Mobilidade acadêmica virtual: como estudar em universidades de outros países sem sair do Brasil
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Estudar em uma universidade de outro país pode parecer uma experiência necessariamente ligada a passaporte, passagem aérea, hospedagem e meses longe de casa.
A mobilidade acadêmica virtual criou outra possibilidade.
Nesse formato, o estudante continua cursando sua graduação no Brasil e, ao mesmo tempo, pode acompanhar disciplinas ou cursos oferecidos remotamente por instituições estrangeiras. A experiência permite contato com professores, colegas, conteúdos, idiomas e formas de organização acadêmica de outros países sem exigir uma mudança temporária para o exterior.
Na Fundação Santo André, essa possibilidade faz parte das ações de Mobilidade Acadêmica Internacional e inclui o eMOVIES, programa de intercâmbio acadêmico virtual que reúne instituições de Ensino Superior das Américas. A Assessoria de Relações Internacionais da FSA acompanha oportunidades e processos relacionados às modalidades presenciais e remotas de internacionalização.
Resposta rápida: o que é mobilidade acadêmica virtual?
Mobilidade acadêmica virtual é uma experiência em que o estudante realiza disciplinas ou atividades acadêmicas oferecidas por uma instituição de outro país utilizando ambientes digitais.
Ele não precisa interromper sua graduação nem se mudar para o exterior. Dependendo do programa e da instituição escolhida, pode acompanhar aulas, realizar trabalhos, participar de discussões com estudantes estrangeiros e cumprir avaliações remotamente.
Na FSA, a modalidade permite que estudantes participem de disciplinas e cursos online simultaneamente aos estudos na instituição. No eMOVIES, estudantes aprovados ficam isentos das taxas acadêmicas da universidade estrangeira, desde que mantenham vínculo com a FSA.
Mobilidade virtual é a mesma coisa que intercâmbio presencial?
As duas experiências fazem parte da internacionalização acadêmica, mas funcionam de maneiras diferentes.
No intercâmbio presencial, o estudante se desloca para outro país e passa determinado período estudando fisicamente na instituição de destino.
Na mobilidade virtual, o contato internacional acontece por meio das atividades acadêmicas online. O estudante permanece no Brasil, mantendo sua rotina na instituição de origem enquanto participa da experiência oferecida pela universidade estrangeira.
Isso elimina despesas diretamente relacionadas à viagem e à estadia e também pode facilitar a participação de quem, por diferentes razões, não conseguiria permanecer alguns meses fora do país. Na FSA, a página de Mobilidade Acadêmica apresenta oportunidades internacionais tanto remotas quanto presenciais.
Uma modalidade não precisa ser entendida como substituta da outra. Elas proporcionam experiências diferentes.
Como funciona uma disciplina em uma universidade estrangeira?
O funcionamento depende da instituição e da disciplina escolhida.
As aulas podem ocorrer ao vivo ou incluir atividades assíncronas. O estudante pode precisar acessar outra plataforma acadêmica, acompanhar materiais em outro idioma, participar de trabalhos individuais ou coletivos e realizar as avaliações definidas pelo professor da instituição de destino.
Depois da aprovação no processo de mobilidade, é a universidade de destino que orienta o estudante sobre sua plataforma, regras, horários, atividades e demais procedimentos acadêmicos.
Isso significa que participar da mobilidade também exige adaptação.
O estudante deixa temporariamente de lidar apenas com os procedimentos aos quais já está acostumado em sua própria faculdade e passa a conhecer outra maneira de organizar uma disciplina.
Preciso saber outro idioma?
Depende da disciplina e da instituição escolhida.
Na FSA, um dos requisitos do eMOVIES é possuir suficiência ou proficiência no idioma quando isso for exigido pela instituição que oferece a disciplina.
Mesmo quando não há uma certificação formal exigida, participar de aulas em espanhol, inglês ou outro idioma pode colocar o estudante em contato com vocabulário acadêmico e profissional diferente daquele utilizado no cotidiano.
Não é necessário enxergar isso somente como uma dificuldade. A exposição ao idioma dentro de uma área que o estudante já conhece também pode ajudar a desenvolver a compreensão de termos técnicos e formas de comunicação utilizadas internacionalmente.
O que o estudante pode aprender além do conteúdo da disciplina?
Uma experiência internacional pode apresentar uma nova perspectiva sobre um assunto que você já estuda no Brasil.
Isso acontece porque professores e estudantes de diferentes países levam para a aula referências acadêmicas, culturais e sociais próprias de seus contextos.
Uma disciplina de Psicologia, por exemplo, pode discutir comportamento e saúde mental considerando experiências sociais diferentes. Um conteúdo de Administração pode apresentar outros ambientes econômicos. Direito, Arquitetura, Engenharia, Educação e outras áreas também podem ser discutidos a partir de legislações, cidades, tecnologias ou problemas específicos de cada país.
O estudante continua aprendendo o conteúdo acadêmico, mas passa a observar que uma mesma área profissional não é necessariamente estudada ou aplicada da mesma maneira em todos os lugares.
Como é a experiência na prática? Estudantes da FSA contam
Os relatos de estudantes que já participaram do programa ajudam a tornar essa experiência menos abstrata.
A estudante de Psicologia Iris Tavares Fernandes cursou a disciplina Psicología Evolutiva: Niñez y Adolescencia por meio do eMOVIES. Durante as aulas, teve contato com estudantes e professores de diferentes países.
Ela destaca especialmente a possibilidade de observar o desenvolvimento humano a partir de outros contextos culturais:
“Tive a oportunidade de participar de aulas online com estudantes e professores de diferentes países, discussões sobre o desenvolvimento infantil e adolescente sob diferentes perspectivas culturais e atividades colaborativas internacionais.”
Para Iris, a experiência também trouxe situações que exigiram adaptação, como acompanhar outro idioma, compreender a dinâmica acadêmica de outra instituição e utilizar novas plataformas digitais.
Esses elementos fazem parte de uma característica importante da mobilidade: estudar remotamente não significa simplesmente reproduzir a rotina que o aluno já tem em sua instituição de origem.
A estudante Adriana Rodrigues da Rocha Dal Degran, também do curso de Psicologia, vivenciou outra experiência na Universidad Continental, no Peru, onde cursou Psicopatologia.
No relato, ela destaca um ganho diretamente relacionado à própria formação:
“Essa experiência me proporcionou maior aprofundamento nos conhecimentos em psicopatologia, desenvolvimento do pensamento crítico, ampliação da escuta clínica e maior sensibilidade para compreender diferentes contextos culturais.”
Ao mesmo tempo, Adriana precisou lidar com aspectos bastante práticos da participação em uma universidade estrangeira:
“Apesar da distância física, vivi desafios importantes, como a adaptação ao formato virtual e fuso horário, o uso de plataformas digitais e a comunicação intercultural.”
Os dois relatos completos estão disponíveis na página de Mobilidade Acadêmica da FSA, que também reúne outras experiências de estudantes e docentes que já participaram de programas internacionais.
O fuso horário pode fazer diferença?
Pode.
Uma aula realizada ao vivo segue normalmente o horário definido pela instituição que está oferecendo a disciplina. Dependendo do país, isso pode significar acompanhar uma atividade em um horário diferente daquele ao qual o estudante está acostumado.
Adriana menciona justamente a adaptação ao fuso horário porque sua disciplina na Universidad Continental acontecia em tempo real.
Esse é um bom exemplo de por que vale analisar as informações da disciplina antes de se candidatar.
Além do conteúdo, é importante verificar horários, idioma, calendário e formato das atividades para entender se a oportunidade é compatível com sua rotina naquele semestre.
Mobilidade virtual desenvolve autonomia?
Ela pode criar boas situações para exercitá-la.
Imagine ter que acompanhar as mensagens de uma instituição estrangeira, aprender a utilizar outra plataforma, organizar atividades com estudantes de diferentes países e cumprir o calendário de uma disciplina paralelamente às matérias da sua graduação.
Não é necessário realizar tudo sozinho, mas o estudante passa a ser responsável por acompanhar orientações que podem ser diferentes daquelas com as quais está acostumado.
No caso do eMOVIES na FSA, a Assessoria de Relações Internacionais apoia a comunidade nas etapas dos processos seletivos. Depois da aprovação, a universidade de destino assume as orientações específicas sobre o funcionamento da disciplina escolhida.
Essa combinação de apoio institucional e responsabilidade individual aparece também nos relatos dos participantes.
Dá para fazer amigos e conhecer pessoas mesmo sendo online?
A experiência de cada turma será diferente, mas a modalidade pode criar situações de contato entre estudantes de vários países.
Trabalhos coletivos, discussões durante as aulas e atividades em grupo são alguns dos espaços em que isso pode acontecer.
A página de Mobilidade Acadêmica da FSA traz, por exemplo, o relato da Profa. Sueli Cominetti Corrêa, do curso de Psicologia, que cursou uma disciplina na Universidad Continental e participou de grupos com pessoas da Argentina, México, Colômbia e outros países.
No ambiente virtual, a experiência intercultural acontece de maneira diferente daquela vivida por alguém que passa meses morando no exterior, mas o contato entre estudantes continua sendo uma parte importante da proposta.
O que é o eMOVIES?
O eMOVIES, Espaço de Mobilidade Virtual no Ensino Superior, é um programa de intercâmbio acadêmico virtual instituído pela Organização Universitária Interamericana, a OUI.
Seu objetivo é promover cooperação acadêmica internacional virtual e estimular a mobilidade de estudantes, docentes e profissionais técnico-administrativos de instituições de Ensino Superior das Américas.
A Fundação Santo André participa do programa e divulga periodicamente as oportunidades disponíveis.
Saiba mais sobre o programa de internacionalização eMOVIES em nosso blog
Quem pode participar do eMOVIES pela FSA?
Os critérios devem sempre ser conferidos no edital vigente, porque processos seletivos podem sofrer alterações.
Atualmente, a página da Mobilidade Acadêmica informa entre os requisitos para estudantes:
- estar regularmente matriculado na FSA;
- estar cursando ou já ter cursado o terceiro semestre da graduação;
- possuir índice acadêmico igual ou superior a 60;
- não estar submetido a sanções acadêmicas ou disciplinares no momento da candidatura;
- apresentar suficiência ou proficiência linguística quando a instituição de destino exigir.
O estudante também precisa observar os requisitos específicos da disciplina ou da universidade escolhida.
A candidatura inicial não significa aprovação automática pela instituição estrangeira. A universidade de destino também analisa os candidatos e é responsável pelo aceite definitivo.
Existe algum custo?
Na modalidade virtual oferecida pelo eMOVIES, o estudante da FSA fica isento de taxas acadêmicas cobradas pela instituição estrangeira participante, desde que mantenha o vínculo com a Fundação Santo André.
Como a experiência é online, também não existem os gastos típicos de uma mobilidade presencial, como passagem aérea e hospedagem.
Isso não significa que toda modalidade de internacionalização oferecida pela FSA siga necessariamente as mesmas condições. Por isso, é importante consultar as regras da oportunidade específica antes da candidatura.
A disciplina cursada gera algum comprovante?
Após realizar as atividades e avaliações previstas e ser aprovado, o estudante recebe da instituição de destino um certificado ou documento que atesta a conclusão da disciplina. Esse documento deve ser encaminhado à Assessoria de Relações Internacionais da FSA para que a mobilidade realizada seja registrada.
Esse registro também ajuda o aluno a documentar uma experiência acadêmica internacional em seu histórico de formação.
Isso pode ajudar no currículo?
Uma experiência internacional pode ser registrada no currículo porque documenta uma atividade acadêmica realizada em outra instituição.
Mas seu benefício não está apenas em acrescentar uma linha ao documento.
O que pode fazer diferença é conseguir explicar o que foi realizado: qual disciplina você cursou, quais conteúdos estudou, em que idioma ocorreram as atividades, como funcionavam os trabalhos e com quais contextos acadêmicos teve contato.
É uma lógica parecida com a que já discutimos no artigo sobre LinkedIn para estudantes: mesmo quem ainda não tem experiência profissional pode começar a construir repertório por meio das atividades desenvolvidas durante a graduação.
Mobilidade acadêmica virtual é útil apenas para quem pretende trabalhar fora do Brasil?
Não.
Conhecer outros contextos pode ser útil mesmo para quem pretende construir toda a carreira profissional aqui.
Empresas, universidades, pesquisas, tecnologias e problemas sociais circulam internacionalmente. Além disso, profissões são influenciadas por conhecimentos produzidos em diferentes países.
O contato com outras perspectivas também pode ajudar a perceber particularidades do próprio contexto brasileiro.
Na Psicologia, por exemplo, os relatos de Iris e Adriana mostram como questões relacionadas ao desenvolvimento humano e à saúde mental puderam ser observadas a partir de outros contextos culturais.
Essa capacidade de comparar e contextualizar conhecimentos pode ser aproveitada independentemente do lugar em que a pessoa decidir trabalhar depois da graduação.
E se eu tiver receio de não conseguir acompanhar?
Um pouco de insegurança diante de uma experiência nova é compreensível, especialmente quando ela envolve outro idioma, professores desconhecidos e uma universidade com procedimentos diferentes.
Por isso, o melhor caminho é avaliar a oportunidade de maneira concreta.
Veja em qual idioma a disciplina será oferecida. Confira os horários. Leia a descrição do conteúdo. Procure entender como serão as aulas e atividades e verifique se sua rotina naquele semestre permite assumir esse compromisso.
Os relatos dos estudantes da FSA também ajudam a mostrar que as dificuldades existem. Fuso horário, plataformas, idioma e comunicação intercultural aparecem explicitamente nas experiências de quem participou.
Ao mesmo tempo, são justamente algumas dessas situações que levaram os participantes a desenvolver maior organização, autonomia e contato com outras perspectivas acadêmicas.
A internacionalização também pode acontecer sem sair do campus
Pensar em internacionalização apenas como uma viagem pode fazer com que muitos estudantes nem considerem essa possibilidade durante a graduação.
Hoje, universidades trabalham com diferentes formatos de cooperação: disciplinas virtuais, aulas compartilhadas, projetos acadêmicos, eventos internacionais, intercâmbios presenciais e convênios entre instituições.
Na FSA, a Assessoria de Relações Internacionais reúne oportunidades presenciais e virtuais e acompanha os processos de mobilidade acadêmica. A instituição também mantém outras ações de internacionalização além do eMOVIES.
Essa é uma diferença importante para quem está pesquisando faculdades: internacionalização não precisa ser entendida apenas como a existência de um programa de intercâmbio tradicional.
É interessante observar quais oportunidades realmente chegam aos estudantes e de que maneiras eles conseguem participar delas.
Ao escolher uma faculdade, também observe as experiências que podem acompanhar a graduação
Grade curricular, infraestrutura e corpo docente são critérios importantes na escolha de uma instituição.
Também é interessante descobrir o que existe ao redor das disciplinas regulares.
Mobilidade acadêmica, iniciação científica, extensão, monitoria, semanas acadêmicas, atividades complementares e projetos permitem que o estudante conheça pessoas, temas e ambientes diferentes ao longo da formação.
A mobilidade virtual acrescenta a essa lista uma possibilidade específica: estudar uma área que você escolheu a partir da perspectiva de outra universidade e de outro contexto cultural, sem precisar interromper sua graduação no Brasil.
Os relatos de Iris e Adriana mostram duas experiências concretas desse processo. Elas estudaram Psicologia em uma universidade estrangeira, enfrentaram diferenças de idioma, plataformas, horários e formas de aprendizagem e encontraram nesses elementos novas maneiras de observar conteúdos que já faziam parte de sua formação.
Se você está escolhendo onde estudar, conheça os cursos de graduação da Fundação Santo André e também as experiências acadêmicas que podem fazer parte da formação ao longo dos semestres.