Rastreamento do câncer do colo do útero: como funciona e o que mudou?
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Você provavelmente já ouviu falar do exame de Papanicolau, utilizado há décadas na prevenção do câncer do colo do útero. Mas sabia que o Brasil começou a adotar uma nova estratégia de rastreamento, baseada na identificação do HPV?
Em 2025, o Ministério da Saúde aprovou novas diretrizes que estabelecem o teste molecular de DNA-HPV como método principal de rastreamento do câncer do colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS).
A mudança busca identificar com maior precisão a presença de tipos do vírus associados ao desenvolvimento da doença, permitindo organizar melhor o acompanhamento das pessoas que precisam de investigação.
Mas isso significa que o Papanicolau não será mais realizado? Quem deve fazer o novo exame? E qual é a importância da vacinação contra o HPV?
Entenda o que mudou e como essas medidas contribuem para a prevenção.
Resposta rápida: o que mudou no rastreamento do câncer do colo do útero?
A principal mudança é que o teste molecular de DNA-HPV passou a ser recomendado como exame inicial de rastreamento no Brasil, substituindo gradualmente o Papanicolau nessa função.
O novo teste identifica a presença de tipos do papilomavírus humano (HPV) associados a maior risco de desenvolvimento de câncer.
Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, a estratégia é direcionada, em geral, às pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual.
Quando o resultado do DNA-HPV é negativo, o intervalo recomendado até o próximo exame pode ser de cinco anos para pessoas de risco habitual, conforme os critérios estabelecidos.
Já nos locais onde o novo teste ainda não está disponível, o Papanicolau continua sendo utilizado.
Neste artigo, você vai encontrar:
1. O que é o rastreamento do câncer do colo do útero?
2. Como funciona o novo exame de DNA-HPV?
3. Qual é a diferença entre DNA-HPV e Papanicolau?
4. Quem deve fazer o exame de rastreamento?
5. De quanto em quanto tempo fazer o exame?
6. A vacina contra o HPV também ajuda na prevenção?
O que é o câncer do colo do útero?
O câncer do colo do útero é uma doença que se desenvolve nas células da parte inferior do útero, região que faz a ligação com a vagina.
Sua principal causa é a infecção persistente por determinados tipos do papilomavírus humano, conhecido como HPV.
O HPV é um vírus bastante comum, transmitido principalmente pelo contato sexual. Existem diferentes tipos, alguns relacionados ao aparecimento de verrugas e outros associados ao desenvolvimento de câncer.
Na maioria das pessoas, a infecção desaparece espontaneamente, sem provocar problemas de saúde.
Entretanto, quando a infecção por tipos de HPV de alto risco persiste, pode provocar alterações nas células do colo do útero. Essas alterações podem evoluir lentamente para lesões precursoras e, em alguns casos, para o câncer.
Por isso, o rastreamento procura identificar riscos e alterações antes que a doença se desenvolva.
O que é o rastreamento do câncer do colo do útero?
O rastreamento é uma estratégia de saúde pública utilizada para investigar sinais de determinadas doenças ou condições precursoras em pessoas que ainda não apresentam sintomas.
No caso do câncer do colo do útero, seu objetivo é identificar infecções por HPV de alto risco ou alterações celulares que precisam de acompanhamento.
Essa é uma diferença importante: o rastreamento não é a mesma coisa que o diagnóstico de câncer.
Um resultado alterado pode indicar a necessidade de novos exames, mas não significa necessariamente que a pessoa tenha a doença.
Da mesma forma, se alguém apresenta sintomas, como sangramento vaginal fora do habitual, sangramento após relações sexuais ou dor pélvica persistente, deve procurar avaliação médica, independentemente da idade ou da data do último exame preventivo.
Como funciona o novo exame de DNA-HPV?
O teste molecular de DNA-HPV identifica material genético de tipos do vírus considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero.
Em geral, a coleta envolve a obtenção de uma amostra de células da região do colo uterino, utilizando instrumentos próprios durante um atendimento de saúde.
Essa amostra é encaminhada para análise laboratorial.
O exame procura identificar se existem tipos de HPV associados ao desenvolvimento de lesões precursoras do câncer.
Uma das vantagens do teste é sua maior sensibilidade em comparação com a citologia convencional para a identificação de pessoas com risco de apresentar essas alterações.
Como um resultado negativo oferece maior segurança em relação à ausência de infecção pelos tipos investigados, o intervalo entre exames pode ser ampliado para cinco anos, conforme as recomendações.
É importante lembrar que o exame não substitui a avaliação clínica quando existem sintomas ou outras condições que exigem investigação.
Qual é a diferença entre o DNA-HPV e o Papanicolau?
Os dois exames participam da prevenção do câncer do colo do útero, mas investigam aspectos diferentes.
O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico, analisa células coletadas do colo do útero para identificar alterações que podem estar relacionadas a lesões precursoras.
Já o teste molecular de DNA-HPV procura identificar a presença dos tipos do vírus associados ao desenvolvimento dessas lesões.
| Característica | Papanicolau | Teste de DNA-HPV |
|---|---|---|
| O que investiga? | Alterações nas células do colo do útero | Presença de HPV de alto risco |
| Principal finalidade | Identificar alterações celulares | Identificar infecções associadas ao risco de lesões |
| Intervalo habitual após resultados negativos | Três anos, após dois exames anuais normais | Cinco anos, para pessoas de risco habitual |
| Situação no SUS | Continua disponível onde o teste molecular não foi implantado | Método principal do novo modelo de rastreamento |
O Papanicolau também pode continuar sendo utilizado em etapas complementares de investigação, conforme os resultados e os protocolos adotados.
Portanto, a mudança não significa que o exame citopatológico perdeu sua importância, mas que a estratégia de rastreamento está sendo atualizada com a incorporação de uma tecnologia mais sensível.
Quem deve fazer o exame de rastreamento?
As diretrizes brasileiras recomendam o rastreamento, em geral, para mulheres e outras pessoas com colo do útero, de 25 a 64 anos, que já tiveram atividade sexual.
Isso inclui homens trans e pessoas não binárias que possuem colo do útero.
A recomendação considera a faixa etária em que a identificação e o tratamento de lesões precursoras apresentam benefícios importantes.
Antes dos 25 anos, infecções por HPV são frequentes e costumam desaparecer espontaneamente. O rastreamento indiscriminado nessa idade pode levar a investigações e tratamentos desnecessários.
Já após os 64 anos, a continuidade dos exames depende de fatores como o histórico de rastreamento e os resultados anteriores.
Existem também situações que exigem acompanhamento individualizado, como pessoas vivendo com HIV, com imunossupressão ou com histórico de lesões importantes no colo do útero.
Por isso, a decisão sobre o exame e sua periodicidade deve seguir as recomendações profissionais aplicáveis a cada situação.
De quanto em quanto tempo o exame deve ser realizado?
A periodicidade depende do tipo de teste utilizado e dos resultados anteriores.
No novo modelo com DNA-HPV, um resultado negativo permite, em geral, repetir o rastreamento após cinco anos para pessoas de risco habitual.
No modelo com Papanicolau, a orientação tradicional é realizar dois exames iniciais com intervalo de um ano. Se ambos forem normais, a periodicidade passa a ser de três anos.
Isso não significa que o acompanhamento geral da saúde deva acontecer apenas nesses intervalos.
Consultas e avaliações podem ser necessárias por outros motivos, incluindo sintomas, orientações contraceptivas e questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva.
O que acontece quando o teste de HPV é positivo?
Receber um resultado positivo para HPV pode gerar preocupação, mas é importante compreender que ter HPV não significa ter câncer.
A infecção é comum e, em muitos casos, desaparece espontaneamente.
O encaminhamento depende do tipo de HPV identificado, do resultado dos exames complementares e das características individuais da pessoa.
Em determinadas situações, pode ser necessária uma colposcopia, exame que permite observar o colo do útero com maior detalhamento.
Em outras, o profissional poderá indicar testes complementares ou acompanhamento em intervalos específicos.
O mais importante é seguir as orientações da equipe de saúde e realizar os exames recomendados, sem interpretar isoladamente o resultado.
A vacina contra o HPV também ajuda a prevenir o câncer?
Sim. A vacinação contra o HPV é uma das principais estratégias para reduzir o risco de doenças associadas ao vírus, incluindo o câncer do colo do útero.
No Brasil, o SUS oferece a vacina de rotina para meninas e meninos de 9 a 14 anos, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
Em 2026, o Ministério da Saúde também prorrogou até 31 de dezembro a estratégia de resgate vacinal para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina ou não possuem registro de imunização.
A vacina também está disponível para determinados grupos com condições específicas, seguindo critérios próprios.
Quem já tomou a vacina precisa fazer o preventivo?
Sim. A vacinação reduz o risco de infecção pelos tipos de HPV contemplados pela vacina, mas não elimina completamente a possibilidade de desenvolver alterações no colo do útero.
Por isso, quem foi vacinado também deve seguir as recomendações de rastreamento quando atingir a idade indicada.
O uso de preservativos contribui para reduzir a transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, embora não ofereça proteção completa contra o vírus.
Onde fazer o exame de prevenção do câncer do colo do útero?
O rastreamento do câncer do colo do útero é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são uma das principais portas de entrada para receber orientações, verificar a indicação do exame e conhecer os serviços disponíveis.
Como a implementação do teste de DNA-HPV ocorre gradualmente, a disponibilidade pode variar entre municípios e unidades de saúde.
Se o novo exame ainda não estiver disponível na sua região, o Papanicolau continua sendo uma alternativa prevista nas recomendações nacionais.
O importante é não interromper o acompanhamento indicado enquanto ocorre a atualização dos serviços.
Biomedicina e as novas tecnologias de diagnóstico
A introdução do teste molecular de DNA-HPV também mostra como os avanços científicos podem modificar as estratégias de prevenção e diagnóstico de doenças.
A Biomedicina é uma das áreas envolvidas no desenvolvimento e na aplicação de conhecimentos relacionados à biologia molecular, às análises clínicas, à microbiologia e à investigação laboratorial, respeitadas as habilitações profissionais.
Esses conhecimentos contribuem para o funcionamento de exames que identificam agentes infecciosos, alterações biológicas e outros indicadores relacionados à saúde.
Na Fundação Santo André, o tema das novas diretrizes de rastreamento do câncer do colo do útero integra a programação da III Semana de Biomedicina, realizada nos dias 3 e 4 de novembro de 2026.
A palestra sobre o assunto, apresentada pela Ma. Thais dos Santos Cavicchio da Silva, é uma das atividades voltadas à discussão de conhecimentos e práticas atuais da área.
A programação também inclui temas como microbiologia, pesquisa clínica e Biomedicina Estética.
Você pode conferir os horários e as atividades na página oficial da Semana de Biomedicina FSA 2026.
A importância da informação na prevenção
As mudanças no rastreamento do câncer do colo do útero representam uma atualização das estratégias utilizadas para identificar infecções e lesões que podem anteceder o desenvolvimento da doença.
Para a população, compreender a diferença entre os exames, conhecer a indicação do rastreamento e manter a vacinação em dia são formas de participar das decisões relacionadas ao próprio cuidado.
Para os profissionais da saúde, acompanhar essas diretrizes faz parte de uma atuação baseada em conhecimentos científicos atualizados.
Se você tem interesse em estudar os processos biológicos relacionados às doenças e conhecer as tecnologias utilizadas em análises laboratoriais, pode explorar o curso de Biomedicina da Fundação Santo André.
A FSA oferece diferentes modalidades de ingresso na graduação, incluindo o aproveitamento da nota do Enem, inclusive de edições realizadas há até dez anos, conforme as regras do processo seletivo vigente.