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Como trabalhar como advogado no exterior? Veja os caminhos

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Como trabalhar como advogado no exterior? Entenda os caminhos e as diferenças entre países

⌚ 7 a 8 minutos de leitura | 📂 Direito e carreiras

Se você pensa em cursar Direito e tem vontade de morar ou trabalhar fora do Brasil, provavelmente já se perguntou se é possível construir uma carreira jurídica internacional. Afinal, um advogado formado no Brasil pode exercer a profissão em Portugal, nos Estados Unidos ou em outros países?

A resposta é sim, existem caminhos para isso, mas cada país estabelece suas próprias exigências para o exercício da advocacia. Dependendo do destino, pode ser necessário passar por exames, comprovar conhecimentos jurídicos, realizar estudos complementares ou obter uma autorização profissional específica.

Também existem oportunidades para trabalhar com assuntos jurídicos internacionais sem necessariamente atuar como advogado habilitado no país estrangeiro.

Para entender essas possibilidades, é importante conhecer as diferenças entre os sistemas jurídicos e descobrir como começar a se preparar ainda durante a graduação.

Resposta rápida: um advogado formado no Brasil pode trabalhar no exterior?

Sim. Um profissional formado em Direito no Brasil pode construir uma carreira no exterior, mas o diploma brasileiro não autoriza automaticamente o exercício da advocacia em outros países.

Para representar clientes e praticar os atos reservados aos advogados locais, normalmente é necessário cumprir as regras do órgão responsável pela profissão no país de destino.

Essas exigências podem incluir reconhecimento da formação, exames de habilitação, estudos complementares, inscrição profissional e comprovação de conhecimentos do idioma.

Por outro lado, quem possui formação jurídica também pode buscar oportunidades em empresas multinacionais, departamentos de conformidade, consultorias e atividades relacionadas a contratos internacionais, desde que respeite as regras profissionais de cada lugar.

Por que um advogado brasileiro não pode exercer a profissão automaticamente em outro país?

O Direito está diretamente relacionado às leis, instituições e procedimentos de cada país.

Embora existam princípios jurídicos compartilhados internacionalmente, as regras que organizam contratos, processos judiciais, relações de trabalho e atividades empresariais podem ser bastante diferentes.

Um advogado que conhece a legislação brasileira, por exemplo, não estará automaticamente preparado para representar um cliente em um tribunal norte-americano.

Isso acontece porque os países podem adotar sistemas jurídicos distintos.

Civil Law e Common Law: quais são as diferenças?

O Brasil adota um sistema jurídico de tradição Civil Law, em que a legislação escrita e os códigos ocupam uma posição central na organização do Direito.

Portugal, França, Alemanha e diversos outros países também seguem tradições relacionadas ao Civil Law, embora apresentem diferenças importantes entre suas legislações.

Já países como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, com exceções em determinadas jurisdições, utilizam sistemas associados ao Common Law.

Nesse modelo, as decisões judiciais anteriores, conhecidas como precedentes, desempenham um papel importante na interpretação e na aplicação do Direito.

Isso não significa que os países de Common Law não possuam leis escritas, nem que as decisões judiciais sejam irrelevantes no Brasil. A diferença está principalmente na formação histórica e na maneira como as fontes jurídicas são organizadas e utilizadas.

Para quem deseja trabalhar fora, compreender essas características ajuda a identificar quais conhecimentos precisará desenvolver.

Como um advogado brasileiro pode trabalhar em Portugal?

Portugal costuma despertar o interesse de profissionais brasileiros pela proximidade linguística e por algumas semelhanças entre os sistemas jurídicos.

No entanto, falar português e possuir um diploma brasileiro não são condições suficientes para exercer a advocacia portuguesa.

O profissional precisa observar os requisitos da Ordem dos Advogados de Portugal, responsável pela inscrição e regulamentação da atividade.

Historicamente, existiu um regime de reciprocidade que facilitava a inscrição de advogados brasileiros em Portugal. Entretanto, as condições de acesso à profissão passaram por mudanças a partir de 2023.

Atualmente, o interessado precisa consultar as regras aplicáveis ao seu caso, incluindo as exigências de reconhecimento da formação, inscrição, estágio profissional e avaliação, quando cabíveis.

Em setembro de 2026, a Ordem dos Advogados do Brasil divulgou que sua Comissão Especial de Direito Internacional havia aprovado um parecer propondo a retomada do diálogo com Portugal sobre as condições de reciprocidade entre os profissionais dos dois países.

Portanto, quem deseja seguir esse caminho deve consultar diretamente a Ordem dos Advogados de Portugal e acompanhar as atualizações sobre a inscrição de profissionais brasileiros.

Como trabalhar como advogado nos Estados Unidos?

Nos Estados Unidos, uma das principais diferenças é que as regras de habilitação profissional variam entre os estados.

Isso significa que um advogado autorizado a exercer a profissão em determinado estado não recebe automaticamente a mesma autorização em todos os outros.

Para profissionais formados no exterior, estados como Nova York e Califórnia possuem procedimentos específicos de avaliação.

Advocacia em Nova York

Nova York permite que determinados candidatos com formação jurídica estrangeira solicitem uma avaliação de elegibilidade para o exame de habilitação, conhecido como Bar Exam.

O órgão responsável considera aspectos como a formação jurídica, a duração do curso e sua compatibilidade com as exigências locais.

Dependendo da análise, pode ser necessário realizar estudos complementares em uma instituição norte-americana.

Uma das possibilidades previstas pelas regras é o LL.M., uma formação de pós-graduação em Direito que, quando atende aos requisitos exigidos, pode ajudar determinados candidatos a cumprir as condições acadêmicas para o exame.

Entretanto, fazer um LL.M. não garante, por si só, a autorização para exercer a advocacia nos Estados Unidos.

O processo depende das regras de elegibilidade, dos exames exigidos e das demais condições de admissão.

Advocacia na Califórnia

A Califórnia também possui caminhos para profissionais formados fora dos Estados Unidos.

Um advogado que já esteja regularmente habilitado em outra jurisdição pode, conforme as regras estaduais, ter acesso ao exame de habilitação sem precisar realizar uma nova graduação em Direito.

Já quem possui formação jurídica estrangeira, mas ainda não está habilitado para advogar, pode precisar comprovar a equivalência de seus estudos e realizar formação complementar.

As orientações estão disponíveis nos sites oficiais do New York State Board of Law Examiners e do State Bar of California.

Como funciona a advocacia na Inglaterra e no País de Gales?

Na Inglaterra e no País de Gales, uma das possibilidades de atuação é a carreira de solicitor, profissional que presta orientação jurídica e pode atuar em diferentes atividades, incluindo determinadas funções de representação.

O caminho de habilitação passa pela Solicitors Regulation Authority (SRA), órgão responsável pela regulamentação desses profissionais.

Um dos principais componentes desse processo é o Solicitors Qualifying Examination (SQE), exame que avalia conhecimentos e habilidades necessários para o exercício da profissão.

Advogados já habilitados em outros países podem ter acesso a procedimentos específicos e solicitar determinadas dispensas, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela SRA.

A comprovação de proficiência linguística também pode ser exigida conforme a situação do candidato.

É importante observar que essas regras se referem à habilitação como solicitor na Inglaterra e no País de Gales. A Escócia e a Irlanda do Norte possuem sistemas próprios, e a carreira de barrister segue outro processo de qualificação.

As informações oficiais podem ser consultadas na Solicitors Regulation Authority.

E no Canadá, é possível exercer a advocacia com diploma brasileiro?

Sim, mas o Canadá também possui procedimentos próprios para reconhecer a formação de profissionais estrangeiros.

Nas jurisdições canadenses que utilizam o sistema de Common Law, uma das etapas é a avaliação realizada pelo National Committee on Accreditation (NCA).

O órgão analisa a formação e a experiência profissional do candidato e determina quais requisitos acadêmicos precisam ser cumpridos.

Dependendo do resultado, o profissional pode precisar realizar exames ou disciplinas complementares para obter um Certificate of Qualification.

Esse certificado permite avançar para os processos de admissão profissional nas jurisdições participantes, mas não equivale à licença para exercer a advocacia.

O caso da província de Quebec é diferente, pois seu sistema jurídico possui características próprias e a avaliação profissional segue outros procedimentos.

Para conhecer os requisitos, o interessado pode consultar o National Committee on Accreditation.

É possível trabalhar com Direito internacional sem ter licença para advogar no exterior?

Sim. Existem atividades relacionadas à formação jurídica que não exigem necessariamente uma licença local para o exercício da advocacia.

A diferença está nas atribuições do cargo e nas regras que determinam quais atividades são reservadas a profissionais habilitados.

Uma pessoa formada em Direito, por exemplo, pode buscar oportunidades em empresas que desenvolvem negócios internacionais, especialmente em funções que envolvam:

  • Compliance: acompanhamento de normas e procedimentos que ajudam as empresas a cumprir obrigações legais e regulatórias;
  • Contratos internacionais: apoio à organização, negociação e administração de contratos envolvendo empresas de diferentes países;
  • Proteção de dados: atuação em processos internos relacionados à privacidade e à conformidade com legislações de diferentes regiões;
  • Comércio internacional: atividades que envolvem operações comerciais, documentação, regras e contratos;
  • Pesquisa jurídica: levantamento e análise de legislações, decisões e informações jurídicas, respeitando os limites de atuação profissional.

Essas funções podem existir em empresas multinacionais, consultorias, organizações internacionais e departamentos jurídicos.

Entretanto, a formação em Direito não garante acesso automático a esses cargos. Algumas posições exigem experiência, conhecimentos específicos ou habilitação profissional local.

O que estudar para construir uma carreira jurídica internacional?

Se você ainda está no ensino médio ou começando a graduação, não precisa decidir imediatamente em qual país pretende trabalhar.

Conhecer as possibilidades já ajuda a organizar seus interesses e escolher atividades que contribuam para sua formação.

1. Desenvolva conhecimentos de outros idiomas

O inglês costuma ser importante para quem pretende estudar ou trabalhar com assuntos jurídicos internacionais, especialmente em países de língua inglesa e empresas multinacionais.

Mas o idioma necessário depende do destino e da área de atuação. Em alguns casos, também será importante conhecer a terminologia jurídica específica daquele país.

2. Estude Direito Internacional

O Direito Internacional aborda temas relacionados às relações entre Estados, organizações internacionais e, em determinadas áreas, pessoas e empresas de diferentes países.

Durante a graduação, o contato com esses conteúdos ajuda a entender como funcionam tratados, normas internacionais, relações comerciais e mecanismos de solução de conflitos.

3. Busque experiências acadêmicas e profissionais

Participar de projetos de pesquisa, eventos acadêmicos, atividades práticas e oportunidades de mobilidade internacional pode contribuir para ampliar seus conhecimentos.

Experiências relacionadas a negociações internacionais, direitos humanos e resolução de conflitos também ajudam a compreender diferentes contextos jurídicos.

4. Pesquise as regras do país em que deseja trabalhar

Antes de investir em uma pós-graduação no exterior ou iniciar um processo de reconhecimento profissional, procure entender as exigências do destino escolhido.

Verifique os custos, os exames necessários, os documentos solicitados e a duração estimada de cada etapa.

Também é importante pesquisar as regras migratórias, já que a habilitação para exercer uma profissão e a autorização para trabalhar e residir em outro país são questões diferentes.

Como começar essa preparação durante a faculdade de Direito?

Uma carreira jurídica internacional pode começar com uma boa compreensão do Direito brasileiro, acompanhada do interesse por outros sistemas jurídicos.

Durante a graduação, disciplinas como Direito Internacional, Direito Empresarial e Direito Constitucional ajudam a desenvolver conhecimentos que podem ser aprofundados posteriormente.

A participação em atividades acadêmicas também permite conhecer situações que aproximam os conteúdos estudados em sala de aula de questões internacionais.

Na Fundação Santo André, o bacharelado em Direito é presencial, tem duração de dez semestres e inclui disciplinas como Direito Internacional, Direito Digital e Direito Empresarial.

Os estudantes também contam com atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Prática Jurídica, além de oportunidades acadêmicas relacionadas à pesquisa e à mobilidade internacional.

A FSA desenvolve ainda iniciativas que aproximam os alunos do debate jurídico internacional. Um exemplo é a participação de estudantes de Direito em simulações acadêmicas da Organização das Nações Unidas, nas quais são discutidos temas relacionados às relações internacionais e aos direitos humanos.

Se você pensa em cursar Direito e considera a possibilidade de trabalhar no exterior, pode começar conhecendo a formação, as disciplinas e as atividades oferecidas pela instituição.

Conheça o curso de Direito da Fundação Santo André e consulte as formas de ingresso disponíveis em www.fsa.br/graduacao.

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