Etarismo no mercado de trabalho: o que é e como essa discriminação aparece
Você provavelmente já ouviu alguém dizer que uma pessoa é nova demais para assumir determinada responsabilidade ou que alguém mais velho terá dificuldade para aprender uma ferramenta nova.
Pode parecer apenas um comentário, mas é justamente aí que o etarismo começa a aparecer.
Etarismo é o preconceito ou a discriminação baseada na idade. No mercado de trabalho, ele acontece quando a idade de uma pessoa passa a pesar mais do que suas competências, experiências e capacidade de aprender.
O assunto ganha espaço em 1º de outubro, Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa, uma data que também chama a atenção para a necessidade de rever estereótipos relacionados ao envelhecimento. Mas essa é uma conversa que não precisa ficar restrita a um único dia do ano.
O que é etarismo no mercado de trabalho?
A Organização Mundial da Saúde explica o etarismo a partir de três pontos: os estereótipos que criamos sobre determinadas idades, o preconceito que pode surgir a partir deles e a discriminação que aparece nas nossas atitudes.
No trabalho, isso pode influenciar uma contratação, uma promoção, a escolha de quem participa de um projeto ou até a forma como uma pessoa é tratada pela própria equipe.
Pense em dois candidatos:
Um tem 20 anos e escuta que ainda é muito novo para assumir responsabilidades. O outro tem 55 e é descartado porque alguém acredita que terá dificuldade para acompanhar novas tecnologias.
São situações diferentes, mas existe algo em comum: a avaliação está sendo feita a partir da idade, e não do que aquelas pessoas realmente sabem ou podem fazer.
Etarismo acontece apenas com pessoas mais velhas?
Não.
O preconceito relacionado à idade pode atingir diferentes gerações. A própria Organização Mundial da Saúde aponta que o etarismo pode afetar pessoas de todas as idades.
Isso ajuda a entender por que alguém que está entrando no mercado também pode passar por situações como ouvir que não tem idade para liderar, que sua opinião tem menos peso porque é jovem ou que precisa aceitar determinadas condições porque ainda está começando.
Ao mesmo tempo, profissionais mais velhos enfrentam outras barreiras, como a ideia de que não conseguem acompanhar mudanças, têm dificuldade com tecnologia ou estão próximos demais da aposentadoria para receber um investimento em capacitação.
No caso das pessoas idosas, essas situações ainda se relacionam a uma discussão maior sobre participação, autonomia e direitos. O dia 1º de outubro foi instituído justamente para ampliar a conscientização sobre o envelhecimento e a valorização das pessoas idosas na sociedade.
Quais são exemplos de etarismo no mercado de trabalho?
Nem sempre o etarismo aparece em uma frase explícita como “não contratamos pessoas dessa idade”.
Ele também pode estar em decisões e comportamentos que parecem comuns no cotidiano.
Alguns exemplos são:
- estabelecer uma faixa de idade para uma vaga sem que exista uma razão relacionada à atividade;
- presumir que um profissional mais velho terá dificuldade com sistemas, inteligência artificial ou outras tecnologias;
- considerar automaticamente um profissional jovem imaturo ou despreparado;
- deixar de oferecer treinamentos a alguém porque a pessoa está próxima da aposentadoria;
- escolher profissionais mais novos para um projeto apenas por associar juventude à criatividade;
- fazer piadas frequentes sobre a idade de colegas;
- tratar muitos anos de experiência como sinônimo de desatualização;
- desconsiderar uma opinião porque ela veio de alguém considerado novo demais para entender o assunto.
O problema não está em reconhecer que pessoas têm experiências diferentes ao longo da vida. Ele aparece quando a idade, sozinha, vira uma explicação para aquilo que alguém consegue ou não consegue fazer.
Pode colocar limite de idade em uma vaga de emprego?
De maneira geral, a idade não deve ser usada como critério discriminatório para uma contratação.
No caso das pessoas idosas, o Estatuto da Pessoa Idosa determina que, na admissão para trabalho ou emprego, são vedadas a discriminação e a definição de um limite máximo de idade. A exceção ocorre quando a própria natureza do cargo exige essa condição.
A legislação brasileira também possui outras proteções contra práticas discriminatórias relacionadas à idade no acesso e na manutenção do trabalho.
Por isso, uma empresa precisa olhar para aquilo que a vaga realmente exige. Formação, conhecimento técnico, experiência, disponibilidade e determinadas competências podem ser relevantes para uma função. A idade não deve funcionar como um atalho para presumir se alguém possui essas características.
Experiência e capacidade de aprender não são coisas opostas
Talvez esse seja um dos estereótipos mais comuns quando falamos sobre idade e trabalho: imaginar que profissionais experientes carregam muitos conhecimentos, mas têm mais dificuldade para aprender algo novo.
Não existe uma regra assim.
Uma pessoa pode trabalhar há décadas em determinada área e continuar estudando, conhecendo novas ferramentas e acompanhando as mudanças da profissão. Da mesma maneira, alguém que acabou de sair da faculdade pode dominar tecnologias recentes e ainda precisar desenvolver conhecimentos que costumam vir com a experiência profissional.
É justamente por isso que equipes com pessoas de diferentes gerações podem ser interessantes.
Quem já passou por determinadas situações pode compartilhar repertório com quem está começando. Quem chegou ao mercado há pouco tempo também traz referências, conhecimentos e maneiras diferentes de realizar determinadas tarefas.
A OMS inclui o contato entre gerações entre as estratégias que podem contribuir para a redução do etarismo.
Como evitar o etarismo no ambiente de trabalho?
Combater o etarismo passa, primeiro, por perceber quando estamos usando a idade para tirar conclusões sobre alguém.
Para uma empresa, isso pode significar revisar anúncios de vagas, critérios de promoção e políticas de treinamento. Uma capacitação sobre uma ferramenta nova, por exemplo, não precisa ser destinada apenas aos profissionais mais jovens.
Também vale prestar atenção à linguagem usada no cotidiano. Comentários sobre alguém estar velho para fazer determinada coisa ou ser novo demais para entender um assunto podem ajudar a reforçar estereótipos.
Para quem ainda está começando a carreira, reconhecer essas situações também é importante. Trabalhar com pessoas de outras gerações faz parte da vida profissional e pode ser uma oportunidade de aprender com experiências muito diferentes das suas.
Existe idade certa para começar ou voltar a estudar?
Não existe uma única idade para estudar, escolher uma profissão ou aprender algo novo.
Algumas pessoas entram na graduação logo depois do Ensino Médio. Outras começam alguns anos depois. Há quem faça uma segunda graduação, mude de profissão, volte para a faculdade depois dos 40 ou decida iniciar um curso superior aos 60.
Os motivos também mudam.
Pode ser uma exigência profissional, o desejo de mudar de área, a necessidade de atualizar conhecimentos ou simplesmente a vontade de estudar um assunto que sempre interessou.
Aqui no Blog FSA, inclusive, já falamos especificamente sobre começar uma faculdade aos 60 anos. Esse conteúdo pode complementar a leitura para quem está pensando em retomar os estudos nessa fase da vida.
Na graduação e na pós-graduação, dividir a sala de aula com pessoas de idades e experiências diferentes também faz parte dessa convivência entre gerações.
Idade não resume uma trajetória profissional
A idade faz parte da história de uma pessoa, mas não informa, sozinha, o que ela sabe fazer.
Duas pessoas da mesma idade podem ter formações, experiências, interesses e conhecimentos completamente diferentes. Por isso, avaliar um profissional a partir de uma expectativa criada sobre a sua faixa etária significa deixar de olhar justamente para essas diferenças.
Para quem está começando agora, esse também é um bom ponto para levar para a vida profissional: você vai trabalhar com pessoas que começaram suas carreiras em momentos diferentes, aprenderam de formas diferentes e têm muito a ensinar umas às outras.
E aprender também pode continuar fazendo parte da carreira em qualquer idade.
Se esse é o momento de começar uma graduação, conhecer uma nova área ou retomar um plano de estudos, você pode consultar os cursos de graduação da FSA. Para quem já tem uma formação superior e busca aprofundamento ou atualização profissional, também estão disponíveis os cursos de pós-graduação da FSA.