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Como ajudar seu filho a escolher uma faculdade

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Como ajudar seu filho a escolher uma faculdade sem escolher por ele

⏱️ Tempo de leitura: 7 minutos

Escolher uma graduação pode colocar a família inteira dentro da conversa.

Enquanto o estudante pensa nas matérias de que gosta, nas profissões que conhece e no tipo de trabalho que imagina para o futuro, pais e responsáveis costumam acrescentar outras preocupações: mercado de trabalho, mensalidade, deslocamento, horário das aulas, duração do curso e possibilidade de conseguir um estágio.

Esses assuntos precisam mesmo ser considerados.

O cuidado está em não transformar ajuda em decisão.

Seu filho pode precisar de apoio para pesquisar possibilidades, comparar informações e organizar o que considera importante. Isso é diferente de receber uma resposta pronta sobre qual curso ou faculdade deve escolher.

Resposta rápida: como ajudar seu filho a escolher uma faculdade?

Você pode ajudar fazendo perguntas, pesquisando cursos junto com ele, conversando sobre interesses e expectativas e trazendo questões práticas, como orçamento, deslocamento e rotina.

Ao mesmo tempo, procure deixar espaço para que ele forme a própria opinião.

A participação da família funciona melhor quando ajuda o estudante a entender melhor as opções que possui, e não quando elimina essas opções antes que ele consiga conhecê-las.

Comece ouvindo antes de apresentar suas próprias respostas

Quando um filho diz que pensa em cursar Psicologia, Engenharia, Direito, Design ou qualquer outra graduação, é comum a família já ter uma opinião.

Talvez você conheça alguém que trabalha na área. Pode ter ouvido que determinada profissão paga bem, que outra está saturada ou que certo curso é muito difícil.

Essas referências fazem parte da conversa, mas não precisam ser o ponto de partida.

Antes, tente entender o que levou seu filho a considerar aquela possibilidade.

Ele gosta das disciplinas relacionadas ao curso? Conheceu alguém que trabalha na profissão? Viu algum conteúdo sobre a área? Está interessado na rotina profissional ou apenas no nome da carreira? Já pesquisou outras possibilidades parecidas?

Ouvir essas respostas ajuda a perceber quanto ele realmente conhece sobre a escolha que está considerando.

Às vezes, existe uma decisão bastante amadurecida. Em outras situações, o estudante ainda está explorando possibilidades, e isso também é esperado.

Evite transformar a conversa em “qual profissão dá mais dinheiro?”

Remuneração é um aspecto legítimo da escolha profissional.

O problema aparece quando ela se torna o único critério.

Salários podem variar bastante dentro da mesma formação conforme área de atuação, experiência, região, tipo de empresa e especialização. Além disso, uma graduação pode levar a caminhos profissionais que o estudante ainda nem conhece.

Uma conversa mais útil pode incluir remuneração, mas também observar empregabilidade, possibilidades de atuação, rotina profissional, interesses pessoais e formação exigida.

Se seu filho disser que está interessado em uma carreira, ajude-o a descobrir o que os profissionais daquela área realmente fazem.

O blog da FSA possui conteúdos sobre diferentes profissões justamente para ajudar estudantes que ainda estão conhecendo essas possibilidades. O guia Como escolher um curso de graduação também pode servir como ponto de partida para essa pesquisa.

“Mas eu conheço meu filho. Posso dizer qual curso combina com ele?”

Você provavelmente conhece características importantes do seu filho.

Pode perceber que ele se comunica bem, gosta de números, tem facilidade com tecnologia, prefere atividades práticas ou demonstra interesse por determinados assuntos desde cedo.

Essas observações podem enriquecer a conversa.

Elas não precisam, porém, virar uma conclusão como “então você deveria fazer Administração” ou “Direito combina mais com você”.

Uma mesma característica pode aparecer em muitas profissões.

Gostar de matemática, por exemplo, pode levar a diferentes Engenharias, Economia, Ciência de Dados, Computação, Contabilidade e outras áreas.

Gostar de trabalhar com pessoas também não aponta para uma única graduação.

Em vez de tentar encaixar o estudante em uma profissão, use aquilo que você observa para ampliar a pesquisa.

Ajude seu filho a diferenciar curso de profissão

Outro ponto que costuma gerar confusão é imaginar que escolher uma graduação significa decidir exatamente o trabalho que será exercido pelo resto da vida.

Muitas formações possuem diferentes áreas de atuação.

Quem cursa Ciências Contábeis, por exemplo, não trabalha apenas com Imposto de Renda. Há possibilidades em auditoria, controladoria, perícia, custos, consultoria e outras áreas.

Segurança da Informação também reúne funções bastante diferentes, incluindo análise de riscos, resposta a incidentes, auditoria, operações de segurança e testes.

Engenharia de Produção pode levar a logística, qualidade, planejamento, processos e gestão.

Conhecer essa diversidade ajuda o estudante a comparar graduações com base em uma visão mais completa da profissão.

Pesquisar a grade curricular ajuda bastante

Depois que algumas opções começam a ganhar força, uma das melhores formas de entender o curso é olhar para sua matriz curricular.

Não apenas para conferir se determinada matéria aparece.

Observe como os conteúdos estão distribuídos ao longo dos semestres, quais disciplinas são práticas, quando começam os conteúdos específicos e se existem estágios, projetos, atividades em laboratório ou outros componentes ligados à profissão.

Duas instituições podem oferecer cursos com o mesmo nome e organizar a formação de maneiras diferentes.

No conteúdo Como analisar a grade curricular de um curso antes de se inscrever, mostramos quais informações podem ser observadas nessa comparação. Esse artigo já faz parte da trilha de conteúdos da FSA voltada à escolha do Ensino Superior.

Você pode até fazer essa leitura junto com seu filho, mas deixe que ele também diga quais disciplinas despertaram interesse e quais geraram dúvidas.

Fale sobre o mercado de trabalho sem tentar prever o futuro

Pais costumam perguntar se a profissão “terá mercado”.

É uma preocupação compreensível, principalmente quando a graduação envolve alguns anos de estudo.

Só que nenhuma família consegue prever com precisão como estará determinada profissão quando o estudante concluir o curso.

Tecnologias mudam, funções aparecem, outras são reorganizadas e novas especializações surgem.

Uma pesquisa de mercado continua sendo importante, mas pode procurar respostas mais concretas: em quais setores esse profissional trabalha, quais são as áreas de atuação, que conhecimentos estão sendo exigidos, como a tecnologia está interferindo naquele campo e quais possibilidades existem para ganhar experiência durante a graduação.

Isso oferece informações para a escolha sem depender de previsões definitivas.

Dinheiro precisa entrar na conversa

Escolher uma faculdade também envolve planejamento financeiro.

Se a família participará do pagamento da mensalidade, é importante que o estudante saiba quais são as condições disponíveis.

A mesma coisa vale para transporte, alimentação, materiais, equipamentos e outros custos que podem aparecer durante a graduação.

Falar abertamente sobre orçamento não significa determinar qual profissão o filho deve seguir.

A família pode estabelecer limites financeiros reais e, dentro deles, pesquisar alternativas: bolsas, descontos, formas de ingresso, modalidades diferentes ou instituições que estejam dentro da realidade familiar.

Essa conversa costuma ser melhor quando acontece antes da matrícula, e não depois que uma decisão já foi tomada.

A rotina do curso também precisa caber na vida do estudante

Manhã ou noite?

Presencial, semipresencial ou EAD?

Quanto tempo leva o deslocamento?

Existe intenção de trabalhar durante a graduação?

Essas decisões parecem secundárias quando toda a atenção está no nome do curso, mas podem interferir bastante na experiência universitária.

Um estudante que pretende trabalhar durante o dia, por exemplo, precisa observar se o curso desejado possui oferta noturna.

Já quem escolhe o período da manhã precisa pensar em como organizar estágios, compromissos pessoais e estudos fora da sala.

A FSA possui um conteúdo específico sobre faculdade de manhã ou à noite, que compara fatores como trabalho, estágio, deslocamento e organização dos estudos.

Aqui a participação da família pode ser especialmente útil, porque pais e responsáveis muitas vezes conseguem ajudar o estudante a pensar em detalhes práticos que ainda não estavam no radar.

Não use a sua própria carreira como régua

Talvez você tenha escolhido uma profissão aos 18 anos e permanecido nela por décadas.

Ou talvez tenha mudado completamente de área.

As duas experiências podem render boas conversas, desde que não sejam apresentadas como o caminho que seu filho também precisa seguir.

O mercado que você encontrou quando começou a trabalhar não é exatamente o mesmo que ele encontrará.

A própria experiência universitária também mudou.

Hoje existem novas graduações, profissões ligadas a tecnologia e dados, formatos diferentes de trabalho e possibilidades de carreira que não estavam disponíveis para gerações anteriores.

Contar sua experiência pode ajudar. Transformá-la em regra tende a limitar a pesquisa.

Cuidado com comparações entre irmãos, primos e amigos

“Seu primo já sabe o que quer fazer.”

“Na sua idade, sua irmã já tinha decidido.”

“Todo mundo da sua turma já escolheu.”

Essas comparações podem aumentar a pressão sem ajudar na decisão.

Algumas pessoas descobrem cedo a profissão que desejam seguir. Outras precisam pesquisar várias áreas antes de chegar a uma escolha.

O importante é perceber se existe um processo de busca acontecendo.

Um estudante que ainda não decidiu, mas está pesquisando cursos, conversando com profissionais e comparando possibilidades está avançando.

A indecisão merece mais atenção quando se transforma em paralisia completa e o jovem evita qualquer contato com o assunto.

Nesse caso, uma orientação vocacional ou uma conversa com profissionais da área pode ajudar a organizar melhor os interesses.

Visitar a faculdade pode ajudar na escolha?

Pode.

Site, redes sociais e materiais institucionais ajudam na pesquisa, mas conhecer o espaço oferece outras referências.

Durante uma visita, o estudante pode observar laboratórios, salas, biblioteca e outros ambientes, além de entender melhor onde passará parte importante dos próximos anos.

Também é uma oportunidade para perguntar sobre atividades práticas, estágio, extensão, iniciação científica e projetos disponíveis.

Se for possível, deixe que seu filho participe ativamente da visita.

Ele pode preparar as próprias perguntas e observar aquilo que considera importante, em vez de deixar toda a conversa sob responsabilidade dos pais.

Converse sobre estágio e experiências durante a graduação

Ao pesquisar uma faculdade, vale olhar também para aquilo que acontece além das disciplinas.

Estágio, projetos de extensão, iniciação científica, monitoria, semanas acadêmicas, atividades em laboratório e contato com profissionais podem ajudar o estudante a conhecer melhor a própria área.

Essas experiências também permitem que ele ajuste suas escolhas ao longo da graduação.

Alguém pode entrar em um curso pensando em determinada especialidade e descobrir outra durante um estágio ou projeto.

Isso não significa que a escolha inicial estava errada. Significa que o conhecimento sobre a profissão ficou mais amplo.

Seu filho está dividido entre dois cursos? Compare os dois de verdade

Quando restam duas ou três opções, tente evitar frases como “essa carreira é melhor” ou “essa parece mais segura”.

Uma comparação mais concreta pode observar a formação, rotina profissional, possibilidades de especialização, tipos de empresa que contratam, atividades práticas e disciplinas estudadas.

Também vale identificar o que está causando a dúvida.

Às vezes, o estudante gosta de duas áreas realmente diferentes.

Em outros casos, descobre que dois cursos que pareciam semelhantes formam profissionais para atividades distintas.

Colocar essas informações lado a lado costuma ajudar muito mais do que procurar uma resposta baseada apenas no nome da profissão.

E se eu achar que ele está fazendo a escolha errada?

Você pode discordar.

Nesse caso, tente explicar o motivo concreto da sua preocupação.

Se o problema é financeiro, converse sobre orçamento.

Se você acha que ele conhece pouco a profissão, sugira uma pesquisa mais aprofundada.

Se a preocupação é com mercado de trabalho, procurem dados e informações sobre as áreas de atuação.

Se existe uma questão relacionada à rotina, coloquem horários e deslocamentos no papel.

Isso transforma um “não faça esse curso” em uma conversa que pode ser analisada.

Talvez, depois da pesquisa, seu filho mude de opinião. Talvez mantenha a escolha com mais segurança.

Nos dois casos, houve uma decisão mais informada.

A escolha precisa continuar sendo dele

Pais e responsáveis podem oferecer experiência, fazer perguntas, apontar aspectos práticos e ajudar na pesquisa.

Mas quem frequentará as aulas, realizará os trabalhos, buscará estágio e começará a construir uma profissão será o estudante.

Isso não significa deixar um jovem de 17 ou 18 anos sozinho diante de uma decisão importante.

Significa estar perto sem ocupar o lugar dele.

Se a conversa em casa ainda está na fase de pesquisa, vocês podem começar conhecendo juntos as opções de graduação da Fundação Santo André, comparando áreas de atuação, duração, modalidade, período e matriz curricular de cada curso.

A decisão não precisa acontecer em uma única conversa. Quanto melhor o estudante conhecer as alternativas, mais elementos terá para escolher o caminho que pretende começar.

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