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Amazônia: como a floresta influencia clima e biodiversidade

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Amazônia: por que a floresta influencia o clima e a biodiversidade do Brasil?

Tempo de leitura: 7 minutos

Quando falamos sobre a Amazônia, é comum pensar primeiro em uma grande extensão de árvores, rios e animais. Mas a influência da floresta não termina em seus limites geográficos.

A água liberada pela vegetação chega à atmosfera, participa da formação de chuvas e pode ser transportada por grandes distâncias. A floresta também armazena carbono, abriga milhares de espécies e participa de processos ecológicos que ajudam a manter diferentes ecossistemas.

É por isso que mudanças na Amazônia podem produzir efeitos que ultrapassam a Região Norte.

No dia 5 de setembro, o Brasil celebra oficialmente o Dia da Amazônia, data instituída pela Lei nº 11.621/2007. A efeméride ajuda a chamar atenção para a floresta, mas entender seu funcionamento é um assunto para o ano inteiro.

Resposta rápida: por que a Amazônia é importante?

A Amazônia é importante porque abriga uma enorme diversidade de organismos, participa do ciclo da água, influencia os padrões de chuva em diferentes regiões da América do Sul e armazena grandes quantidades de carbono em sua vegetação.

No Brasil, o bioma ocupa cerca de metade do território nacional. Além das florestas, a região reúne rios, igarapés, lagos, várzeas, igapós e outras áreas úmidas que fornecem ambientes para inúmeras espécies e participam da regulação climática e do ciclo hidrológico.

Essas funções estão conectadas. A vegetação interfere na água disponível na atmosfera, as chuvas ajudam a sustentar os ecossistemas e a biodiversidade participa do funcionamento da própria floresta.

Amazônia, Amazônia Legal e Floresta Amazônica são a mesma coisa?

Não exatamente.

O bioma Amazônia é uma região definida pelas características de sua vegetação, fauna, clima e processos ecológicos. Ele ocupa aproximadamente 4,2 milhões de km² no Brasil.

A Amazônia Legal, por outro lado, é uma delimitação criada para fins de políticas públicas e planejamento regional. Ela possui cerca de 5 milhões de km² e inclui, além do bioma Amazônia, áreas pertencentes a outros biomas, como Cerrado e Pantanal.

Também existe a Amazônia que ultrapassa as fronteiras brasileiras e se estende por outros países da América do Sul.

Por isso, quando encontramos números diferentes sobre o tamanho da Amazônia, é importante observar qual dessas definições está sendo utilizada.

Como a floresta influencia as chuvas?

Uma das maneiras mais interessantes de entender a relação entre Amazônia e clima é acompanhar o caminho da água.

As raízes das árvores absorvem água do solo. Parte dessa água chega às folhas e retorna para a atmosfera em forma de vapor por um processo chamado transpiração. Somado à evaporação da água presente no ambiente, esse processo forma a chamada evapotranspiração.

Em uma floresta com milhões de árvores, a quantidade de vapor transferida para a atmosfera é enorme.

Essa umidade participa da formação de nuvens e chuvas e pode ser transportada pelos ventos para outras partes do continente.

Isso ajuda a explicar por que a floresta não influencia apenas o clima da própria Amazônia.

O que são os “rios voadores”?

O nome parece saído de uma história de ficção, mas descreve um processo atmosférico conhecido pela ciência.

Os chamados rios voadores são fluxos de vapor de água transportados pela atmosfera.

Parte da umidade chega à Amazônia vinda do Oceano Atlântico. Depois que a água precipita sobre a floresta, a vegetação devolve parte dela à atmosfera pela evapotranspiração. Os ventos continuam transportando essa umidade pelo continente.

A Cordilheira dos Andes também interfere nesse percurso, contribuindo para direcionar parte desse transporte de umidade para regiões mais ao sul da América do Sul.

Assim, a água que circula pelo sistema amazônico pode participar das condições que favorecem chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, além de outros países.

Isso não significa que toda chuva em São Paulo, por exemplo, seja produzida pela Amazônia. Os padrões de precipitação dependem de diversos fenômenos atmosféricos e oceânicos.

A floresta é uma das peças importantes desse sistema.

Então a Amazônia interfere no clima de São Paulo?

Sim, existe influência, principalmente por meio do transporte de umidade atmosférica.

Pesquisas sobre os chamados rios aéreos mostram que a umidade associada à Amazônia participa do regime de chuvas em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e na Bacia do Prata.

Esse exemplo é interessante para quem vive no Grande ABC porque ajuda a perceber que uma floresta localizada a milhares de quilômetros de Santo André pode participar de processos climáticos que chegam à nossa região.

Outros fenômenos também interferem nas chuvas e temperaturas brasileiras. O El Niño, por exemplo, altera a circulação atmosférica e pode modificar o regime de precipitação em diferentes partes do país.

No blog da FSA, já explicamos essa relação no artigo sobre como um episódio intenso de El Niño pode afetar o clima do Grande ABC.

A Amazônia é o “pulmão do mundo”?

Essa é uma expressão bastante conhecida, mas cientificamente ela não é uma boa maneira de explicar a importância da floresta.

As plantas realmente liberam oxigênio durante a fotossíntese. Ao mesmo tempo, árvores, animais, microrganismos e processos de decomposição também consomem oxigênio.

Em uma floresta madura, grande parte do oxigênio produzido participa do próprio funcionamento do ecossistema.

Por isso, pesquisadores alertam que a importância da Amazônia não deve ser explicada pela ideia de que ela seria responsável por fornecer o oxigênio que respiramos. Os oceanos e organismos como o fitoplâncton têm participação muito importante na produção de oxigênio do planeta.

A influência da Amazônia está muito mais relacionada à circulação da água, ao clima, ao armazenamento de carbono e à biodiversidade.

Qual é a relação entre Amazônia e carbono?

As árvores retiram dióxido de carbono da atmosfera por meio da fotossíntese e utilizam o carbono na formação de troncos, galhos, raízes, folhas e outros tecidos.

Assim, uma grande floresta mantém uma quantidade significativa de carbono armazenada em sua biomassa e no solo.

Quando a vegetação é removida ou queimada, parte desse carbono pode ser liberada novamente para a atmosfera.

O relatório brasileiro sobre mudança do clima destaca que as florestas tropicais possuem alguns dos maiores estoques de carbono da vegetação terrestre e que desmatamento, degradação, incêndios, aumento das temperaturas e secas extremas podem reduzir a capacidade da Amazônia de armazenar carbono.

É por isso que conservar a floresta também aparece nas discussões sobre mudanças climáticas.

Por que a Amazônia tem tanta biodiversidade?

Biodiversidade é a variedade de formas de vida existente em determinado ambiente, incluindo espécies, diferenças genéticas e os próprios ecossistemas.

Temperatura, disponibilidade de água, extensão territorial e variedade de ambientes ajudam a explicar a grande diversidade amazônica.

Uma área de floresta de terra firme não possui exatamente as mesmas condições de uma várzea periodicamente inundada. Um rio de águas diferentes pode abrigar conjuntos distintos de organismos. Copa das árvores, solo, rios, igarapés e áreas alagadas também criam habitats específicos.

O resultado é uma grande variedade de plantas, animais, fungos e microrganismos interagindo.

O ICMBio estima que o bioma amazônico abrigue dezenas de milhares de espécies vegetais, além de centenas de espécies de mamíferos e mais de mil espécies de aves.

E ainda existe muito a conhecer.

A biodiversidade brasileira como um todo é considerada a maior do planeta. O Ministério do Meio Ambiente informa que o país possui mais de 124 mil espécies conhecidas da fauna, mais de 44 mil da flora e mais de 8 mil espécies de fungos, distribuídas pelos diferentes biomas e ambientes costeiros e marinhos.

A Amazônia representa uma parcela importante dessa diversidade, mas não toda ela. Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa também possuem espécies e relações ecológicas próprias.

Por que perder uma espécie pode afetar outras?

Uma floresta não funciona como uma coleção de espécies independentes.

Plantas podem depender de animais para polinização ou dispersão de sementes. Animais utilizam determinadas plantas para alimentação ou abrigo. Fungos e microrganismos participam da decomposição e da circulação de nutrientes.

Quando uma espécie desaparece, essas relações também podem ser alteradas.

O tamanho do efeito varia conforme a espécie e sua função no ecossistema, mas essa interdependência ajuda a entender por que conservar biodiversidade significa proteger também as relações entre os organismos.

Essa é uma das razões pelas quais a Biologia não estuda apenas nomes e classificações. Ecologia, evolução, botânica, zoologia, genética e microbiologia ajudam a compreender como diferentes níveis da vida estão conectados.

A Amazônia é formada somente por floresta?

Não.

Embora a imagem de uma grande floresta fechada seja a mais conhecida, a região apresenta muitos ambientes diferentes.

Rios, lagos, igarapés, várzeas, igapós e pântanos fazem parte da paisagem amazônica e possuem papel importante para a biodiversidade e para as populações que vivem na região.

As áreas de várzea, por exemplo, passam por períodos de inundação relacionados à variação do nível dos rios. Já os igapós são florestas inundáveis associadas a determinados tipos de água e possuem comunidades vegetais adaptadas a essas condições.

Essa variedade de ambientes também ajuda a sustentar a diversidade biológica da região.

O que acontece quando a floresta é desmatada?

O efeito não se resume à retirada das árvores.

Desmatamento e degradação alteram a cobertura do solo, a temperatura local, a circulação da água e os habitats disponíveis para os organismos.

Com menos árvores, também diminui a quantidade de água devolvida à atmosfera pela evapotranspiração.

Incêndios e secas intensas podem agravar esse processo, aumentando a mortalidade de árvores e modificando a capacidade da floresta de armazenar carbono e reciclar umidade.

Por isso, cientistas estudam a possibilidade de mudanças profundas no funcionamento do sistema amazônico quando diferentes pressões, como aquecimento, desmatamento, degradação e incêndios, acontecem simultaneamente.

Não significa que a floresta inteira desaparecerá repentinamente em uma data específica. A preocupação científica envolve a perda progressiva da capacidade de determinadas áreas manterem características de uma floresta tropical úmida.

Por que estudar a Amazônia ajuda a entender outras áreas da ciência?

Porque a floresta reúne fenômenos que dificilmente cabem dentro de uma única disciplina.

Para compreender o transporte de umidade, entram conhecimentos de climatologia e física da atmosfera.

Para estudar a diversidade de organismos, aparecem ecologia, zoologia, botânica, genética e evolução.

A relação com gases de efeito estufa envolve química, biologia e ciências ambientais.

Também existem pesquisas em saúde, antropologia, geografia, economia, políticas públicas e muitas outras áreas relacionadas às populações e ao território amazônico.

Estudar a Amazônia mostra, portanto, como problemas científicos reais frequentemente exigem conhecimentos de campos diferentes.

Biodiversidade também pode ser estudada perto de casa

Conhecer biodiversidade não exige estar dentro da Floresta Amazônica.

Um parque urbano, uma praça, um fragmento de Mata Atlântica ou mesmo o campus de uma universidade permitem observar relações entre plantas, animais e ambiente.

Na Fundação Santo André, o Espaço Biodiversidade funciona como um laboratório ligado ao curso de Ciências Biológicas e reúne atividades de manejo de plantas e animais, observação de aves, terrários, cultivo de espécies e visitas monitoradas.

Projetos de extensão da própria FSA também já abordaram assuntos como mudanças climáticas e biodiversidade brasileira e impactos de queimadas e desmatamento na Amazônia.

São exemplos de como temas ambientais de escala continental podem chegar a atividades de pesquisa, extensão e divulgação científica desenvolvidas por estudantes.

Conservar a Amazônia não significa impedir qualquer atividade humana

Milhões de pessoas vivem na região amazônica, em cidades, áreas rurais, comunidades tradicionais e territórios indígenas.

Por isso, falar em conservação não significa imaginar uma floresta sem seres humanos.

O desafio envolve encontrar formas de produzir, utilizar recursos e desenvolver atividades econômicas sem comprometer os processos ecológicos dos quais a própria sociedade depende.

Ciência, monitoramento ambiental, políticas públicas, fiscalização, manejo sustentável e conhecimento das populações locais fazem parte dessa discussão.

A Amazônia é ao mesmo tempo território, fonte de recursos, espaço de vida para milhões de pessoas e um sistema ecológico conectado ao clima e à biodiversidade.

O Dia da Amazônia ajuda a lembrar uma conexão que existe o ano inteiro

O Dia da Amazônia é celebrado em 5 de setembro, mas a relação da floresta com as chuvas, a biodiversidade e o clima não depende do calendário.

Ela acontece continuamente.

Entender processos como evapotranspiração, circulação atmosférica, fotossíntese, relações ecológicas e ciclo do carbono ajuda a substituir explicações simplificadas por uma visão mais completa da floresta.

Para quem gosta de investigar essas relações entre organismos, ambiente, evolução e conservação, esses assuntos fazem parte de áreas estudadas em Ciências Biológicas.

A Fundação Santo André oferece graduação em Ciências Biológicas, com conteúdos como ecologia, botânica, zoologia, evolução e atividades práticas relacionadas à biodiversidade e à pesquisa.

Conheça o curso de Ciências Biológicas e as demais graduações da FSA para entender as diferentes possibilidades de formação ligadas à ciência e ao meio ambiente.

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