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Cerveja faz mal à saúde? Entenda os efeitos do álcool

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+Cerveja faz mal à saúde? Entenda os efeitos do álcool no organismo

A cerveja está presente em encontros com amigos, comemorações, churrascos e diferentes situações de convivência. Por ser uma bebida tão comum, também surgem dúvidas sobre seus efeitos: beber cerveja faz mal à saúde? Existe uma quantidade segura? Os antioxidantes encontrados na bebida trazem algum benefício?

Embora a cerveja contenha componentes provenientes dos cereais, do malte e do lúpulo, ela também contém álcool. E é justamente o álcool que precisa estar no centro dessa discussão.

Segundo a Profa. MsC. Kelly Cristina Batista de Souto Queiroz, professora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André, a cerveja não deve ser entendida como uma estratégia para melhorar a saúde.

“A cerveja não pode ser considerada um alimento funcional nem uma estratégia para promoção da saúde. Embora contenha alguns compostos bioativos, os riscos associados ao consumo excessivo de álcool superam eventuais benefícios para a maioria das pessoas.”

As evidências científicas atuais também indicam que o consumo de álcool está relacionado a diferentes riscos à saúde e que, de maneira geral, consumir menos representa menor risco do que consumir mais.

Então, aproveitando o Dia Internacional da Cerveja, celebrado na primeira sexta-feira de agosto, vamos entender um pouco mais sobre essa bebida tão popular.

O que a cerveja contém?

A cerveja é produzida pela fermentação de cereais, principalmente a cevada, e sua composição inclui água, carboidratos e diferentes substâncias provenientes das matérias-primas e do processo de fabricação.

Também podem estar presentes pequenas quantidades de vitaminas do complexo B e compostos fenólicos originados do malte e do lúpulo.

Isso, porém, não significa que a cerveja deva ser consumida com o objetivo de obter nutrientes ou antioxidantes.

“Esses compostos antioxidantes existem, mas estão presentes em concentrações relativamente baixas. Não há justificativa científica para recomendar o consumo de cerveja como forma de obter benefícios à saúde.”

Alimentos como frutas, verduras, legumes, cereais e outras fontes alimentares permitem obter nutrientes e compostos bioativos sem a exposição ao álcool.

A relação entre alimentação e saúde também envolve substâncias que podem se formar durante o preparo dos alimentos. Um exemplo é a acrilamida, composto que pode surgir em alimentos submetidos a altas temperaturas, como frituras, torradas e alguns produtos assados.

O que acontece no organismo quando bebemos cerveja?

Depois da ingestão, o álcool é absorvido pelo sistema digestório e chega à corrente sanguínea. Sua metabolização ocorre principalmente no fígado, mas seus efeitos alcançam diferentes partes do organismo, incluindo cérebro, sistema cardiovascular, aparelho digestivo e pâncreas.

Conforme a quantidade ingerida e características individuais, o álcool pode afetar a capacidade de raciocínio, o comportamento e a coordenação motora.

Entre os efeitos que podem aparecer após o consumo estão:

  • redução da atenção e dos reflexos;
  • alterações na coordenação motora;
  • dificuldade para avaliar situações e tomar decisões;
  • sonolência;
  • alterações no funcionamento do organismo relacionadas à ingestão de álcool.

Por isso, mesmo quando a pessoa acredita estar se sentindo bem, dirigir depois de beber nunca é uma escolha segura.

O consumo frequente ou excessivo de álcool pode afetar vários órgãos

Os efeitos do álcool não ficam restritos ao fígado.

O consumo excessivo, especialmente quando frequente, pode estar relacionado a problemas no fígado, coração, sistema digestório, pâncreas, cérebro e sistema imunológico. O álcool tem participação causal em mais de 200 doenças, lesões e outras condições de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde.

“O consumo excessivo sobrecarrega o fígado, interfere no metabolismo, aumenta processos inflamatórios e pode favorecer o desenvolvimento de diversas doenças crônicas.”

Entre as condições associadas ao consumo de álcool estão:

  • doenças hepáticas, incluindo esteatose, hepatite associada ao álcool e cirrose;
  • hipertensão arterial;
  • doenças cardiovasculares;
  • pancreatite;
  • problemas digestivos;
  • transtorno por uso de álcool;
  • alterações relacionadas à ansiedade e à depressão;
  • diferentes tipos de câncer.

A cerveja também fornece calorias, algo que precisa ser considerado dentro do conjunto da alimentação e dos hábitos de cada pessoa.

“Muitas pessoas esquecem que as bebidas alcoólicas também representam uma fonte significativa de calorias e podem dificultar o controle do peso corporal.”

Cerveja aumenta o risco de câncer?

O álcool presente na cerveja, assim como aquele encontrado no vinho, nos destilados e em outras bebidas alcoólicas, é reconhecido como carcinógeno.

O consumo está associado a maior risco de diferentes tipos de câncer, incluindo câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, colorretal e mama. Para alguns tipos de câncer, o risco já aumenta em baixos níveis de consumo.

Isso também ajuda a explicar por que a discussão atual sobre álcool e saúde não se resume a separar o consumo entre “bom” e “ruim” apenas com base em uma quantidade.

De maneira geral, quanto menor a exposição ao álcool, menor tende a ser o risco relacionado ao seu consumo.

Afinal, beber cerveja faz bem para o coração?

Por muitos anos, estudos observacionais levantaram a hipótese de que pequenas quantidades de determinadas bebidas alcoólicas poderiam estar relacionadas a alguns benefícios cardiovasculares.

Essa interpretação é hoje vista com mais cautela. Evidências atuais apontam riscos associados ao álcool mesmo em baixos níveis de consumo, e órgãos de saúde não recomendam que uma pessoa que não bebe comece a consumir álcool buscando proteger o coração ou obter outros benefícios à saúde.

“Atualmente, os principais órgãos de saúde não orientam que alguém comece a beber para obter benefícios cardiovasculares. Existem formas muito mais seguras e eficazes de proteger o coração, como alimentação equilibrada, atividade física e controle dos fatores de risco.”

Portanto, os possíveis compostos benéficos encontrados na cerveja não anulam os riscos relacionados ao álcool.

Se a pessoa bebe cerveja, como reduzir os riscos?

Não existe uma maneira de eliminar completamente os riscos relacionados ao álcool. Para adultos que optam por beber, reduzir a quantidade e a frequência diminui a exposição e, consequentemente, parte dos riscos associados.

Alguns cuidados também ajudam a evitar situações de maior risco:

  • não dirigir depois de consumir álcool;
  • evitar grandes quantidades em uma mesma ocasião;
  • intercalar o consumo com água;
  • alimentar-se adequadamente;
  • observar possíveis interações entre álcool e medicamentos;
  • não utilizar bebidas alcoólicas como estratégia para relaxar, dormir ou enfrentar situações emocionais difíceis.

É importante lembrar que fatores como idade, condições de saúde, medicamentos utilizados e histórico de consumo também precisam ser considerados.

Quem deve evitar bebidas alcoólicas?

Existem situações nas quais o consumo de álcool deve ser evitado, incluindo a gravidez e condições em que a bebida possa interagir com medicamentos ou agravar problemas de saúde.

Pessoas com determinadas doenças e aquelas em tratamento medicamentoso devem buscar orientação profissional antes de consumir bebidas alcoólicas. Quem apresenta dificuldade para controlar o consumo também precisa de atenção específica.

A segurança de uma bebida alcoólica não depende apenas do tipo de bebida. Cerveja, vinho e destilados contêm álcool e podem trazer riscos.

E a cerveja sem álcool?

Para quem gosta do sabor ou do aspecto social relacionado à bebida, as versões sem álcool podem ser uma alternativa em determinadas situações.

A própria convivência, porém, não precisa depender do consumo de bebidas alcoólicas.

“O convívio social é importante, mas ele não precisa estar necessariamente associado ao consumo de álcool. Hoje existem diversas alternativas, inclusive bebidas sem álcool, que permitem momentos de confraternização com mais segurança.”

Essa mudança de perspectiva é especialmente importante porque ajuda a separar duas questões diferentes: participar de um encontro social e consumir álcool.

Informação ajuda a fazer escolhas mais conscientes

Quando o assunto é cerveja e saúde, a ciência não sustenta a ideia de consumir a bebida para obter benefícios nutricionais ou cardiovasculares.

Para quem não bebe, não existe razão de saúde para começar. Para quem consome bebidas alcoólicas, conhecer os efeitos do álcool, evitar excessos e reduzir a exposição são atitudes que ajudam a diminuir riscos.

Conhecer como substâncias presentes na alimentação e nas bebidas interagem com o organismo também faz parte de áreas estudadas por profissionais da saúde, entre elas a Biomedicina.

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