica particularmente presente em tecnologia: concluir a faculdade não significa encerrar os estudos.

Novas ferramentas continuarão surgindo depois da formatura.

O desafio é construir uma base que permita aprender as próximas.

Estou no Ensino Médio. Como saber se uma graduação em tecnologia combina comigo?

Você não precisa chegar ao vestibular sabendo exatamente qual linguagem pretende usar ou qual cargo quer ocupar daqui a dez anos.

Comece entendendo o que desperta sua curiosidade dentro da tecnologia.

Você gosta de descobrir como aplicativos funcionam?

Tem interesse por programação?

Gosta de trabalhar com dados?

Já se perguntou como empresas protegem sistemas e informações?

Tem curiosidade por Inteligência Artificial?

Prefere entender como diferentes sistemas de uma empresa se conectam?

Essas perguntas ajudam a perceber que “trabalhar com tecnologia” pode significar coisas bastante diferentes.

No artigo Qual curso escolher se você gosta de tecnologia?, mostramos algumas dessas possibilidades e como compará-las. Conheça diferentes cursos para quem gosta de tecnologia

Também é interessante abrir as matrizes curriculares e observar o que realmente será estudado, em vez de escolher apenas pelo nome do curso.

O diploma é uma parte da formação, não o ponto final

A discussão sobre diploma na área de tecnologia fica limitada quando tenta colocar formação acadêmica e prática em lados opostos.

O próprio material que deu origem a este artigo aponta para outra direção.

Graduação oferece fundamentos. Certificações podem aprofundar conhecimentos específicos. Projetos e experiências mostram como você aplica aquilo que aprendeu. Competências de comunicação e colaboração interferem na forma como esse conhecimento entra no trabalho.

Como resume o Prof. Flavio:

“O diploma universitário continua abrindo portas, é claro, mas é o conjunto da formação que faz a diferença: uma formação acadêmica sólida fornece fundamentos; as certificações permitem aprofundar conhecimentos específicos; os projetos e experiências práticas mostram a capacidade de aplicar esses conhecimentos; e as competências comportamentais permitem transformar tudo isso em colaboração, tomada de decisão e resultados.”

Para quem está começando agora, talvez seja mais interessante pensar no que você pode construir durante a graduação, e não apenas no documento que receberá ao final dela.

Se tecnologia está entre as áreas que você considera para o futuro, conheça os cursos de graduação da Fundação Santo André, abra as matrizes curriculares e compare as diferentes possibilidades de formação antes de escolher. Conheça os cursos de graduação da FSA

Deixe um comentário