Como o sono ajuda a memória e o aprendizado?
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Quando uma prova se aproxima e ainda há muita matéria para revisar, diminuir algumas horas de sono pode parecer uma maneira de ganhar tempo. Para o cérebro, porém, estudar por mais tempo não significa necessariamente aprender mais.
O sono participa de processos relacionados à atenção, à aprendizagem e à formação de memórias. Enquanto você dorme, o cérebro continua ativo, organiza informações recebidas ao longo do dia e realiza processos importantes para que parte do que foi aprendido possa ser recuperada posteriormente.
Isso ajuda a explicar por que dormir não deveria ser visto como um intervalo improdutivo entre dois períodos de estudo. Para quem está no Ensino Médio, se preparando para o vestibular ou começando a faculdade, o sono também faz parte da maneira como o cérebro aprende.
Resposta rápida: dormir ajuda mesmo a aprender?
Sim. O sono participa tanto da capacidade de aprender novas informações quanto da consolidação das memórias formadas depois do estudo.
Dormir pouco pode prejudicar atenção, concentração, tomada de decisões e aprendizagem. Além disso, a privação de sono pode dificultar a formação e a consolidação de novas memórias.
Por isso, substituir repetidamente horas de sono por mais tempo diante dos livros pode produzir o efeito contrário ao esperado.
O que acontece com o cérebro enquanto dormimos?
Dormir não significa que o cérebro simplesmente diminui suas atividades até o momento de acordar.
Ao longo da noite, passamos por diferentes estágios do sono, que se repetem em ciclos. Eles incluem fases do sono não REM e do sono REM, conhecido também pela maior ocorrência de sonhos vívidos.
Esses diferentes estágios participam de funções relacionadas ao descanso do organismo, ao funcionamento cerebral e ao processamento das informações. Determinadas fases do sono também estão relacionadas à aprendizagem e à formação de memórias.
Em outras palavras, parte do trabalho iniciado quando você está lendo um capítulo, acompanhando uma aula ou resolvendo exercícios continua depois que os estudos terminam.
Como uma informação vira memória?
Imagine que você acabou de aprender uma fórmula de Física, um conceito de Biologia ou um acontecimento histórico.
Em um primeiro momento, essa informação precisa ser registrada pelo cérebro. Depois, determinadas memórias passam por processos de estabilização e organização que permitem que sejam recuperadas posteriormente.
O sono participa dessa consolidação. Durante esse período, memórias recentes podem ser reativadas e reorganizadas pelo cérebro, contribuindo para a preservação de informações importantes.
Isso não significa que dormir substitua estudar. Para que uma informação seja consolidada, primeiro é preciso ter contato com ela, prestar atenção, compreendê-la e praticá-la. O sono entra como parte desse processo.
O sono antes de estudar também importa
A relação entre sono e aprendizagem não começa apenas depois que você fecha o caderno.
Dormir adequadamente antes de estudar ajuda o cérebro a estar em melhores condições para receber informações novas. Quando uma pessoa está privada de sono, atenção e concentração podem diminuir, e a capacidade de registrar novas memórias também pode ser prejudicada.
É fácil perceber isso no cotidiano. Depois de uma noite ruim, pode ser mais difícil acompanhar uma explicação longa, manter a concentração durante uma leitura ou perceber detalhes de um problema.
Por isso, sono e estudo formam uma relação de duas etapas: estar descansado ajuda a aprender, enquanto dormir depois do aprendizado participa da consolidação do que foi estudado.
Virar a noite estudando pode prejudicar a prova?
Estudar até tarde em uma situação específica não significa automaticamente que todo o conteúdo será perdido. O problema aparece quando a tentativa de aumentar as horas de estudo reduz significativamente o período de sono.
A privação de sono pode prejudicar concentração, raciocínio, tempo de reação e tomada de decisões. O cérebro cansado também pode ter mais dificuldade para utilizar adequadamente informações que já foram estudadas.
Assim, aquela madrugada usada para revisar vários capítulos pode vir acompanhada, na manhã seguinte, de dificuldade para manter a atenção justamente durante a prova.
Uma preparação distribuída ao longo de vários dias permite que estudo, revisão e sono façam parte da rotina, em vez de concentrar toda a aprendizagem nas últimas horas antes da avaliação.
Esse planejamento também ajuda a diminuir a sensação de que é necessário estudar até a exaustão. No artigo Como organizar sua rotina de estudos na faculdade, mostramos algumas maneiras de distribuir as atividades acadêmicas ao longo da semana.
Quantas horas um estudante precisa dormir?
A necessidade varia de acordo com a idade e as características individuais, mas existem recomendações gerais.
Para adolescentes entre 13 e 18 anos, a referência mais utilizada fica entre aproximadamente 8 e 10 horas de sono a cada 24 horas. Para adultos, a recomendação costuma partir de cerca de 7 horas por noite.
Para boa parte dos estudantes que estão terminando o Ensino Médio, portanto, dormir apenas cinco ou seis horas constantemente significa permanecer abaixo da quantidade normalmente recomendada.
Também não basta observar apenas o número de horas. A qualidade e a regularidade do sono importam. Uma pessoa pode passar bastante tempo na cama e ainda acordar sem se sentir descansada se o sono for frequentemente interrompido.
E o celular antes de dormir?
O celular merece atenção porque costuma ocupar justamente o período em que muitas pessoas deveriam começar a desacelerar.
Além do tempo gasto rolando vídeos, mensagens e redes sociais, a exposição à luz participa da regulação do relógio biológico e pode interferir nos sinais que ajudam o organismo a perceber que chegou a hora de dormir.
Isso não significa que olhar para uma tela por alguns minutos inevitavelmente causará problemas de sono. O ponto é observar o conjunto da rotina, especialmente quando o celular começa a adiar o horário de dormir todos os dias.
Esse assunto também aparece no artigo Uso do celular à noite prejudica emagrecimento, que aborda outras relações entre o sono, a exposição noturna às telas e o funcionamento do organismo.
Como organizar estudo e sono na mesma rotina?
Quando existe muito conteúdo para estudar, a solução não precisa ser escolher entre dormir e estudar. Uma estratégia mais equilibrada é distribuir melhor o trabalho acadêmico.
Revisar o conteúdo em diferentes momentos, evitar deixar grandes volumes de matéria para a véspera, definir horários possíveis para os estudos e manter alguma regularidade no período de sono ajuda a criar condições melhores para aprender.
Também é importante perceber que descanso não corrige sozinho um método de estudo pouco eficiente. Dormir oito horas depois de passar a tarde apenas relendo o mesmo parágrafo não garante que aquele conteúdo será aprendido.
O processo funciona melhor quando existem atenção durante o estudo, exercícios, revisões, tentativa de recuperar a informação sem consultar o material e períodos adequados de descanso.
Antes das provas, também é importante criar momentos de pausa
Em períodos de avaliação, é comum que a rotina fique mais intensa. Aumentam as revisões, os trabalhos para entregar e aquela sensação de que qualquer intervalo poderia ser usado para estudar mais um pouco.
Organizar esses períodos, porém, também envolve reservar algum espaço para descanso, lazer e convivência. Uma pausa não substitui o estudo, mas pode ajudar a evitar uma rotina acadêmica baseada apenas em longos períodos de esforço e poucas oportunidades de recuperação.
Na Fundação Santo André, uma das ações realizadas nos períodos que antecedem as provas é a Semana da Descompressão.
A programação normalmente reúne atividades de lazer e convivência em diferentes espaços do campus, com opções como jogos, música, atividades recreativas e outros momentos que ajudam a quebrar um pouco o ritmo mais intenso das semanas anteriores às avaliações.
A iniciativa também apresenta ao estudante uma dimensão importante da vida universitária. Preparar-se para uma prova envolve estudar, revisar e organizar o conteúdo, mas também encontrar uma rotina em que descanso, alimentação, sono e momentos de convivência tenham espaço.
Para quem está entrando na faculdade, perceber isso desde o início pode ajudar a construir hábitos acadêmicos mais sustentáveis ao longo do semestre.
Sono, descanso e organização fazem parte da vida acadêmica
Ao entrar na faculdade, a rotina tende a mudar. Surgem aulas, trabalhos em grupo, leituras, provas, atividades complementares e, para muitos estudantes, a necessidade de conciliar estudo e trabalho.
Nesse cenário, dormir pode ser uma das primeiras atividades sacrificadas quando o tempo parece insuficiente.
Só que o cérebro continua precisando de condições adequadas para aprender. Sono insuficiente pode dificultar justamente algumas capacidades exigidas na vida acadêmica, como concentração, resolução de problemas, aprendizagem e tomada de decisões.
Criar uma rotina possível, portanto, também significa reconhecer que estudar por muitas horas não é o único indicador de dedicação. Aprender depende da maneira como esse tempo é usado e das condições físicas e cognitivas para aproveitar o estudo.
Caso dificuldades para dormir, despertares frequentes ou sonolência excessiva durante o dia sejam persistentes, é importante procurar avaliação de um profissional de saúde, já que problemas de sono podem ter diferentes causas.
Para quem gosta de entender como comportamento, cérebro, saúde e aprendizagem estão relacionados, áreas como Psicologia, Biomedicina e outras formações em saúde permitem estudar esses processos sob diferentes perspectivas. Você pode conhecer os cursos de graduação da Fundação Santo André em www.fsa.br/graduacao.



