Você está visualizando atualmente Como o cérebro aprende? Atenção, memória e aprendizagem

Como o cérebro aprende? Atenção, memória e aprendizagem

Compartilhe
21 Views

Como o cérebro aprende? Entenda o papel da atenção, da memória e da prática

Você termina de ler algumas páginas, fecha o material e percebe que seria difícil explicar o que acabou de estudar.

Em outro momento, resolve uma questão, erra, volta ao conteúdo para entender o motivo e, alguns dias depois, ainda se lembra daquela resposta.

As duas situações ajudam a perceber uma diferença importante: ter contato com uma informação não significa necessariamente aprendê-la.

Aprender envolve atenção, memória, conhecimentos anteriores, prática e outros processos que acontecem de forma integrada. Enquanto isso, o cérebro também é capaz de modificar sua organização a partir das experiências.

Essa capacidade é chamada de neuroplasticidade.

E ela ajuda a entender por que aprender não significa simplesmente colocar informações dentro da cabeça.

Resposta rápida: como o cérebro aprende?

De maneira simplificada, quando aprendemos, o cérebro recebe informações, direciona a atenção para parte delas, relaciona o conteúdo ao que já sabemos e cria condições para que essas informações possam ser recuperadas posteriormente.

Alguns processos têm participação importante:

  • atenção, que ajuda a selecionar informações;
  • memória, envolvida no registro, armazenamento e recuperação do que aprendemos;
  • prática, que permite voltar ao conhecimento e utilizá-lo novamente;
  • funções executivas, relacionadas a planejamento, controle da atenção e organização;
  • emoções e motivação, que também podem interferir em como nos envolvemos com uma tarefa.

Um artigo publicado na Revista Brasileira de Educação reúne justamente essas relações entre neuroplasticidade, atenção, memória, motivação, emoções, funções executivas e aprendizagem.

Mas isso não significa que o cérebro tenha uma única fórmula para aprender qualquer coisa.

Memorizar uma informação, compreender um conceito de Física, escrever uma redação e aprender a tocar um instrumento são tarefas diferentes.

O que é neuroplasticidade?

Neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de passar por modificações em resposta às experiências.

Isso significa que o cérebro não é uma estrutura que simplesmente fica pronta e permanece igual pelo restante da vida.

As experiências, os conhecimentos adquiridos e aquilo que praticamos podem participar de mudanças nas conexões e no funcionamento das redes neurais.

A relação entre neuroplasticidade e aprendizagem também aparece na produção acadêmica da Profa. Me. Inda Lages Nascimento, responsável pela Especialização em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo da Fundação Santo André.

No trabalho Como ocorre a aprendizagem humana possibilitada pela neuroplasticidade, apresentado na 3ª Semana de Conhecimento, em 2022, a professora discute como uma experiência pode produzir modificações no cérebro e aborda conceitos como a Lei de Hebb, potenciação de longo prazo, neuroplasticidade e consolidação da memória.

É uma maneira de olhar para algo que fazemos todos os dias, aprender, a partir das mudanças que acontecem no próprio cérebro.

Por que a atenção é importante para aprender?

Enquanto você lê este texto, provavelmente existem outras coisas tentando disputar sua atenção.

Uma notificação aparece no celular. Alguém conversa perto de você. Uma música está tocando. Você lembra de outra tarefa que ainda precisa terminar.

O cérebro recebe muitas informações, mas não trata todas com a mesma profundidade.

A atenção ajuda justamente a selecionar aquilo que terá prioridade naquele momento. Por isso, ela está tão ligada à aprendizagem. A revisão publicada na Revista Brasileira de Educação inclui a atenção entre as funções relacionadas aos processos de aprender.

Isso também ajuda a explicar uma experiência bastante comum nos estudos: você pode passar os olhos por uma página inteira e perceber, no final, que quase não sabe dizer o que leu.

A leitura aconteceu. A atenção, nem tanto.

Também é um dos motivos pelos quais alternar constantemente entre a matéria, mensagens, vídeos curtos e outras tarefas pode tornar o estudo mais difícil.

Em muitas situações, o cérebro não está realmente realizando várias tarefas que exigem atenção ao mesmo tempo. Está mudando o foco de uma para outra.

E onde entra a memória?

Memória não é apenas conseguir lembrar o nome de uma pessoa ou uma fórmula durante uma prova.

Existem diferentes sistemas e processos de memória.

A memória de trabalho, por exemplo, ajuda a manter e manipular informações durante um período curto. Você a utiliza quando tenta fazer uma conta mental ou acompanha várias etapas de uma explicação.

Já a memória de longo prazo permite recuperar conhecimentos depois de períodos maiores.

Essa diferença é importante para quem estuda.

Você pode compreender uma explicação enquanto o professor fala e, ainda assim, ter dificuldade para recuperar aquela informação na semana seguinte.

Parte da aprendizagem está justamente em construir condições para conseguir acessar novamente o que foi estudado.

A própria especialização da FSA trabalha esse assunto em disciplinas relacionadas aos aspectos neuropsicológicos da aprendizagem e às funções executivas. A matriz aborda memória de trabalho, atenção, autorregulação, planejamento e outros processos cognitivos associados ao desempenho acadêmico.

Por que relacionar um conteúdo novo ao que você já sabe ajuda?

Imagine receber uma explicação sobre um assunto desconhecido usando apenas conceitos que você também nunca ouviu.

Fica difícil encontrar algum ponto de apoio.

Agora pense em quando um professor começa uma explicação por uma situação que você conhece e, a partir dela, apresenta um conceito novo.

O conhecimento anterior ajuda a dar sentido à nova informação.

É por isso que estudar também pode envolver fazer relações, criar seus próprios exemplos, comparar conceitos e tentar explicar uma ideia com outras palavras.

Em matérias como Matemática, Química ou Língua Portuguesa, isso fica ainda mais evidente. Muitos conteúdos dependem de conhecimentos anteriores.

Se a base não está clara, o próximo assunto pode parecer muito mais complicado do que realmente é.

Reler várias vezes significa que você aprendeu?

Não necessariamente.

Reler tem sua utilidade. Quando você ainda está conhecendo um conteúdo, voltar ao texto pode ajudar a compreendê-lo melhor.

O problema é quando a releitura se torna a única estratégia.

Depois de encontrar a mesma informação várias vezes, ela começa a parecer familiar. E familiaridade pode ser confundida com aprendizagem.

Você olha uma definição e pensa: “eu sei isso”.

Quando fecha o livro e tenta explicá-la sem consultar o material, percebe que ainda faltava alguma coisa.

Por isso, uma possibilidade é combinar a leitura com momentos em que você tenta recuperar o conteúdo sozinho.

Tentar lembrar também pode ajudar a aprender

Depois de estudar um capítulo, experimente fechar o material e responder:

Quais eram as três ideias mais importantes?

Você pode não lembrar de tudo. E justamente essa tentativa é interessante.

Um artigo brasileiro publicado em Psicologia Escolar e Educacional discute a prática de recuperação da memória, também relacionada ao chamado efeito de teste. As autoras mostram como testar conteúdos aprendidos pode ser utilizado não apenas para avaliar o estudante, mas também para favorecer a aprendizagem e a autorregulação dos estudos.

Nesse contexto, “teste” não precisa significar uma prova valendo nota.

Pode ser:

  • responder questões sem consultar imediatamente o material;
  • usar flashcards;
  • tentar escrever o que você lembra sobre um tema;
  • explicar a matéria para outra pessoa;
  • resolver novamente um exercício;
  • criar perguntas sobre o conteúdo para responder depois.

Quando você não consegue responder, também ganha uma informação útil: descobriu exatamente o que precisa estudar novamente.

É melhor estudar tudo de uma vez ou voltar ao conteúdo em outros dias?

Você tem cinco horas para estudar determinada matéria.

Pode usar todas na véspera da prova ou distribuir esse tempo em diferentes dias.

O total de horas é o mesmo, mas a forma como elas são organizadas pode influenciar a aprendizagem.

A chamada prática distribuída consiste em separar as sessões de estudo ao longo do tempo, em vez de concentrar toda a prática em um único período.

Uma discussão publicada na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos recupera pesquisas sobre estratégias de aprendizagem e aponta benefícios da prática distribuída em comparação com períodos concentrados e prolongados de estudo.

Isso é especialmente útil para quem está se preparando para uma prova extensa, como o Enem.

Estudar um conteúdo em março e nunca mais voltar a ele até novembro provavelmente não é a melhor maneira de mantê-lo disponível na memória.

Revisar também não significa necessariamente ler tudo de novo. Resolver algumas questões ou tentar recuperar os conceitos principais pode ser outra maneira de reencontrar aquele conteúdo.

Dormir também faz parte da aprendizagem?

Dormir não substitui o estudo.

Mas também não é apenas um intervalo improdutivo entre uma sessão e outra.

Um estudo publicado na Revista Paulista de Pediatria analisou 481 estudantes do Ensino Médio, com idades entre 14 e 19 anos, e encontrou associação entre pior percepção da qualidade do sono e maior dificuldade relatada para assimilar os conteúdos trabalhados em sala de aula.

Esse dado é particularmente próximo da realidade de quem está se preparando para provas, vestibulares ou Enem.

Em períodos mais intensos, pode parecer que cortar algumas horas de sono significa ganhar algumas horas de estudo.

Só que atenção, disposição e memória também dependem das condições em que você chega àquele momento.

O trabalho apresentado pela Profa. Inda Lages Nascimento também aborda o sono no contexto dos processos relacionados à consolidação da aprendizagem.

Isso não quer dizer que dormir depois de colocar uma videoaula para tocar fará alguém acordar sabendo o conteúdo.

O estudo precisa acontecer enquanto você está acordado.

Emoções e motivação também interferem na aprendizagem?

Sim, embora isso não queira dizer que só aprendemos aquilo de que gostamos.

Você provavelmente já estudou uma matéria que não estava entre as suas favoritas e conseguiu aprender mesmo assim.

Ainda assim, motivação, interesse, emoções e contexto podem interferir em atenção, envolvimento e persistência diante de uma tarefa.

A revisão brasileira sobre neurociência e aprendizagem inclui motivação e emoções entre os processos que se relacionam à aprendizagem.

Essa é uma das razões pelas quais estudar como o cérebro aprende não significa olhar apenas para memória.

A aprendizagem acontece com uma pessoa inteira, inserida em determinado contexto.

O que são funções executivas?

Você planejou estudar às 19h.

Às 19h05, recebe uma notificação.

Às 19h10, lembra que ainda precisa terminar outra tarefa.

Às 19h20, percebe que o conteúdo está mais difícil do que imaginava e precisa decidir se continua, busca outra explicação ou muda a estratégia.

Organizar essas ações envolve processos chamados de funções executivas.

Eles estão relacionados a habilidades como:

  • memória de trabalho;
  • controle inibitório;
  • flexibilidade cognitiva;
  • planejamento;
  • organização;
  • monitoramento;
  • tomada de decisão.

Na especialização em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo da FSA, há uma disciplina dedicada às funções executivas e às suas relações com aprendizagem, autorregulação, organização do comportamento e resolução de problemas.

São conceitos que parecem muito técnicos quando aparecem pelo nome, mas fazem parte de situações bastante comuns na vida de quem estuda.

Cada pessoa tem um único jeito de aprender?

Pessoas diferentes carregam conhecimentos anteriores, experiências, interesses e necessidades diferentes.

Isso não significa que cada uma tenha um único “estilo de aprendizagem” e só consiga aprender quando todo conteúdo é apresentado daquela maneira.

O tipo de conhecimento também importa.

Para aprender a pronúncia de uma língua, ouvir é importante. Para desenvolver escrita, é preciso escrever. Para Matemática, resolver problemas faz parte do processo.

Preferir vídeos não significa que alguém só aprende assistindo. Gostar de ler não significa que a leitura será a estratégia mais adequada para qualquer habilidade.

Compreender diferenças entre estudantes pode ajudar a ampliar possibilidades de ensino. É diferente de colocar cada pessoa em uma categoria fixa.

Como usar essas ideias para estudar melhor?

Você não precisa conhecer todos os termos da neurociência para organizar melhor os estudos.

Alguns princípios podem ser levados para a rotina:

  1. Reduza algumas interrupções quando precisar se concentrar.
  2. Tente entender o conteúdo e relacioná-lo ao que você já sabe.
  3. Depois de estudar, teste o que consegue lembrar sem olhar.
  4. Faça exercícios e observe onde estão os erros.
  5. Volte aos assuntos em dias diferentes.
  6. Escolha a estratégia de acordo com o que precisa aprender.
  7. Inclua descanso e sono no planejamento.

Nenhuma dessas práticas elimina uma matéria difícil ou garante que você nunca vai esquecer um conteúdo.

Elas apenas ajudam a tornar o estudo menos passivo.

Neurociência também pode ajudar quem trabalha com educação

Para quem está no Ensino Médio, entender atenção, memória e prática pode ajudar a olhar para os próprios hábitos de estudo.

Para professores e outros profissionais da educação, surge uma questão diferente: como conhecimentos sobre desenvolvimento cognitivo e aprendizagem podem contribuir para a prática pedagógica?

É justamente nessa relação que está a Especialização em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo da Fundação Santo André.

O curso tem 360 horas, duração entre 6 e 12 meses e modalidade EAD+. É direcionado a professores da Educação Básica e do Ensino Superior, pedagogos, coordenadores, supervisores, orientadores educacionais, profissionais ligados à formação docente e outros graduados interessados na relação entre neurociência e aprendizagem.

A matriz reúne temas como aspectos neuropsicológicos da aprendizagem, desenvolvimento afetivo, cultura digital, inteligência artificial aplicada à educação e funções executivas.

A professora responsável pelo curso, Profa. Me. Inda Lages Nascimento, é psicóloga, especialista em Neuropsicologia e mestre em Neurociência e Cognição. Atua nas áreas de Neuropsicologia, Avaliação Neuropsicológica e docência no Ensino Superior.

Sua produção acadêmica também inclui o trabalho Como ocorre a aprendizagem humana possibilitada pela neuroplasticidade, apresentado em 2022, que aproxima justamente dois assuntos centrais deste artigo: o que acontece no cérebro durante a aprendizagem e como as experiências podem produzir mudanças relacionadas à formação do conhecimento.

Para quem já concluiu uma graduação e quer aprofundar essa relação entre cérebro, desenvolvimento cognitivo e educação, vale conhecer a especialização da FSA.

Conheça a Especialização em Neurociência Aplicada à Aprendizagem e Desenvolvimento Cognitivo

E, para quem ainda está escolhendo a primeira formação, diferentes cursos da FSA se aproximam de temas relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento humano.

Conheça os cursos de graduação da FSA

Deixe um comentário