Você está visualizando atualmente Chuva de meteoros Perseidas: o que é e como observar
© Jasmine_K/ Shutterstock

Chuva de meteoros Perseidas: o que é e como observar

Compartilhe
2 Views

Chuva de meteoros Perseidas: o que é e como observar o fenômeno

⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos

Todos os anos, entre julho e agosto, pequenos fragmentos deixados pelo cometa Swift-Tuttle encontram a atmosfera terrestre e produzem um dos fenômenos astronômicos mais conhecidos do calendário: a chuva de meteoros Perseidas.

Os riscos luminosos que aparecem no céu costumam ser chamados de estrelas cadentes, embora não tenham qualquer relação com estrelas. São partículas que entram na atmosfera em altíssima velocidade e produzem os flashes luminosos que conseguimos observar da superfície da Terra.

Em 2026, o período de maior atividade das Perseidas ocorre entre os dias 12 e 13 de agosto. As condições lunares serão especialmente favoráveis neste ano, mas a possibilidade de observação depende também da localização, das condições do tempo e da quantidade de iluminação artificial.

O que é a chuva de meteoros Perseidas?

As Perseidas são uma chuva de meteoros que acontece todos os anos quando a Terra passa por uma região do espaço onde permanecem partículas liberadas pelo cometa 109P/Swift-Tuttle ao longo de suas passagens pelo Sistema Solar.

Quando esses pequenos fragmentos entram na atmosfera terrestre em alta velocidade, o ar ao redor é intensamente aquecido e o material sofre ablação, produzindo os rastros luminosos que vemos no céu.

Embora pareçam surgir de diferentes partes do espaço, quando suas trajetórias são projetadas para trás, os meteoros parecem partir de uma mesma região da constelação de Perseu. É daí que vem o nome Perseidas.

Segundo o Prof. Dr. José Luís Laporta, coordenador adjunto do curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Fundação Santo André, esse tipo de fenômeno também oferece uma maneira bastante acessível de aproximar as pessoas da astronomia.

“As chuvas de meteoros são um dos eventos astronômicos mais acessíveis ao público. Basta um céu escuro, pouca poluição luminosa e um pouco de paciência para observar um verdadeiro espetáculo natural.”

Perseidas são estrelas cadentes?

Não. O termo estrela cadente é apenas um nome popular.

As estrelas que enxergamos no céu estão a distâncias enormes da Terra e não estão caindo em direção ao nosso planeta. O fenômeno luminoso ocorre quando pequenos fragmentos de matéria entram na atmosfera terrestre.

“Na realidade, não são estrelas. São pequenos fragmentos de poeira e rocha, muitos deles menores que um grão de areia, que se incendeiam ao penetrar na atmosfera terrestre”, explica Laporta.

Na astronomia, também existe uma diferença entre meteoroide, meteoro e meteorito.

O pequeno corpo que ainda está no espaço é chamado de meteoroide. O fenômeno luminoso produzido durante sua passagem pela atmosfera é o meteoro. Se parte desse material resistir e chegar ao solo, passa a ser chamada de meteorito.

É possível observar as Perseidas no Brasil?

É possível observar alguns meteoros associados às Perseidas a partir de partes do Brasil, mas as condições são menos favoráveis do que no Hemisfério Norte.

Isso acontece porque o ponto do céu de onde os meteoros parecem se originar, chamado de radiante, está localizado na constelação de Perseu, em uma região bastante ao norte da esfera celeste.

Para quem observa de latitudes brasileiras mais ao sul, esse radiante permanece muito baixo no horizonte ou pode apresentar condições ainda mais limitadas de observação.

Por isso, números frequentemente divulgados sobre dezenas de meteoros por hora não devem ser interpretados como uma previsão para qualquer lugar do planeta. Essas taxas são calculadas considerando condições ideais de observação e uma posição favorável do radiante.

Ainda assim, meteoros mais brilhantes podem percorrer grandes regiões do céu, o que torna a observação possível mesmo sem estar voltado diretamente para Perseu.

Quando observar as Perseidas em 2026?

A atividade das Perseidas se estende por várias semanas, mas o máximo em 2026 está previsto para a noite de 12 para 13 de agosto.

Existe uma vantagem adicional neste ano: a Lua estará praticamente ausente do céu durante o período de maior atividade, reduzindo uma importante fonte natural de luminosidade e favorecendo a visualização dos meteoros mais fracos.

No Brasil, a localização continua sendo um fator determinante. Quem estiver em regiões mais ao norte do país tende a encontrar condições geométricas melhores do que observadores no Sul e em parte do Sudeste.

Para qualquer localidade, céu aberto e baixa poluição luminosa continuam sendo condições fundamentais.

Outros fenômenos astronômicos também despertam curiosidade ao longo do ano, como a Lua de Morango, nome dado à Lua Cheia de junho e que não está relacionado à sua cor.

Precisa de telescópio para observar uma chuva de meteoros?

Não. Para observar meteoros, o telescópio pode até limitar a experiência.

Isso acontece porque um telescópio mostra uma parcela muito pequena do céu. Como um meteoro pode aparecer rapidamente em diferentes regiões, o ideal é manter o maior campo de visão possível.

“Quanto maior a área do céu observada, maiores são as chances de visualizar diversos meteoros durante a noite”, explica Laporta.

Também não é necessário encontrar exatamente a constelação de Perseu. O radiante ajuda os astrônomos a identificar a chuva, mas os meteoros podem atravessar outras regiões do céu.

Como observar melhor uma chuva de meteoros?

Alguns cuidados podem aumentar as chances de observação, não apenas das Perseidas, mas de diferentes chuvas de meteoros ao longo do ano.

O ideal é procurar um local seguro e afastado da iluminação intensa das cidades, com uma região ampla do céu desobstruída. Também ajuda permanecer algum tempo no escuro antes de começar a observação.

A visão humana leva aproximadamente 20 a 30 minutos para se adaptar melhor à baixa luminosidade. Nesse intervalo, olhar constantemente para a tela iluminada do celular pode prejudicar essa adaptação.

Laporta também destaca que a observação exige paciência.

“A paciência faz parte da observação astronômica. Em alguns momentos vários meteoros podem aparecer em poucos minutos; em outros, pode haver intervalos maiores entre eles.”

Outro fator que não pode ser controlado é o clima. Nuvens, chuva ou neblina podem impedir completamente a visualização, mesmo quando as demais condições astronômicas são favoráveis.

Por que acontecem chuvas de meteoros todos os anos?

A repetição desses fenômenos está relacionada às órbitas da Terra e dos corpos que deixaram partículas pelo Sistema Solar.

À medida que um cometa se aproxima do Sol, ele pode liberar poeira e pequenos fragmentos. Esse material permanece distribuído ao longo de sua trajetória.

Quando a órbita terrestre atravessa novamente essa região, algumas partículas entram na atmosfera e produzem meteoros. Como a Terra percorre aproximadamente a mesma trajetória ao redor do Sol todos os anos, muitas chuvas de meteoros também aparecem em períodos semelhantes do calendário.

Por isso existem outras chuvas conhecidas, como as Geminídeas, Oriônidas, Eta Aquáridas e Leônidas, cada uma relacionada a determinada região do céu e a diferentes corpos de origem.

Observar o céu também é uma forma de se aproximar da ciência

Chuvas de meteoros são interessantes porque permitem observar diretamente um fenômeno relacionado à dinâmica do Sistema Solar sem depender de equipamentos sofisticados.

Para estudantes, também podem ser um ponto de partida para compreender conceitos de Física, Química, Matemática e Astronomia, além de despertar interesse pela investigação de fenômenos naturais.

“Quando observamos uma chuva de meteoros, estamos vendo pequenos fragmentos de um cometa que percorre o Sistema Solar há milhares de anos. É um excelente exemplo de como eventos astronômicos fazem parte da dinâmica do Universo”, afirma Laporta.

A observação de fenômenos como as Perseidas também ajuda a mostrar que diferentes áreas científicas se relacionam. Conhecimentos sobre atmosfera, composição dos corpos celestes, movimento orbital, luz e matéria ajudam a explicar aquilo que, visto da superfície da Terra, dura apenas alguns segundos.

Para quem gosta de compreender fenômenos naturais e deseja transformar essa curiosidade em formação acadêmica, a área de Ciências Biológicas é uma das possibilidades oferecidas pela FSA.

Conheça os cursos de graduação do Centro Universitário Fundação Santo André:
https://www.fsa.br/graduacao

Deixe um comentário