Eleições 2026: como funciona a apuração dos votos?
Você votou, apertou a tecla confirma e saiu da seção eleitoral. Algumas horas depois, os números começam a aparecer na televisão, nos sites de notícias e nos aplicativos da Justiça Eleitoral.
Mas o que acontece entre esses dois momentos?
A apuração dos votos acontece na própria urna eletrônica depois que a votação é encerrada. A urna gera o Boletim de Urna, com o resultado daquela seção. Depois, esses dados são enviados à Justiça Eleitoral e somados aos resultados das demais seções em um processo chamado totalização.
Ou seja, apuração e totalização não são exatamente a mesma coisa.
E entender essa diferença ajuda a acompanhar melhor os resultados das Eleições 2026.
Resposta rápida: como funciona a apuração dos votos?
O processo pode ser resumido assim:
- a votação da seção é encerrada;
- a urna apura os votos registrados;
- é gerado o Boletim de Urna, o BU;
- o resultado da seção é gravado em uma mídia;
- os arquivos são encaminhados para transmissão à Justiça Eleitoral;
- os boletins de todas as seções são recebidos e processados;
- os votos são somados na totalização;
- os resultados passam a ser divulgados ao público.
Nas Eleições 2026, a divulgação dos resultados começa a partir das 17h, pelo horário de Brasília, e é atualizada conforme os boletins são recebidos e processados.
Apuração e totalização são a mesma coisa?
Não.
Essa diferença é importante porque usamos a palavra “apuração” no cotidiano para falar de todo o processo de contagem dos votos.
Tecnicamente, porém, são etapas diferentes.
Apuração é o processo que identifica o resultado dos votos registrados em uma seção eleitoral. Nas urnas eletrônicas, isso acontece no próprio equipamento depois do encerramento da votação.
Totalização é a soma dos resultados registrados nos Boletins de Urna das diferentes seções eleitorais.
O Tribunal Superior Eleitoral explica que, depois que os dados são recebidos, começa a soma dos boletins para formar o resultado da eleição.
Pense em uma escola que funciona como local de votação e possui várias seções. Cada urna produz o resultado da sua própria seção. Esses resultados, junto com os de milhares de outras seções, precisam depois ser reunidos.
É dessa soma que surge o resultado que acompanhamos ao longo da noite.
O que acontece quando a votação termina?
Nas Eleições 2026, as seções funcionam das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Se ainda houver pessoas na fila no horário de encerramento, elas continuam tendo direito a votar.
Depois que a votação daquela seção é concluída, a urna encerra a coleta dos votos e inicia os procedimentos de apuração.
Os votos são apurados eletronicamente e são gerados arquivos como o Boletim de Urna, o Registro Digital do Voto e os registros de funcionamento do equipamento. Esses arquivos recebem mecanismos de segurança, como assinaturas digitais.
É nesse momento que aparece um dos documentos mais importantes para acompanhar o resultado de uma eleição: o Boletim de Urna.
O que é o Boletim de Urna?
O Boletim de Urna, conhecido pela sigla BU, apresenta o resultado da votação de uma seção eleitoral.
Ele informa, entre outros dados:
- a identificação da seção e da zona eleitoral;
- quantas pessoas estavam aptas a votar;
- quantas votaram;
- os votos recebidos por cada candidata ou candidato;
- votos destinados às legendas;
- votos em branco;
- votos nulos;
- a soma geral dos votos;
- identificação da urna;
- horários de início e encerramento da votação;
- um QR Code que permite conferir as informações do documento.
Isso significa que o resultado de cada urna já existe antes de aparecer no resultado geral da eleição.
O BU também é impresso na própria seção eleitoral. Dessa forma, o resultado registrado naquele local pode ser posteriormente comparado com o boletim disponibilizado pela Justiça Eleitoral.
O eleitor pode conferir o resultado de uma urna?
Sim.
O Boletim de Urna possui um QR Code que permite consultar digitalmente as informações daquele documento.
Em 2026, a ferramenta Boletim na Mão está integrada ao e-Título. Por meio dela, é possível ler o QR Code de um BU e comparar o resultado da seção com os dados que posteriormente foram totalizados e divulgados pela Justiça Eleitoral.
O TSE também disponibiliza os Boletins de Urna enviados para a totalização na internet, permitindo que os dados sejam conferidos.
Então, se você encontrar um Boletim de Urna depois do encerramento da votação, aquele documento não mostra uma estimativa ou uma pesquisa. Ele apresenta o resultado registrado naquela seção eleitoral.
A urna envia os votos pela internet?
Não diretamente.
A urna eletrônica utilizada para receber os votos não fica conectada à internet ou a uma rede externa durante a votação.
Depois do encerramento, os arquivos de resultado são gravados em uma mídia e encaminhados para pontos de transmissão da Justiça Eleitoral. A transmissão é feita pelos sistemas próprios utilizados no processo de totalização.
Nas localidades de difícil acesso, como determinadas comunidades indígenas ou ribeirinhas, a Justiça Eleitoral também pode utilizar transmissão via satélite para fazer esses dados chegarem aos tribunais.
O ponto importante é separar duas etapas: uma coisa é a urna registrar e apurar os votos da seção; outra é o arquivo com aquele resultado ser encaminhado para entrar na totalização.
Como os resultados de todas as urnas são somados?
Depois que os arquivos chegam aos sistemas da Justiça Eleitoral, eles passam por verificações antes de entrar na totalização.
A partir daí, os resultados dos Boletins de Urna são somados.
É por isso que, quando você acompanha a eleição pela televisão ou pelo celular, normalmente aparece também uma porcentagem de seções ou votos totalizados.
O resultado vai sendo atualizado à medida que novos boletins chegam e são processados.
Uma cidade com muitas seções eleitorais, por exemplo, não precisa esperar todos os boletins chegarem para começar a divulgar os primeiros números. O acompanhamento é atualizado progressivamente.
Quando começa a divulgação do resultado das Eleições 2026?
A partir das 17h do dia 4 de outubro, pelo horário de Brasília, a Justiça Eleitoral pode começar a divulgar os resultados do primeiro turno.
Isso vale para todo o país.
Os números vão sendo atualizados conforme os Boletins de Urna chegam aos sistemas e são processados.
O eleitor pode acompanhar a totalização pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, inclusive pelo aplicativo Resultados, que apresenta o andamento da contagem em diferentes regiões e para os diferentes cargos.
E antes da urna eletrônica, como era feita a apuração?
Aqui a história fica especialmente interessante para quem é do Grande ABC.
Antes da adoção da urna eletrônica, os votos eram registrados em cédulas de papel e passavam por contagem manual.
Em Santo André, a busca por formas mais rápidas de processar esses resultados contou com a participação da Fundação Santo André e do Prof. Me. Orlando Dal Degran Junior, o Professor Badaroth.
Nos anos 1980, Badaroth já trabalhava com informática e desenvolvia sistemas para processamento de dados. O conhecimento que ele utilizava inicialmente para trabalhar com estatísticas no voleibol acabou chegando à apuração eleitoral do município.
Segundo registros recuperados pelo Diário do Grande ABC, o então juiz Paulo Dias de Moura Ribeiro procurou o professor para colaborar com a informatização do processo de apuração.
As cédulas ainda eram contadas manualmente. A novidade estava no uso do computador para tabular os votos já apurados e auxiliar nos cálculos relacionados ao resultado da eleição.
Badaroth relembrou esse processo ao contar que:
“A cada eleição, nós íamos sendo mais rápidos.”
A experiência também contou com a participação de estudantes de Informática da Fundação Santo André e aconteceu anos antes da adoção nacional da urna eletrônica.
Nós contamos essa história com mais detalhes no artigo Eleições 2026: o que fazem presidente, governador, senador e deputados?, inclusive com um vídeo em que o Professor Badaroth relembra a participação da FSA na informatização da apuração em Santo André.
Da contagem em papel ao resultado no mesmo dia
A urna eletrônica começou a ser utilizada nas eleições brasileiras em 1996. Ao longo dos anos, a informatização mudou bastante o tempo necessário para apurar e divulgar os resultados.
Em 2026, o próprio TSE lembra os 30 anos da urna eletrônica e destaca que a tecnologia permitiu que resultados de eleições nacionais passassem a ser conhecidos no próprio dia da votação.
Isso ajuda a perceber o tamanho da mudança quando comparamos o sistema atual com uma época em que cédulas precisavam ser abertas, separadas e contadas uma a uma.
Hoje, uma urna encerra a votação, produz o resultado de sua seção e gera documentos que podem ser conferidos antes mesmo da conclusão da totalização nacional.
O que são votos brancos e nulos na apuração?
Os votos brancos e nulos aparecem no Boletim de Urna e também são divulgados nos resultados oficiais.
Eles, porém, não entram na soma dos votos válidos utilizada para definir o resultado da eleição.
Por isso, ao acompanhar uma apuração, você pode encontrar três informações diferentes: votos válidos, votos em branco e votos nulos.
Também aparece o número de abstenções, que corresponde às pessoas aptas a votar que não compareceram.
Dá para saber em quem uma pessoa votou?
Não.
O Boletim de Urna informa quantos votos cada candidata, candidato ou legenda recebeu naquela seção, mas não associa esses votos aos nomes dos eleitores.
O Registro Digital do Voto também preserva o sigilo e não cria uma relação entre a identidade de quem votou e a escolha registrada.
Por isso, é possível conferir o resultado de uma seção sem descobrir em quem cada pessoa votou.
A apuração também pode ser acompanhada pelo eleitor
Quando os primeiros números começarem a aparecer neste domingo, eles não surgirão de uma única contagem nacional feita de uma vez.
O resultado é formado pela soma de milhares de Boletins de Urna produzidos nas seções eleitorais espalhadas pelo país.
Entender esse caminho ajuda a ler melhor aquelas porcentagens que aparecem na tela ao longo da noite: 10% totalizado, 50%, 90% e, aos poucos, a aproximação do resultado final.
Também mostra que existem diferentes formas de acompanhar e conferir o processo, desde o boletim impresso em uma seção até os dados divulgados pela Justiça Eleitoral.
E, aqui em Santo André, essa conversa sobre tecnologia e apuração também ajuda a recuperar uma história da própria Fundação Santo André, construída em uma época em que informática, eleições e processamento de dados começavam a se encontrar.
Se tecnologia, dados, sistemas ou o funcionamento das instituições despertam o seu interesse, você pode conhecer os cursos de graduação da FSA. Para quem já possui formação superior e quer aprofundar conhecimentos em sua área, consulte também os cursos de pós-graduação da Fundação Santo André.