Eleições 2026: o que fazem presidente, governador, senador e deputados?
No dia 4 de outubro de 2026, acontece o primeiro turno das Eleições Gerais. Na urna, serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Para quem vai votar pela primeira vez, são vários nomes, números e cargos para acompanhar. E uma dúvida pode aparecer antes mesmo de escolher os candidatos: afinal, o que cada uma dessas pessoas poderá fazer depois de eleita?
Presidente, governador, senador e deputados têm funções diferentes. Alguns ocupam cargos no Poder Executivo e estão ligados diretamente à administração pública. Outros fazem parte do Legislativo, onde participam da elaboração de leis, da discussão dos orçamentos e da fiscalização do Executivo.
Entender essa divisão ajuda na hora de votar e também depois da eleição, quando as decisões tomadas por esses representantes começam a aparecer no nosso cotidiano.
Resposta rápida: o que faz cada cargo nas Eleições 2026?
De forma resumida:
- Presidente da República: administra o governo federal e coordena políticas de alcance nacional.
- Governador: administra o estado e executa políticas públicas estaduais.
- Senador: representa o estado no Senado Federal, participa da elaboração de leis nacionais e exerce funções de fiscalização.
- Deputado federal: representa a população na Câmara dos Deputados, participa da elaboração de leis federais e fiscaliza o governo federal.
- Deputado estadual: cria e vota leis estaduais e fiscaliza o governo do estado.
A diferença entre esses cargos começa pela própria organização dos poderes públicos.
Executivo e Legislativo: qual é a diferença?
O presidente da República e os governadores fazem parte do Poder Executivo. De maneira geral, eles estão ligados à administração pública e à execução de políticas dentro de suas respectivas esferas.
Senadores e deputados integram o Poder Legislativo. Eles participam da elaboração das leis, discutem os orçamentos e fiscalizam a atuação do Executivo.
Essa divisão ajuda a entender por que uma autoridade política não pode decidir tudo sozinha.
Um deputado estadual, por exemplo, não administra diretamente os serviços públicos do estado. Da mesma forma, um governador não cria sozinho uma lei federal.
O que faz o presidente da República?
O presidente é o chefe do Poder Executivo federal e exerce as funções de chefe de Estado e de Governo.
Como chefe de Estado, representa o Brasil nas relações internacionais. Como chefe de Governo, é responsável pela administração federal e pela coordenação das políticas nacionais. Também pode apresentar projetos em matérias previstas na Constituição, além de sancionar ou vetar projetos aprovados pelo Congresso Nacional.
Por isso, assuntos nacionais relacionados a áreas como economia, educação, saúde, infraestrutura e relações internacionais podem envolver decisões do governo federal, respeitando as competências dos demais poderes e dos estados e municípios.
O que faz o governador?
O governador é o chefe do Poder Executivo estadual.
Cabe a ele administrar o estado e executar políticas públicas que estão sob responsabilidade estadual. Entre elas estão ações em áreas como saúde, segurança pública, educação e infraestrutura.
O governador também elabora propostas de orçamento, administra os recursos estaduais e pode sancionar ou vetar projetos aprovados pela Assembleia Legislativa.
Em São Paulo, por exemplo, o governador chefia o Poder Executivo estadual, enquanto os deputados estaduais atuam na Assembleia Legislativa.
O que faz um senador?
O senador não administra o estado. Ele representa seu estado no Senado Federal, em Brasília.
Senado e Câmara dos Deputados formam, juntos, o Congresso Nacional.
Os senadores participam da elaboração de leis nacionais, da discussão do orçamento da União e da fiscalização do Poder Executivo. O Senado também possui competências próprias previstas pela Constituição, como analisar determinadas indicações feitas pelo presidente da República.
Cada estado e o Distrito Federal possuem três senadores. Como o mandato dura oito anos e a renovação acontece de maneira alternada, em 2026 serão escolhidos dois senadores por unidade da Federação, totalizando 54 vagas.
É por isso que, nesta eleição, você encontrará dois momentos para votar para senador na urna.
O que faz um deputado federal?
Os deputados federais atuam na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Eles participam da elaboração e votação de leis de alcance federal, fiscalizam os atos do Poder Executivo e também participam da discussão e votação do orçamento da União.
Em 2026, serão preenchidas 513 vagas para deputado federal em todo o Brasil.
E o que faz um deputado estadual?
Os deputados estaduais trabalham nas assembleias legislativas de seus respectivos estados.
Entre suas funções estão discutir e votar leis estaduais, participar da análise das contas e do orçamento do estado e fiscalizar a atuação do governador e do Poder Executivo estadual.
No Distrito Federal, essa função é exercida pelos deputados distritais.
É por isso que uma proposta discutida por um deputado estadual não necessariamente poderia virar uma lei válida para todo o Brasil. Cada esfera possui suas próprias competências.
Por que existem tantos cargos diferentes?
Porque a administração pública brasileira divide responsabilidades entre União, estados e municípios, além de distribuir funções entre diferentes poderes.
Uma universidade federal, uma escola estadual e uma escola municipal, por exemplo, estão ligadas a esferas diferentes da administração pública.
Em algumas políticas, mais de uma esfera participa ao mesmo tempo. Em outras, a responsabilidade é mais específica.
Saber quem faz o quê não resolve toda essa estrutura de uma vez, mas já ajuda bastante a entender uma notícia, uma proposta apresentada durante uma campanha ou uma decisão tomada depois da eleição.
E essa relação entre eleições, instituições públicas e tecnologia também tem uma história bem próxima da FSA.
A FSA participou da informatização da apuração eleitoral em Santo André
Antes de a urna eletrônica fazer parte das eleições brasileiras, os votos eram registrados em cédulas de papel e passavam por um processo de contagem manual.
Em Santo André, uma experiência de informatização da apuração contou com a participação da Fundação Santo André e do Prof. Me. Orlando Dal Degran Junior, conhecido como Professor Badaroth.
Nos anos 1980, Badaroth já trabalhava com informática e desenvolvia sistemas para processamento de dados. Parte dessa experiência veio do esporte: o professor criou sistemas para trabalhar com estatísticas do voleibol, atividade que chegou às seleções brasileiras.
Segundo registros recuperados pelo Diário do Grande ABC, o então juiz Paulo Dias de Moura Ribeiro conheceu o trabalho desenvolvido por Badaroth e o procurou para colaborar com a informatização da apuração eleitoral em Santo André.
Na época, as cédulas continuavam sendo contadas manualmente, mas os votos já apurados eram encaminhados para processamento no computador. O sistema fazia a tabulação dos dados e auxiliava no cálculo da distribuição das cadeiras.
Ao relembrar esse período, o Prof. Badaroth contou:
Santo André era uma dos primeiras a apresentar o resultado [da apuração] ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e ao Tribunal Superior Eleitoral de Brasília.
E complementou:
A cada eleição, nós íamos sendo mais rápidos […] Começamos fazendo em 3 dias, na segunda eleição já foi pra 1 dia, depois, a gente já começou a trabalhar em horas.
A experiência aconteceu anos antes da adoção nacional da urna eletrônica e ajuda a contar uma parte da história da informatização do processo eleitoral em Santo André. O próprio Diário do Grande ABC dedicou uma série de reportagens à participação de Badaroth, de estudantes da FSA e de outros profissionais nesse período.
No vídeo abaixo, o Professor Badaroth conta mais sobre essa história e relembra como a informática passou das estatísticas do voleibol para a apuração das eleições de Santo André.
Quantas escolhas serão feitas na urna em 2026?
Embora estejamos falando de cinco tipos de cargo, o eleitor fará seis escolhas no primeiro turno das Eleições 2026.
Isso acontece porque, neste ano, serão escolhidos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal.
A ordem de votação será:
- deputado federal;
- deputado estadual ou distrital;
- senador, primeira vaga;
- senador, segunda vaga;
- governador e vice-governador;
- presidente e vice-presidente da República.
Como são seis escolhas e vários números, a Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor leve uma colinha em papel. O uso do celular não é permitido na cabine de votação.
A urna eletrônica terá novidades em 2026
Quem já votou em outras eleições também poderá perceber algumas mudanças na urna.
Em 2026, a interface ganhou uma barra de progresso na parte superior da tela, que permite acompanhar qual cargo está sendo votado e quais ainda faltam. A urna também passa a usar uma nova fonte voltada à legibilidade e amplia as orientações em Libras disponíveis durante a votação.
São mudanças na forma como as informações aparecem para o eleitor, enquanto a ordem dos cargos continua seguindo as regras definidas pela Justiça Eleitoral.
E se houver segundo turno?
O primeiro turno das Eleições 2026 acontece em 4 de outubro.
Onde houver necessidade de segundo turno, uma nova votação será realizada em 25 de outubro. O segundo turno pode ocorrer para presidente da República e governador.
Senadores e deputados são definidos no primeiro turno.
Entender os cargos também ajuda depois da eleição
A votação termina, mas o trabalho dos representantes eleitos está apenas começando.
Quando você entende quais são as atribuições de um presidente, governador, senador ou deputado, fica mais fácil acompanhar uma notícia e identificar quais autoridades participam de determinada decisão.
Também ajuda a compreender assuntos que aparecem com frequência no noticiário, como projetos de lei, orçamento público, vetos, fiscalização e execução de políticas públicas.
Para quem vai votar pela primeira vez em 2026, não é necessário conhecer toda a estrutura do Estado de uma vez. Entender a função dos cargos que aparecem na urna já é um bom ponto de partida para acompanhar o que acontece depois dela.
Se assuntos relacionados às leis, à administração, à sociedade, à economia, às relações internacionais ou à tecnologia despertam o seu interesse, eles também podem fazer parte da escolha de uma formação.
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