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Dia do Bancário: como a IA está mudando a profissão

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Dia do Bancário: como inteligência artificial e inovação estão mudando a profissão

⏱️ Tempo de leitura: 6 minutos

Quando você abre o aplicativo do banco para fazer um Pix, consultar um investimento, pagar uma conta ou conversar com um atendimento automatizado, há uma grande estrutura tecnológica funcionando por trás de uma tarefa que, há alguns anos, frequentemente exigia uma visita à agência.

Essa mudança também alterou o trabalho de quem atua no setor financeiro.

Celebrado em 28 de agosto, o Dia do Bancário é uma oportunidade para olhar para uma profissão que continua presente em bancos e agências, mas hoje também se conecta a inteligência artificial, análise de dados, cibersegurança, gestão de riscos, Open Finance, compliance e novos modelos digitais de relacionamento com clientes.

A dimensão dessa digitalização aparece nos números. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, 83% das transações bancárias realizadas pelos brasileiros já ocorrem em canais digitais e 78% são feitas pelo celular. Em 2025, foram 240,8 bilhões de transações bancárias, sendo 187,5 bilhões pelo mobile banking.

Para o Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Dantas, responsável pelo MBA em Banking – Gestão de Negócios Financeiros e Inovação Digital do Centro Universitário Fundação Santo André, essas mudanças ampliaram as competências necessárias para trabalhar no setor.

“O profissional do setor financeiro deixou de atuar apenas com operações bancárias tradicionais. Hoje ele precisa compreender tecnologia, análise de dados, gestão de riscos, experiência do cliente, compliance e inovação para atender um mercado cada vez mais digital.”

Por que o Dia do Bancário é comemorado em 28 de agosto?

A origem da data está ligada à história dos próprios trabalhadores do setor.

Em 28 de agosto de 1951, bancários iniciaram uma greve que se estendeu por 69 dias. A mobilização reivindicava melhores condições salariais e se tornou um marco na organização da categoria, dando origem à data que posteriormente passou a ser lembrada como Dia do Bancário.

De lá para cá, a rotina profissional mudou de maneira significativa.

Operações que dependiam de formulários, caixas, arquivos físicos e atendimento presencial passaram para sistemas integrados, aplicativos e canais digitais. Ao mesmo tempo, surgiram novas atividades relacionadas à segurança, dados, produtos digitais, prevenção a fraudes, relacionamento e regulação.

O que faz um bancário hoje?

A imagem do profissional trabalhando atrás de um caixa ou atendendo clientes em uma agência representa apenas uma parcela das possibilidades existentes atualmente.

Dependendo da formação e da área, profissionais do setor financeiro podem atuar com:

  • atendimento e relacionamento com clientes;
  • crédito;
  • investimentos;
  • análise financeira;
  • gestão de riscos;
  • prevenção a fraudes;
  • compliance;
  • prevenção à lavagem de dinheiro;
  • produtos e serviços digitais;
  • análise de dados;
  • cibersegurança;
  • tecnologia;
  • operações;
  • planejamento;
  • experiência do cliente.

Além dos bancos tradicionais, essas competências aparecem em cooperativas de crédito, instituições de pagamento, fintechs, seguradoras, corretoras, gestoras de investimentos e empresas de tecnologia financeira.

O próprio sistema financeiro brasileiro reúne hoje diferentes tipos de instituições, incluindo bancos, cooperativas, instituições de pagamento, corretoras, financeiras e empresas de serviços financeiros digitais supervisionadas pelo Banco Central.

A inteligência artificial já faz parte dos bancos?

Sim.

Em 2026, o uso de IA no sistema bancário já ultrapassou a fase de experimentação em diversas instituições.

Dados divulgados pela Febraban em 25 de agosto de 2026 mostram que os bancos brasileiros estimam investir cerca de R$ 3 bilhões em inteligência artificial, Analytics e Big Data neste ano, crescimento de 8% em relação a 2025. O orçamento total de tecnologia do setor deve superar R$ 50 bilhões.

Entre as aplicações de agentes de inteligência artificial identificadas pela pesquisa estão automação de processos internos, atendimento por chatbots e voicebots, elaboração de relatórios e suporte às equipes.

A detecção e prevenção de fraudes também aparece entre os benefícios percebidos pelas instituições.

No blog da FSA, já explicamos com mais detalhes como a inteligência artificial está sendo utilizada nas finanças, inclusive em análises de risco e identificação de movimentações suspeitas. Inteligência Artificial nas finanças: o que muda?

A IA vai substituir os bancários?

É mais adequado falar em mudança das atividades do que concluir que uma profissão inteira desaparecerá.

Tarefas padronizadas e repetitivas apresentam maior possibilidade de automação, enquanto atividades que exigem análise, responsabilidade, negociação, interpretação de contexto e relacionamento continuam dependendo fortemente da atuação humana.

O Prof. Luiz Dantas observa essa diferença:

“As atividades repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto cresce a demanda por profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões estratégicas, gerenciar riscos e construir relacionamentos de confiança com clientes e empresas.”

A própria Pesquisa Febraban 2026 traz um dado interessante nesse sentido: 70% dos bancos pesquisados já possuem ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional diante das mudanças tecnológicas.

Isso sugere que a discussão sobre IA no mercado financeiro não envolve apenas substituir tarefas. Também envolve preparar pessoas para novas formas de trabalhar com sistemas automatizados.

Que competências ganham espaço no mercado financeiro?

Conhecer produtos bancários e conceitos de finanças continua importante, mas o repertório profissional se ampliou.

Áreas como análise de dados, inteligência artificial, cibersegurança, gestão de riscos e compliance aparecem com frequência nas estratégias tecnológicas das instituições financeiras.

A cibersegurança, por exemplo, é apontada como prioridade por todas as instituições participantes de uma das etapas da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026.

Também existe uma demanda crescente por profissionais que consigam compreender tecnologia sem perder de vista as regras, riscos e necessidades das pessoas que utilizam os serviços.

“O mercado financeiro busca profissionais capazes de unir conhecimento técnico com visão estratégica e domínio das novas tecnologias”, afirma o Prof. Luiz Dantas.

Isso não significa que toda pessoa que trabalha em banco precise se tornar programadora ou especialista em inteligência artificial.

Significa compreender como essas ferramentas afetam a área em que se trabalha e saber utilizá-las de maneira compatível com as responsabilidades profissionais.

O que o Open Finance mudou no setor bancário?

O Open Finance também ajuda a explicar por que o trabalho no sistema financeiro ficou mais conectado a dados e tecnologia.

O sistema permite que clientes autorizem o compartilhamento de determinadas informações financeiras entre instituições participantes. A decisão de compartilhar os dados é do próprio cliente, e as instituições precisam seguir regras definidas pelo Banco Central, incluindo requisitos relacionados à segurança e ao gerenciamento de riscos.

Na prática, isso cria possibilidades para desenvolvimento de produtos, análises e serviços mais personalizados.

Para profissionais do setor, significa lidar com um ambiente em que experiência do cliente, proteção de dados, segurança, APIs, análise financeira e regulação se encontram com frequência.

E a cibersegurança?

Quanto maior o volume de operações digitais, maior também a atenção necessária à proteção das transações e dos dados.

Fraudes, golpes por engenharia social, roubo de credenciais e outros crimes digitais fazem da segurança uma questão que envolve tecnologia, comportamento do cliente, processos internos e regulação.

Essa discussão aparece também no artigo sobre fraudes digitais e bancárias e as mudanças recentes na legislação, que ajuda a compreender como o tema financeiro se conecta ao Direito Digital e à segurança on-line.

Por isso, cibersegurança deixou de ser um tema restrito às equipes técnicas. Profissionais de gestão, risco, compliance, jurídico e atendimento também precisam compreender as ameaças que podem afetar instituições e clientes.

Bancos digitais e fintechs acabaram com os bancos tradicionais?

Não.

O que aconteceu foi uma ampliação dos modelos existentes no mercado.

Bancos tradicionais aceleraram sua digitalização, enquanto fintechs e instituições de pagamento criaram novas formas de oferecer contas, crédito, pagamentos e outros serviços.

O crescimento dos canais digitais é uma evidência dessa mudança, mas não significa simplesmente substituir uma instituição por outra.

Em 2026, 98% das funcionalidades bancárias mapeadas pela pesquisa da Febraban já estavam disponíveis em canais digitais, enquanto celular e internet concentravam grande parte das operações dos clientes.

Para quem trabalha no setor, isso amplia as possibilidades profissionais e também aumenta a necessidade de acompanhar tecnologias, concorrentes e novos modelos de negócio.

Uma carreira no setor financeiro exige formação contínua?

Em muitas áreas, sim.

Regulação, meios de pagamento, produtos financeiros, segurança e tecnologia mudam com uma frequência que exige atualização profissional.

O Prof. Luiz Dantas destaca justamente esse ponto:

“As tecnologias mudam rapidamente. O aprendizado permanente tornou-se uma das competências mais importantes para quem deseja construir uma carreira sólida no mercado financeiro.”

Essa atualização pode acontecer por meio de experiência profissional, cursos, certificações, especializações e estudo de novas ferramentas e normas relacionadas à própria área de atuação.

Para alguém que começou a trabalhar com atendimento, por exemplo, aprofundar conhecimentos em investimentos ou relacionamento pode abrir novas possibilidades. Um profissional de tecnologia pode se especializar em cibersegurança financeira. Quem trabalha com negócios pode desenvolver competências em análise de dados, riscos ou compliance.

É preciso ser formado em Administração ou Economia para trabalhar em banco?

Não necessariamente.

O setor financeiro reúne profissionais com formações bastante diferentes.

Administração, Economia e Ciências Contábeis são áreas bastante relacionadas ao funcionamento financeiro e empresarial, mas também existem oportunidades para pessoas formadas em Direito, tecnologia, Ciência de Dados, Engenharia, Marketing e outras áreas.

A formação mais adequada depende do tipo de atividade.

Compliance pode reunir conhecimentos de gestão e Direito. Uma equipe de prevenção a fraudes pode envolver análise de dados, tecnologia e gestão de riscos. Produtos digitais podem reunir profissionais de negócios, tecnologia, design e experiência do usuário.

Por isso, “trabalhar em banco” não corresponde atualmente a uma única carreira.

E o fator humano em um sistema cada vez mais digital?

Mesmo com automação e inteligência artificial, decisões financeiras envolvem confiança.

Clientes procuram instituições para administrar recursos, contratar crédito, realizar investimentos e tomar decisões que podem influenciar projetos pessoais e empresariais.

Em situações mais complexas, compreender a necessidade de uma pessoa, explicar riscos e apresentar alternativas continua exigindo comunicação e responsabilidade.

Esse é um dos motivos pelos quais competências comportamentais continuam convivendo com conhecimentos técnicos.

Tecnologia pode fornecer dados e automatizar etapas. O profissional ainda precisa saber interpretar informações e compreender o contexto em que uma decisão será tomada.

Formação profissional também acompanha essas mudanças

A velocidade das mudanças no setor financeiro fez com que temas que antes apareciam separados começassem a ocupar o mesmo espaço profissional.

Finanças, tecnologia, riscos, segurança, dados, regulação e relacionamento com clientes se conectam em diferentes funções.

Na Fundação Santo André, essa combinação aparece no MBA em Banking – Gestão de Negócios Financeiros e Inovação Digital, coordenado pelo Prof. Luiz Dantas. O curso reúne conteúdos de mercado financeiro e de capitais, finanças corporativas, cibersegurança, gestão de riscos, crédito, ESG bancário, blockchain e ativos digitais.

O MBA é voltado a profissionais já graduados que atuam ou pretendem atuar em bancos, fintechs, cooperativas, gestoras e outras organizações ligadas ao mercado financeiro.

“Nossa proposta é formar líderes preparados para o novo sistema financeiro, que combina tecnologia, dados, inovação e responsabilidade regulatória. O futuro do setor será cada vez mais digital, mas continuará exigindo profissionais altamente qualificados”, afirma o professor.

Quem deseja aprofundar conhecimentos nessa área pode conhecer o MBA em Banking da Fundação Santo André ou consultar as demais opções de pós-graduação da instituição. Conheça o MBA em Banking da FSA.

Dia do Bancário também é uma oportunidade para olhar para o futuro da profissão

O trabalho bancário de 2026 é diferente daquele existente quando o Dia do Bancário surgiu, em 1951, e provavelmente continuará mudando nos próximos anos.

A inteligência artificial já automatiza atividades, os canais digitais concentram a maior parte das transações e bancos investem bilhões de reais em tecnologia.

Ao mesmo tempo, continuam presentes questões que dependem de pessoas: interpretar informações, compreender riscos, lidar com situações inesperadas, orientar clientes e assumir responsabilidade por decisões.

Celebrar o Dia do Bancário, portanto, também permite reconhecer quem acompanha essas mudanças e continua desenvolvendo conhecimentos para trabalhar em um setor que combina finanças, tecnologia e relações humanas.

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