Mulheres na ciência: Semana de Ciências Biológicas da FSA coloca pesquisadoras e carreiras científicas em destaque
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Quando uma estudante pensa em seguir carreira científica, conhecer mulheres que pesquisam, trabalham em laboratórios, desenvolvem projetos de campo, ensinam, coordenam equipes e ocupam diferentes espaços profissionais pode ajudar a tornar essa possibilidade muito mais concreta.
Esse será um dos pontos centrais da Semana de Ciências Biológicas da Fundação Santo André de 2026, que vai de 8 a 11 de setembro, que neste ano coloca em evidência a presença e a atuação das mulheres nas ciências.
A escolha do tema encontra uma discussão que continua bastante atual. Dados divulgados pelo Instituto de Estatística da UNESCO em 2026 mostram que as mulheres representavam 31,4% dos pesquisadores no mundo em 2023. Na América Latina e no Caribe, a participação é maior e está próxima de 45%, mas a igualdade de participação e, principalmente, de acesso aos postos de liderança científica ainda é um desafio.
A Semana de Ciências Biológicas permite aproximar essa discussão de quem está começando a construir sua própria relação com a ciência.
Por que falar sobre mulheres na ciência?
Porque meninas e mulheres estudam, pesquisam e produzem conhecimento científico, mas sua participação ainda não acontece nas mesmas condições em todas as áreas e níveis da carreira.
A UNESCO aponta que aproximadamente uma em cada três pessoas que trabalham como pesquisadoras no mundo é mulher e que a presença feminina tende a diminuir nos níveis mais altos das estruturas científicas.
Os números ajudam a dimensionar a questão, mas existe também um aspecto bastante próximo de quem está escolhendo uma graduação.
Uma estudante do Ensino Médio pode gostar de Biologia, genética, animais, ecologia ou laboratório e, ainda assim, não conhecer pessoalmente nenhuma pesquisadora.
Eventos acadêmicos podem diminuir essa distância.
Quando estudantes encontram mulheres falando sobre suas pesquisas, suas especialidades, dificuldades profissionais e caminhos de formação, a carreira científica deixa de aparecer apenas nos livros e passa a ser representada por pessoas que estão trabalhando nela.
A presença feminina na ciência não começou agora
Mulheres participam da construção do conhecimento científico há séculos, embora nem sempre tenham recebido o mesmo reconhecimento, acesso a instituições ou condições de desenvolver suas carreiras.
A própria existência de iniciativas internacionais dedicadas à igualdade de gênero na ciência mostra que o problema atual não é simplesmente convencer mulheres de que elas podem gostar de ciência. É criar condições para que possam entrar, permanecer e avançar nas carreiras científicas.
Desde 2015, a Organização das Nações Unidas reconhece 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, justamente para dar visibilidade às contribuições femininas e estimular maior participação nas áreas científicas e tecnológicas.
Isso também ajuda a ampliar a conversa: representatividade não significa apenas lembrar de algumas cientistas famosas, mas observar quem participa dos laboratórios, das universidades, das pesquisas e das decisões sobre os rumos da ciência atualmente.
Ciências Biológicas têm muitas possibilidades de carreira
Quando alguém fala em ser bióloga ou biólogo, é fácil imaginar uma pessoa trabalhando diretamente com animais ou meio ambiente.
Essas são possibilidades reais, mas o campo é bastante mais amplo.
Na graduação em Ciências Biológicas, o estudante entra em contato com áreas como zoologia, bioquímica, botânica, ecologia, evolução e diferentes processos biológicos. A atuação profissional pode se estender a pesquisa científica, conservação ambiental, biotecnologia, laboratórios, educação e divulgação científica, entre outros caminhos.
É justamente essa diversidade que uma semana acadêmica consegue apresentar de maneira diferente daquela encontrada na grade curricular.
Ao ouvir pesquisadoras e profissionais com experiências distintas, o estudante consegue começar a visualizar como os conhecimentos aprendidos durante o curso aparecem fora da sala de aula.
Ver outras mulheres trabalhando com ciência também ajuda na escolha profissional
Escolher uma graduação aos 17 ou 18 anos envolve tomar decisões sobre profissões que, muitas vezes, o estudante conhece apenas superficialmente.
É comum conhecer a disciplina de Biologia da escola e não saber como é o cotidiano de uma pesquisadora, como funciona uma saída de campo, quais atividades existem em um laboratório ou como alguém constrói uma carreira relacionada à conservação ambiental.
Por isso, referências profissionais fazem diferença.
Elas não precisam funcionar como modelos que todos devem seguir, mas ajudam a ampliar o repertório sobre aquilo que é possível fazer depois da graduação.
No próprio blog da Fundação Santo André, a história da bióloga e egressa Luísa Ameduri mostra um desses caminhos. A partir de experiências com arborização durante a graduação, ela direcionou sua atuação profissional para arborização urbana, planejamento de plantio, inventários e projetos ambientais.
Esse é apenas um exemplo entre várias possibilidades existentes dentro das Ciências Biológicas.
Ciência também se aprende fazendo pesquisa
Uma graduação científica não acontece exclusivamente nas aulas.
Projetos de iniciação científica, extensão, atividades em laboratório, trabalhos de campo, apresentações acadêmicas e semanas de curso permitem que o estudante entre em contato com etapas diferentes da produção de conhecimento.
Na FSA, estudantes de Ciências Biológicas têm acesso a oportunidades de iniciação científica e extensão, além de atividades práticas relacionadas à formação.
Em projetos de extensão recentes do curso, por exemplo, estudantes trabalharam com temas que incluíram paleoarte aplicada à educação ambiental, imunologia, saúde pública e investigação da presença de microrganismos em cosméticos.
Essas experiências também ajudam a mostrar que a ciência não está restrita à figura de alguém isolado em um laboratório.
Há pesquisa em escolas, comunidades, ambientes naturais, universidades, empresas, serviços de saúde e muitos outros espaços.
Para que serve uma Semana de Ciências Biológicas?
Uma semana acadêmica cria um período concentrado para discutir assuntos que complementam as disciplinas regulares.
A experiência das edições anteriores da FSA mostra justamente essa diversidade. A Semana de 2024 reuniu palestras, oficinas, apresentações de trabalhos e mesas-redondas. Já em 2025, a programação abordou vida, saúde, ambiente e desinformação, além de reservar espaço para trabalhos acadêmicos e atividades práticas.
Em 2026, colocar as mulheres nas ciências no centro das discussões permite acrescentar outra dimensão: observar quem produz o conhecimento científico, quais caminhos levaram essas profissionais até suas áreas e quais desafios ainda aparecem ao longo dessas carreiras.
Para quem já estuda Ciências Biológicas, é uma oportunidade de conhecer diferentes possibilidades profissionais.
Para quem ainda está no Ensino Médio, a programação também pode ajudar a compreender melhor como funciona uma formação científica e quais caminhos podem aparecer depois da graduação.
A representatividade também pode começar na universidade
Os dados globais mostram que a participação feminina na pesquisa cresceu, mas em ritmo lento. Em 2013, as mulheres correspondiam a 29,5% dos pesquisadores no mundo; dez anos depois, em 2023, chegaram a 31,4%.
A América Latina e o Caribe apresentam uma proporção feminina superior à média mundial, próxima de 45%, o que mostra que a participação varia bastante de acordo com o contexto e a região.
Ainda assim, quantidade não resolve sozinha todas as questões relacionadas à igualdade.
Também entram nessa discussão as oportunidades de desenvolvimento profissional, progressão na carreira, acesso a financiamento de pesquisa, participação em posições de liderança e reconhecimento da produção científica. A UNESCO aponta que as desigualdades tornam-se particularmente visíveis nos níveis mais elevados das hierarquias científicas.
É por isso que conversar sobre mulheres na ciência dentro de uma universidade não precisa ser um assunto separado da própria formação científica.
Faz parte de compreender como a ciência é produzida e quais condições permitem que diferentes pessoas participem dela.
E se eu gosto de Biologia, mas não sei se quero ser pesquisadora?
Você não precisa entrar na graduação com a carreira inteira definida.
Ciências Biológicas oferece contato com áreas diferentes e é justamente a experiência ao longo do curso que pode ajudar a perceber onde estão seus maiores interesses.
Uma disciplina pode despertar curiosidade por genética. Uma atividade de campo pode aproximar você da ecologia. Um laboratório pode abrir interesse por biotecnologia. Um projeto de extensão pode levar à educação ambiental. Uma iniciação científica pode ser o primeiro contato com a pesquisa acadêmica.
Também é possível descobrir que seu caminho profissional estará fora da pesquisa.
A graduação serve justamente para ampliar essas referências e desenvolver conhecimentos que podem ser aplicados em diferentes áreas.
Semana de Ciências Biológicas acontece de 8 a 11 de setembro na FSA
A Semana de Ciências Biológicas da Fundação Santo André acontece de 8 a 11 de setembro de 2026, com uma programação que neste ano destaca a presença e a atuação das mulheres nas ciências.
Palestras, oficinas e outras atividades estão distribuídas ao longo dos quatro dias. A programação completa pode ser consultada na página oficial da Semana de Ciências Biológicas da FSA, onde também estarão disponíveis os links de inscrição para cada atividade.
Para quem já estuda na área, a Semana amplia o contato com diferentes temas, profissionais e possibilidades de atuação. Para quem ainda está escolhendo uma graduação, acompanhar uma programação desse tipo também ajuda a conhecer melhor como a ciência aparece na rotina universitária.
E, se a Biologia já está entre as possibilidades que você considera para a graduação, você também pode conhecer o curso de Ciências Biológicas da FSA, sua matriz curricular e as áreas profissionais relacionadas à formação.