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Brigadeiro faz mal à saúde? Entenda como consumir

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Brigadeiro faz mal à saúde? Entenda como o doce pode entrar na alimentação

Brigadeiro em aniversário, festa de família, casamento, confraternização ou simplesmente como sobremesa depois do almoço.

Poucos doces estão tão presentes nas comemorações brasileiras.

Por ser preparado principalmente com ingredientes como leite condensado, chocolate ou cacau e manteiga, também é comum que apareça uma dúvida: brigadeiro faz mal à saúde?

A resposta não cabe bem em um simples “sim” ou “não”.

Para a Profa. Dra. Mariana Cristina Cabral Silva, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Fundação Santo André, é preciso observar principalmente a quantidade, a frequência e o restante da alimentação.

O brigadeiro não precisa ser encarado como um inimigo da saúde. O problema não está em consumir um doce ocasionalmente, mas no excesso e na frequência.

Isso significa que comer um brigadeiro em uma festa é bem diferente de manter um consumo frequente de doces e outros alimentos ricos em açúcar ao longo do dia.

Resposta rápida: brigadeiro faz mal à saúde?

O brigadeiro pode fazer parte da alimentação sem precisar ser tratado como um alimento proibido.

O cuidado está principalmente na frequência e na quantidade consumida, já que a receita tradicional concentra açúcar, gorduras e calorias.

A Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir o consumo de açúcares livres, principalmente porque quantidades elevadas contribuem para o aumento da ingestão energética e estão relacionadas ao ganho de peso não saudável e às cáries. A recomendação geral é manter esses açúcares abaixo de 10% da ingestão energética diária.

Isso, porém, não transforma um brigadeiro isolado no responsável pela saúde de uma pessoa.

Como resume a professora Mariana:

Nenhum alimento, isoladamente, determina a saúde de uma pessoa. O que faz diferença é o conjunto dos hábitos alimentares e do estilo de vida.

O que tem em um brigadeiro?

A receita tradicional costuma reunir:

  • leite condensado;
  • chocolate em pó, achocolatado ou cacau;
  • manteiga;
  • granulado ou outra cobertura.

A composição muda bastante dependendo da receita.

Um brigadeiro preparado com achocolatado pode ter uma quantidade diferente de açúcar daquele feito com cacau em pó. O tipo de leite condensado, a cobertura, o tamanho da porção e outros ingredientes adicionados também alteram o resultado.

Por isso, falar simplesmente em “um brigadeiro” não permite determinar exatamente a quantidade de açúcar, gordura ou calorias consumida.

O que podemos dizer de maneira geral é que se trata de um doce, e não de um alimento que precisa ocupar uma grande parcela da alimentação cotidiana.

Então o problema é o açúcar?

Ele é um dos pontos a observar, mas não é necessário reduzir toda a discussão a um único ingrediente.

A Organização Mundial da Saúde recomenda limitar o consumo de açúcares livres ao longo da vida. A orientação está relacionada principalmente à prevenção do ganho de peso não saudável e da cárie dentária.

Ao mesmo tempo, uma alimentação é composta pelo que acontece ao longo do dia e ao longo do tempo.

Se frutas, verduras, legumes, feijão, cereais, água e outros alimentos básicos quase não aparecem, trocar apenas um doce por uma versão diferente não reorganiza toda a alimentação.

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomenda que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados e suas preparações culinárias.

É dentro desse contexto que um doce eventual precisa ser entendido.

Preciso parar de comer brigadeiro para ter uma alimentação saudável?

Não existe uma orientação geral dizendo que toda pessoa saudável precisa eliminar completamente o brigadeiro da alimentação.

A própria professora Mariana chama atenção para essa relação menos rígida com a comida:

Alimentação também envolve prazer, convivência e aspectos emocionais, desde que haja equilíbrio.

Isso ajuda a diferenciar duas situações.

Comer alguns doces em uma comemoração faz parte de uma ocasião específica.

Já depender diariamente de doces e produtos muito açucarados para compor grande parte da alimentação cria outro padrão de consumo.

Em vez de transformar cada alimento em “permitido” ou “proibido”, é mais útil observar frequência, quantidade e contexto.

Quantos brigadeiros posso comer?

Não existe um número que funcione para todas as pessoas.

O tamanho de um brigadeiro varia. As receitas também mudam, assim como a idade, a rotina, as necessidades energéticas e as condições de saúde de quem vai consumir.

Por isso, eu não colocaria neste artigo aquela orientação do tipo “você pode comer X brigadeiros por dia”.

Ela parece prática, mas cria uma regra que não considera essas diferenças.

Uma orientação mais simples é evitar que o consumo de doces se torne excessivo ou muito frequente e observar como ele aparece dentro do restante da alimentação.

Brigadeiro com cacau é mais saudável?

Trocar o achocolatado pelo cacau em pó modifica a receita e pode reduzir a quantidade de açúcar proveniente desse ingrediente, dependendo dos produtos utilizados.

Mas isso não transforma automaticamente o brigadeiro em um alimento que pode ser consumido sem atenção à quantidade.

Leite condensado e outros ingredientes continuam fazendo parte da preparação.

O cacau possui compostos bioativos estudados por seus possíveis efeitos no organismo, mas isso também não significa que qualquer sobremesa preparada com cacau passe a produzir os mesmos resultados observados em pesquisas com esses compostos.

Falamos sobre essa diferença com mais detalhes no artigo Chocolate faz bem ou mal à saúde? Entenda o que muda entre os diferentes tipos.

E aquelas receitas chamadas de “brigadeiro saudável”?

É melhor olhar os ingredientes do que confiar apenas no nome.

Existem receitas feitas com:

  • cacau em pó;
  • leite condensado com redução de açúcar;
  • aveia;
  • biomassa de banana-verde;
  • versões de produtos sem adição de açúcar;
  • diferentes tipos de chocolate.

Essas mudanças podem alterar a composição nutricional da receita.

Mas expressões como “fit”, “saudável” ou “zero” não contam sozinhas tudo sobre o alimento.

Um produto sem adição de açúcar pode ter outros ingredientes que também precisam ser considerados. Uma receita feita com aveia continua podendo levar açúcar. E uma preparação com cacau continua sendo um doce.

A professora Mariana reforça esse cuidado no material preparado para o artigo:

Essas adaptações podem tornar o doce mais interessante do ponto de vista nutricional, mas continuam exigindo consumo consciente.

Chocolate com mais cacau muda o brigadeiro?

Muda principalmente sabor e composição.

Quanto maior a participação do cacau ou do chocolate com maior percentual de cacau, menor pode ser a presença proporcional de outros ingredientes açucarados, dependendo da receita utilizada.

Mas não existe uma regra em que mais cacau automaticamente transforma a sobremesa em saudável.

O melhor caminho é olhar o conjunto da receita.

Essa lógica é a mesma que explicamos ao comparar chocolate amargo, ao leite e branco: porcentagem de cacau é uma informação útil, mas não conta sozinha tudo sobre o produto.

Brigadeiro sem açúcar pode ser consumido à vontade?

Também não.

“Sem açúcar” ou “sem adição de açúcar” são características específicas de uma formulação, não uma autorização para consumo ilimitado.

O produto continua tendo uma composição própria e pode conter gorduras, carboidratos e outros ingredientes.

Isso é particularmente importante para pessoas que fazem mudanças na alimentação por causa de alguma condição de saúde.

Quem tem diabetes pode comer brigadeiro?

Aqui a resposta precisa ser individualizada.

Pessoas com diabetes precisam observar fatores como quantidade de carboidratos, composição da alimentação, medicamentos ou insulina utilizados e orientações da equipe de saúde.

Por isso, não seria adequado estabelecer neste artigo uma quantidade de brigadeiro que seria segura para todas as pessoas com diabetes.

Também não é correto concluir que uma versão chamada de “diet” ou “sem açúcar” pode ser consumida livremente.

Para quem deseja entender melhor a doença, o artigo Diabetes tipo 1 em adolescentes: quais sinais merecem atenção? explica sintomas, diagnóstico e tratamento.

Comer brigadeiro causa diabetes?

Não funciona dessa maneira.

O diabetes não surge porque uma pessoa comeu brigadeiro ou outro doce em uma ocasião específica.

Existem diferentes tipos de diabetes, com mecanismos e fatores de risco distintos.

No diabetes tipo 1, por exemplo, ocorre um processo autoimune que leva à destruição das células produtoras de insulina. Portanto, comer açúcar não causa diabetes tipo 1.

Já o diabetes tipo 2 envolve uma combinação mais complexa de fatores relacionados a genética, metabolismo, composição corporal, alimentação, atividade física e outros aspectos.

Por isso, dizer simplesmente que “comer doce causa diabetes” mistura condições diferentes e simplifica demais o assunto.

E a relação do brigadeiro com as cáries?

Aqui existe uma relação mais direta com o consumo frequente de açúcares.

A Organização Mundial da Saúde considera a prevenção da cárie dentária uma das principais razões para recomendar a redução dos açúcares livres.

Isso não significa que alguém terá cárie porque comeu um brigadeiro.

Frequência de exposição ao açúcar, higiene bucal, uso de flúor e outros fatores também participam desse processo.

Mas é outro motivo para não transformar doces açucarados em alimentos consumidos repetidamente ao longo do dia.

Por que brigadeiro lembra tanto festa, infância e família?

Alimentação também tem uma dimensão social e cultural.

Você provavelmente não se lembra apenas do gosto de determinados alimentos.

Pode lembrar da festa em que eles apareciam, de quem preparava a receita, de uma comemoração ou de alguma tradição da família.

Com o brigadeiro isso é particularmente comum porque ele aparece há décadas em aniversários e outras celebrações brasileiras.

A Profa. Mariana chama atenção justamente para essa relação:

O brigadeiro faz parte da cultura brasileira e de muitos momentos felizes da infância e da vida em família.

Reconhecer esse componente não significa ignorar a composição nutricional do alimento.

Significa apenas entender que comer não é uma atividade determinada exclusivamente por nutrientes.

Como aproveitar o brigadeiro sem transformar o doce em uma preocupação?

Algumas escolhas são bastante simples.

Você pode consumir uma porção que satisfaça sua vontade, sem partir da ideia de que precisa aproveitar para comer o máximo possível porque depois o alimento estará “proibido”.

Também não é necessário compensar um brigadeiro pulando uma refeição ou adotando restrições extremas no dia seguinte.

Ao longo da rotina, priorize refeições variadas e alimentos in natura ou minimamente processados, como recomenda o Guia Alimentar brasileiro.

E, quando houver uma condição de saúde que exija cuidados específicos, as orientações precisam ser individualizadas com profissionais habilitados.

Um doce não resume sua alimentação

Perguntar se brigadeiro faz bem ou mal parece exigir uma classificação simples.

Só que a alimentação dificilmente funciona dessa forma.

O brigadeiro tradicional contém ingredientes ricos em açúcar e gordura e, por isso, não precisa ser consumido em grandes quantidades ou com frequência elevada.

Isso é diferente de dizer que uma pessoa saudável precisa excluir completamente o doce.

Como explica a Profa. Mariana:

“O brigadeiro pode, sim, fazer parte de momentos especiais. O importante é lembrar que saúde não depende de um único alimento, mas das escolhas que fazemos todos os dias.”

Para quem gosta de entender como alimentação, metabolismo e outras substâncias interagem com o organismo, esses assuntos também aparecem em diferentes campos da Biomedicina.

Você pode conhecer o curso de Biomedicina e as demais graduações da Fundação Santo André e comparar as áreas de formação que mais se aproximam dos seus interesses.

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