Como funciona a logística? Entenda o caminho de um produto até chegar a você
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Você compra um tênis pela internet. Alguns minutos depois, aparece “pedido confirmado”. Mais tarde, o status muda para “em separação”, depois “enviado” e, finalmente, “saiu para entrega”.
Para quem compra, são apenas algumas atualizações na tela. Para a empresa, cada uma representa uma série de decisões envolvendo estoque, pessoas, sistemas, embalagem, transporte, rotas, prazos e custos.
É aí que entra a logística.
Ela participa do caminho percorrido por um produto desde sua disponibilidade no estoque até a chegada ao consumidor e também de processos que acontecem antes e depois dessa entrega.
Segundo a Profa. Dra. Lilian Kátia de Oliveira, coordenadora adjunta de Engenharia de Produção da Fundação Santo André, uma operação logística precisa conectar diferentes áreas para fazer com que o produto correto chegue ao cliente no prazo, com segurança e dentro de um custo adequado.
Resposta rápida: o que é logística?
Logística é o conjunto de processos utilizados para planejar, movimentar, armazenar e distribuir produtos, materiais e informações.
Quando você faz uma compra pela internet, por exemplo, a logística aparece na verificação do estoque, separação do pedido, embalagem, escolha do transporte, definição da rota, passagem por centros de distribuição e entrega.
Mas ela não começa no momento em que o caminhão sai da empresa.
Antes disso, alguém precisou estimar quantos produtos seriam necessários, organizar o armazenamento, acompanhar fornecedores e planejar a reposição.
Por isso, logística é muito mais do que transporte.
O que acontece depois que você clica em “comprar”?
Vamos acompanhar uma compra on-line.
Depois que o pedido é realizado, o sistema precisa confirmar informações como pagamento e disponibilidade do produto.
Se o item estiver disponível, começa outra etapa.
O produto precisa ser localizado no estoque e separado. Esse processo costuma ser chamado de picking, termo utilizado na logística para a retirada dos itens necessários para montar um pedido.
Depois, ocorre a conferência.
A empresa precisa verificar se aquele é realmente o produto comprado, na quantidade correta e nas condições adequadas.
Em seguida vem a embalagem, que precisa proteger a mercadoria durante o transporte e também considerar aspectos como tamanho, peso e forma de envio.
Só então o pedido segue para a etapa de transporte.
A Profa. Lilian resume esse fluxo:
“Depois, o item é separado, conferido, embalado e encaminhado para o transporte. A empresa também precisa definir a melhor rota e acompanhar o pedido até que ele chegue ao endereço do cliente.”
Dependendo de onde você mora e da estrutura da empresa, o pacote ainda pode passar por um ou vários centros de distribuição antes da entrega.
O que é um centro de distribuição?
Centro de distribuição é uma estrutura utilizada para receber, armazenar, organizar e encaminhar mercadorias.
Imagine uma loja virtual que venda para todo o Brasil.
Se todos os produtos partissem de um único endereço, determinadas entregas poderiam percorrer distâncias muito grandes.
Uma empresa pode utilizar centros de distribuição em diferentes regiões justamente para aproximar o estoque dos consumidores e organizar melhor o fluxo de mercadorias.
Isso não significa que toda empresa precise possuir vários centros próprios. Existem diferentes modelos de operação e também empresas especializadas em prestar serviços logísticos.
A localização dessas estruturas é uma decisão importante porque pode interferir em prazo, transporte e custo.
O que é a “última milha”?
É uma expressão muito usada na logística e especialmente importante no comércio eletrônico.
A última milha corresponde ao trecho final da distribuição, entre a unidade responsável pela entrega e o endereço do consumidor.
Mesmo que o nome mencione uma milha, não significa literalmente que o trajeto tenha essa distância.
É o nome dado à etapa final.
Parece simples, mas imagine entregar centenas de pedidos em diferentes ruas, prédios, condomínios e bairros de uma mesma cidade.
É preciso organizar rotas, considerar trânsito, horários, quantidade de veículos, capacidade de carga e sequência das entregas.
Também podem surgir problemas como endereço incorreto, ausência do destinatário, restrição de entrada em condomínios ou condições climáticas que dificultem o trajeto.
Por isso, a etapa que parece mais curta geograficamente pode representar um dos desafios mais complexos da operação.
Logística é a mesma coisa que transporte?
Não.
Transporte é uma parte da logística.
Levar um produto do ponto A ao ponto B é importante, mas antes disso alguém precisa responder perguntas como:
Quanto devemos ter em estoque?
Quando devemos comprar novamente?
Onde os produtos serão armazenados?
Qual fornecedor consegue atender à demanda?
Qual modalidade de transporte faz sentido?
Como evitar atrasos?
Como reduzir desperdícios?
O que fazer com produtos devolvidos?
A logística procura coordenar essas decisões.
É por isso que uma pessoa pode trabalhar com logística durante anos sem dirigir um caminhão ou organizar diretamente uma entrega.
Há profissionais atuando em planejamento, compras, estoque, dados, tecnologia, importação, distribuição e várias outras atividades.
Por que uma empresa não mantém estoque de tudo em grande quantidade?
À primeira vista, essa poderia parecer a solução mais fácil para evitar produtos indisponíveis.
Se existe o risco de vender cem unidades, por que não deixar mil guardadas?
Porque estoque também custa dinheiro.
Produtos precisam ocupar algum espaço, podem exigir condições específicas de armazenamento e representam recursos financeiros que permanecem imobilizados até a venda.
Alguns ainda possuem prazo de validade ou podem perder valor com rapidez.
Imagine uma empresa que compre uma quantidade enorme de determinado modelo de celular pouco antes do lançamento de uma nova geração. O produto continua funcionando, mas sua demanda e seu preço podem mudar.
A questão central, segundo a Profa. Lilian, é encontrar equilíbrio:
“A empresa precisa ter produtos disponíveis para atender aos pedidos, mas sem manter um excesso de mercadorias paradas.”
Quando o estoque é pequeno demais, podem ocorrer faltas e perda de vendas. Quando é grande demais, aumentam os custos de armazenamento e outros riscos.
Como uma empresa sabe quanto precisa ter em estoque?
Ela tenta prever a demanda.
Isso envolve analisar históricos de vendas, períodos do ano, comportamento dos consumidores, promoções, lançamentos e outras informações disponíveis.
Uma loja pode saber, por exemplo, que vende mais determinados produtos antes do Natal.
Um supermercado pode identificar diferenças na procura conforme o dia da semana.
Uma indústria precisa prever quanto material será necessário para manter a produção.
Essas projeções não eliminam a incerteza.
Previsão de demanda não significa saber exatamente quantas unidades serão vendidas. Significa utilizar informações disponíveis para tomar uma decisão mais bem fundamentada.
É por isso que dados se tornaram tão importantes também na logística.
E quando a previsão dá errado?
Acontece.
Uma publicação viral pode aumentar repentinamente a procura por um produto. Uma tempestade pode impedir uma entrega. Um fornecedor pode atrasar. Uma estrada pode ser bloqueada. Uma promoção pode vender muito mais do que o esperado.
A Profa. Lilian cita justamente essa presença dos imprevistos:
“Atrasos de fornecedores, trânsito intenso, problemas climáticos ou endereços incorretos” podem interferir na operação.
Por isso, planejamento não significa criar uma programação e simplesmente esperar que tudo aconteça daquela maneira.
Também significa acompanhar a operação e definir alternativas para situações que fogem do previsto.
Por que algumas entregas chegam no mesmo dia e outras demoram uma semana?
Vários fatores podem explicar essa diferença.
A localização do produto é um deles.
Se a mercadoria já está armazenada em um centro de distribuição próximo do cliente, o percurso tende a ser menor.
Também interferem:
- disponibilidade do produto;
- horário em que o pedido foi realizado;
- localização do consumidor;
- capacidade da operação;
- transportadora utilizada;
- modalidade de frete;
- trânsito;
- distância;
- rota;
- períodos de grande volume de pedidos.
Uma entrega rápida, portanto, não depende somente de um motorista acelerando o processo.
Ela começa muito antes, no planejamento do estoque e na organização da rede de distribuição.
O que tecnologia tem a ver com logística?
Praticamente todas as etapas podem utilizar tecnologia.
Um sistema pode registrar que determinado produto saiu do estoque assim que o pedido foi separado. Outro pode acompanhar veículos e entregas, enquanto ferramentas de análise de dados ajudam a identificar padrões de demanda.
Sistemas integrados permitem que informações de compras, estoque, vendas e transporte conversem entre si.
A Profa. Lilian destaca que conhecer sistemas de gestão e saber interpretar dados já faz parte das competências importantes para quem deseja trabalhar na área.
A Fundação Santo André também busca aproximar a formação acadêmica das demandas do mercado por meio de atividades de formação complementar. Um exemplo é a oferta de treinamento sobre o TOTVS RM, sistema utilizado na gestão integrada de diferentes processos organizacionais. Divulgada pela PROPPEX, Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da FSA, a iniciativa mostra como a instituição amplia o contato dos estudantes com ferramentas e conhecimentos presentes no cotidiano profissional.
Na logística, essa integração entre áreas e sistemas permite acompanhar estoques, pedidos, compras e entregas e reagir com mais rapidez quando surge algum problema.
A tecnologia, porém, não substitui a análise profissional. É preciso compreender os processos, interpretar os dados disponíveis, definir critérios e tomar decisões quando a operação não acontece conforme o planejado.
Quem trabalha nos bastidores de uma entrega?
Muita gente.
A Profa. Lilian cita profissionais como:
- analistas de logística;
- gestores de logística;
- operadores de estoque;
- conferentes;
- profissionais responsáveis pelo transporte;
- motoristas;
- entregadores;
- equipes de tecnologia;
- equipes de atendimento.
Dependendo da empresa, também podem participar profissionais de compras, planejamento, engenharia, qualidade, dados, comércio exterior e gestão financeira.
Isso mostra por que logística não deve ser entendida como uma única profissão.
Ela é uma área formada por diferentes atividades que precisam funcionar de maneira integrada.
E se o cliente quiser devolver o produto?
A logística pode fazer o caminho contrário.
É aí que aparece a logística reversa.
Ela envolve o fluxo de produtos que retornam depois da venda por motivos como devolução, troca, reparo, reaproveitamento, reciclagem ou descarte adequado.
Imagine que você compre uma roupa pela internet e o tamanho não sirva.
A empresa precisa receber sua solicitação, organizar o retorno, transportar a peça, conferir suas condições e decidir o que acontecerá depois.
Em determinados setores, a logística reversa também está relacionada à destinação ambientalmente adequada de materiais e produtos.
Portanto, a entrega ao consumidor nem sempre representa o fim da operação.
Sustentabilidade também entra na logística?
Sim.
Rotas mal planejadas podem aumentar distâncias percorridas, consumo de combustível e custos.
Embalagens maiores do que o necessário ocupam mais espaço no transporte.
Excesso de estoque pode gerar desperdício, especialmente quando os produtos possuem validade.
Também existem decisões sobre reaproveitamento de materiais, reciclagem e logística reversa.
Isso faz com que eficiência econômica e redução de impactos ambientais possam aparecer na mesma decisão.
Uma operação que utiliza melhor sua capacidade de transporte, por exemplo, pode reduzir ao mesmo tempo desperdícios e deslocamentos desnecessários.
Qual é o grande desafio da logística?
Para a Profa. Lilian, um dos principais desafios está em equilibrar três elementos: estoque, prazo e custo.
O consumidor quer encontrar o produto disponível.
Também deseja recebê-lo rapidamente.
E dificilmente ficará satisfeito se o frete custar quase o mesmo que a compra.
Para a empresa, atender às três expectativas simultaneamente exige planejamento.
Entregar muito rápido pode exigir uma estrutura mais cara. Reduzir demais o estoque pode aumentar o risco de falta. Economizar no transporte pode ampliar o prazo.
Não existe uma resposta igual para todas as operações.
Uma empresa precisa decidir qual combinação faz sentido para seu negócio, seus produtos e seus clientes.
Onde trabalha quem escolhe a área de logística?
As possibilidades vão muito além das transportadoras.
Segundo a Profa. Lilian, profissionais da área podem atuar com:
- gestão de estoques;
- compras;
- planejamento de demanda;
- armazenagem;
- distribuição;
- comércio eletrônico;
- logística reversa;
- importação e exportação;
- sustentabilidade;
- tecnologia aplicada à cadeia de suprimentos.
Também há oportunidades em indústrias, varejistas, operadores logísticos, empresas de tecnologia, centros de distribuição, marketplaces e consultorias.
O profissional pode estar diretamente ligado à operação ou trabalhar com planejamento e gestão.
Que habilidades são importantes para trabalhar com logística?
A área combina conhecimentos técnicos e capacidade de lidar com situações que mudam rapidamente.
A Profa. Lilian destaca conhecimentos relacionados a estoque, compras, armazenagem, distribuição, transporte e custos.
Ao mesmo tempo, cita habilidades como: organização, planejamento, raciocínio lógico, comunicação, negociação e resolução de problemas.
A flexibilidade também aparece porque imprevistos fazem parte do cotidiano da área.
Para quem gosta de analisar processos e pensar em maneiras de fazer diferentes etapas funcionarem juntas, logística pode ser um campo interessante para conhecer.
O que Engenharia de Produção tem a ver com logística?
A Engenharia de Produção estuda sistemas, processos e recursos buscando compreender como uma operação pode funcionar de maneira mais eficiente.
Por isso, logística e cadeia de suprimentos estão entre suas áreas de atuação.
Um engenheiro de produção pode trabalhar com planejamento de operações, estoques, demanda, custos, qualidade, distribuição e integração entre diferentes etapas de uma organização.
Na graduação em Engenharia de Produção da Fundação Santo André, logística e cadeia de suprimentos aparecem entre as possibilidades de atuação profissional, ao lado de áreas como gestão de produção, processos, projetos e automação.
O blog da FSA também possui um conteúdo mais amplo sobre o que faz um engenheiro de produção e onde esse profissional pode trabalhar, que ajuda a conhecer outras possibilidades da carreira.
Da compra até sua casa, existe uma cadeia inteira de decisões
Da próxima vez que um aplicativo mostrar “seu pedido saiu para entrega”, você já saberá que essa mensagem representa apenas a etapa mais visível de uma operação muito maior.
Antes dela, alguém precisou planejar estoque, acompanhar demanda, separar e conferir o produto, organizar o transporte e decidir como a mercadoria chegaria até você.
Depois da entrega, o processo ainda pode continuar caso exista uma troca, devolução ou necessidade de logística reversa.
É justamente essa visão integrada que torna a logística uma área tão relacionada à Engenharia de Produção.
Para quem se interessa por planejamento, dados, processos, tecnologia e resolução de problemas, conhecer a Engenharia de Produção da Fundação Santo André pode ajudar a entender como esses conhecimentos aparecem na graduação e em diferentes possibilidades profissionais.