Você está visualizando atualmente Redação do Enem 2026: entenda as 5 competências

Redação do Enem 2026: entenda as 5 competências

Compartilhe
3 Views

Redação do Enem 2026: entenda as 5 competências avaliadas

Você termina uma redação, relê o texto e pensa: ficou boa.

Mas o que exatamente significa uma redação “boa” para quem vai corrigir o Enem?

No exame, essa avaliação não depende de uma impressão geral do corretor. A redação é analisada a partir de cinco competências, e cada uma observa aspectos diferentes do texto.

Elas passam pelo domínio da língua portuguesa, compreensão do tema, construção dos argumentos, conexão entre as ideias e elaboração de uma proposta de intervenção.

No Enem 2026, cada competência pode receber até 200 pontos, levando a redação a uma nota máxima de 1.000 pontos. O texto é corrigido por dois avaliadores independentes.

Entender essas competências ajuda bastante na preparação porque permite olhar para a própria redação com critérios mais específicos. Em vez de apenas pensar “preciso escrever melhor”, você consegue identificar o que precisa melhorar.

Resposta rápida: quais são as 5 competências da redação do Enem?

Segundo a Cartilha do Participante do Enem 2026, a redação avalia:

Competência 1: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Competência 2: compreensão da proposta de redação e desenvolvimento do tema dentro da estrutura de um texto dissertativo-argumentativo.

Competência 3: seleção, organização e interpretação de informações e argumentos para defender um ponto de vista.

Competência 4: uso dos mecanismos linguísticos necessários para articular as ideias e construir a argumentação.

Competência 5: elaboração de uma proposta de intervenção para o problema apresentado, respeitando os direitos humanos.

Separadas, elas facilitam a correção. Na sua redação, porém, todas trabalham juntas.

Um argumento bem escolhido precisa estar escrito de forma clara. As ideias precisam se conectar. E a proposta apresentada no final deve fazer sentido diante da discussão desenvolvida ao longo do texto.

Competência 1: domínio da escrita formal da língua portuguesa

A primeira competência observa como você escreve.

Entram aqui aspectos relacionados à ortografia, acentuação, pontuação, concordância, regência, escolha vocabular e construção das frases.

O objetivo não é descobrir se você conhece nomes de regras gramaticais. O corretor observa se consegue utilizar a modalidade escrita formal da língua portuguesa na construção do texto.

A matriz do Enem descreve essa competência como o domínio da modalidade escrita formal, incluindo convenções da escrita, regras gramaticais e construção sintática.

Isso significa que uma boa preparação para a Competência 1 não precisa se resumir a decorar regras.

Quando estiver treinando redação, preste atenção aos erros que se repetem nos seus textos.

Você costuma ter dúvida na colocação de vírgulas? Repete algumas palavras? Confunde determinados usos de crase? Constrói períodos tão longos que perde o controle da frase?

Identificar os próprios padrões costuma ser mais útil do que tentar revisar toda a gramática da língua portuguesa poucos dias antes da prova.

Competência 2: compreender o tema e saber desenvolver a proposta

A Competência 2 começa antes de você escrever a primeira linha.

Ela exige que o participante compreenda o que a proposta está pedindo.

No Enem 2026, você deverá escrever um texto dissertativo-argumentativo em modalidade formal da língua portuguesa sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. O texto precisa defender um ponto de vista sustentado por argumentos.

Aqui aparecem dois cuidados importantes.

O primeiro é não fugir do tema.

O segundo é compreender que o Enem não pede simplesmente um texto sobre determinado assunto. Existe um recorte temático apresentado pela proposta.

Se o assunto geral envolve tecnologia, por exemplo, o tema pode tratar especificamente dos impactos de determinado uso tecnológico sobre um grupo da sociedade. Escrever um texto genérico sobre tecnologia não necessariamente responderia ao que foi proposto.

E onde entra o repertório?

Também é nessa competência que aparece o uso dos conhecimentos construídos ao longo da formação.

Você pode recorrer a livros, filmes, acontecimentos históricos, conceitos estudados na escola e outras referências, desde que elas sejam pertinentes ao tema e realmente contribuam para o argumento. O próprio Inep chama atenção para a necessidade de explicar a relação entre a referência utilizada e aquilo que está sendo defendido.

Por isso, não adianta decorar uma frase de um filósofo e tentar colocá-la em qualquer redação.

Se a referência não ajuda a desenvolver a discussão, ela ocupa espaço sem fortalecer o texto.

Competência 3: organizar argumentos para defender seu ponto de vista

Você compreendeu o tema. Agora precisa decidir o que vai dizer sobre ele.

É aí que a Competência 3 ganha força.

Ela avalia a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Pense na redação como uma linha de raciocínio.

O leitor precisa conseguir perceber qual posição você está defendendo, quais razões sustentam essa posição e como cada parte do texto contribui para a discussão.

Um problema comum aparece quando o estudante tem várias ideias interessantes, mas simplesmente coloca todas no papel.

Uma redação não precisa mostrar tudo o que você sabe sobre o assunto. Ela precisa escolher informações que ajudem a sustentar aquilo que você decidiu defender.

Se dois argumentos dizem praticamente a mesma coisa, talvez um deles possa ser desenvolvido melhor em vez de ocupar dois parágrafos.

Se uma informação não conversa com o seu ponto de vista, talvez ela nem precise entrar no texto.

Qual é a diferença entre as competências 2 e 3?

Essa confusão é bastante comum.

De forma simplificada, a Competência 2 observa se você entendeu o tema, respeitou a proposta de texto e utilizou conhecimentos pertinentes para desenvolvê-lo.

A Competência 3 olha com mais atenção para a maneira como você constrói sua argumentação.

Então, você pode compreender perfeitamente o tema e ainda produzir argumentos pouco desenvolvidos.

Também pode ter boas informações, mas organizá-las de uma forma que dificulte entender sua linha de raciocínio.

Na hora de revisar um treino, tente separar essas duas perguntas:

Eu respondi exatamente ao tema proposto?

Depois:

Meus argumentos realmente sustentam a posição que estou defendendo?

Competência 4: fazer as ideias se conectarem

Compare estas ideias:

“A desinformação circula rapidamente nas redes sociais. Muitas pessoas compartilham conteúdos sem verificar a fonte.”

Agora imagine um texto em que todos os parágrafos funcionem dessa maneira, mas sem estabelecer relações claras entre uma ideia e outra.

As informações podem até fazer sentido isoladamente, mas o texto tende a parecer fragmentado.

A Competência 4 observa justamente os mecanismos linguísticos utilizados para construir essas relações.

Entram aqui recursos de coesão e operadores argumentativos capazes de indicar adição, oposição, causa, consequência, conclusão e outras relações entre as ideias.

Palavras e expressões como “porém”, “portanto”, “além disso”, “nesse contexto” e “por consequência” podem ajudar.

Mas existe um cuidado importante: usar muitos conectivos não significa automaticamente ter boa coesão.

Eles precisam fazer sentido.

Colocar “portanto” no início de um parágrafo não cria uma conclusão se a ideia anterior não levar àquilo que vem depois.

Por isso, na revisão, não procure apenas conectivos. Leia a relação entre as frases.

Uma ideia realmente leva à próxima?

O parágrafo seguinte continua o raciocínio ou começa um assunto diferente?

O leitor consegue acompanhar o caminho que você está construindo?

Essas perguntas ajudam a olhar para a Competência 4 de maneira mais prática.

Competência 5: apresentar uma proposta de intervenção

Depois de discutir um problema ao longo da redação, o Enem espera que o participante apresente uma proposta de intervenção social relacionada àquilo que foi desenvolvido no texto.

Essa proposta deve respeitar os direitos humanos.

É aqui que aparece outro erro bastante comum: chegar ao último parágrafo e escrever uma solução muito genérica.

“É necessário conscientizar a população.”

“É preciso que o governo tome providências.”

São frases que apontam uma direção, mas ainda deixam muitas informações em aberto.

Uma proposta mais desenvolvida procura deixar claro quem pode agir, qual ação pode ser realizada e de que maneira ela se relaciona ao problema discutido.

O mais importante é que a intervenção não pareça surgir de outro texto.

Se sua redação inteira discutiu dificuldades de acesso à educação, por exemplo, a proposta precisa responder aos problemas apresentados durante a argumentação.

Conclusão e desenvolvimento precisam conversar.

Cada competência vale 200 pontos?

Sim.

Na correção da redação do Enem 2026, cada avaliador atribui uma pontuação de até 200 pontos para cada uma das cinco competências.

A soma pode chegar a 1.000 pontos.

A redação é avaliada inicialmente por dois corretores, de forma independente. Quando não existe discrepância entre as correções, a nota final corresponde à média das notas totais atribuídas pelos dois avaliadores. O Inep possui procedimentos específicos para os casos em que há diferença significativa entre as avaliações.

Isso também mostra por que não existe uma única parte da redação que determine sozinha uma boa nota.

Gramática importa.

Argumentação também.

Coesão, compreensão do tema e proposta de intervenção entram na mesma avaliação.

O que pode zerar a redação do Enem?

Conhecer as competências é importante, mas também é necessário observar situações que podem levar à nota zero.

Entre os casos indicados pelo Inep estão fuga ao tema, texto com até sete linhas, inclusão de trecho deliberadamente desconectado do tema, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa e desrespeito à seriedade do exame.

Por isso, ler a proposta com calma é uma etapa do próprio trabalho de escrever.

Antes de começar, identifique qual é o tema, qual recorte está sendo pedido e qual posição você pretende defender.

Só depois organize os argumentos.

Preciso decorar repertórios para a redação?

Não é isso que a orientação oficial pede.

O Inep recomenda selecionar referências pertinentes e explicar a contribuição delas para o argumento. Livros, filmes, acontecimentos históricos e conhecimentos adquiridos ao longo da formação podem ser utilizados quando fazem sentido para aquela discussão.

Um repertório simples, mas bem relacionado ao tema, pode ser muito mais útil do que uma citação sofisticada colocada apenas porque foi decorada.

Quando estiver estudando, em vez de montar uma lista enorme de frases prontas, experimente observar os assuntos que aparecem em História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Literatura e nas notícias que você acompanha.

O repertório também é construído ao longo da formação.

Como estudar as cinco competências até o Enem?

Neste momento, você não precisa transformar cada treino em uma tentativa desesperada de produzir uma redação perfeita.

Pode ser mais produtivo usar as competências como uma espécie de diagnóstico.

Depois de escrever, faça uma segunda leitura pensando apenas na linguagem. Em outro momento, observe se respondeu ao tema. Depois, examine os argumentos e a relação entre os parágrafos. Por último, veja se a intervenção realmente responde ao problema discutido.

Também não é obrigatório escrever uma redação completa todos os dias.

Você pode treinar introduções, montar teses para diferentes propostas, desenvolver um único argumento ou comparar propostas de intervenção.

O importante é não deixar todo o treino para o dia da prova.

A Cartilha do Participante de 2026 traz redações da edição anterior acompanhadas de comentários pedagógicos. Ler esses textos é uma boa maneira de observar como os critérios aparecem em uma redação completa.

Consultar a Cartilha da Redação do Enem 2026 no Inep

Quando será a redação do Enem 2026?

As provas do Enem 2026 serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.

A redação será realizada no primeiro dia, 8 de novembro, juntamente com as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Ainda temos algumas semanas até lá.

Por isso, além de treinar a escrita, use esse período para entender seus próprios pontos de dificuldade. Se você já escreve bem, mas demora para organizar argumentos, esse pode ser seu foco. Se costuma perder pontos por desvios gramaticais, reserve parte da revisão para identificar os erros mais frequentes.

Estudar redação também envolve aprender a revisar o que você mesmo escreve.

E depois do Enem?

A nota do Enem pode ser utilizada de diferentes formas para ingresso no Ensino Superior.

Na Fundação Santo André, por exemplo, o Vestibular FSA 2027.1 permite ingresso utilizando a nota do Enem, além das opções de prova agendada online e redação online. A FSA também aceita notas do Enem de até 10 anos atrás, conforme as regras do processo seletivo vigente.

Isso significa que o exame deste ano pode ser utilizado no processo de ingresso, mas também que quem já realizou o Enem em anos anteriores pode ter uma nota que ainda seja aceita pela instituição.

Para conhecer as opções de formação, consulte os cursos de graduação disponíveis na Fundação Santo André.

Conheça os cursos de graduação da FSA

Deixe um comentário