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Saúde mental no Ensino Médio: como lidar com a pressão

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Saúde mental na reta final do Ensino Médio: como lidar com provas, pressão e escolha da faculdade

Falta estudar Matemática.

Tem redação para entregar.

O Enem está chegando.

Alguém da família pergunta se você já decidiu qual curso vai fazer.

Enquanto isso, seus amigos parecem ter tudo resolvido.

O fim do Ensino Médio pode concentrar várias decisões e cobranças em poucas semanas. Para quem está no terceiro ano, outubro e novembro costumam reunir provas da escola, Enem, vestibulares, despedidas, dúvidas sobre carreira e expectativas sobre o que vai acontecer no ano seguinte.

Sentir alguma preocupação diante de tudo isso é compreensível. O problema aparece quando a pressão começa a ocupar espaço demais, interfere no sono, na concentração, na rotina ou faz com que você sinta que não consegue lidar com as atividades do dia a dia.

Cuidar da saúde mental nesse período não significa deixar de estudar ou fingir que as provas não são importantes. Significa encontrar uma forma de passar por essa fase sem tratar cada resultado como se ele definisse sozinho o seu futuro.

Resposta rápida: como cuidar da saúde mental na reta final do Ensino Médio?

Na reta final do Ensino Médio, pode ajudar organizar prioridades, manter horários possíveis de estudo, preservar sono e pausas, conversar sobre as dúvidas que estão aumentando a pressão e evitar comparar constantemente o próprio ritmo com o de outras pessoas.

Também é importante perceber quando o sofrimento está ficando difícil de administrar sozinho.

O Ministério da Educação inclui entre os temas de promoção da saúde mental nas escolas o reconhecimento de sinais de sofrimento emocional, o uso de estratégias de autocuidado e a busca por ajuda quando necessário.

Não existe uma rotina capaz de eliminar toda ansiedade. A ideia é impedir que a preparação para uma prova ou a escolha de uma faculdade faça desaparecer todo o restante da sua vida.

É normal ficar ansioso antes do Enem?

Algum nível de ansiedade pode aparecer antes de uma situação importante.

Uma prova envolve expectativa, incerteza e avaliação. Se o resultado também estiver associado à entrada na faculdade, é fácil entender por que esse momento recebe tanto peso.

Uma pesquisa publicada em 2026 com estudantes da terceira série do Ensino Médio de uma escola no Ceará encontrou relatos de aumento da ansiedade à medida que Enem e vestibulares se aproximavam. É um estudo localizado, portanto não deve ser usado para representar todos os estudantes brasileiros, mas ajuda a mostrar como essa preocupação pode aparecer no cotidiano escolar.

A ansiedade também não funciona de maneira igual para todo mundo.

Uma pessoa pode sentir o coração acelerar antes de uma prova e, ainda assim, conseguir realizá-la normalmente. Outra pode perder noites de sono, ter dificuldade para se concentrar ou começar a evitar situações relacionadas ao estudo.

Por isso, não é muito útil comparar quanto cada pessoa parece estar preocupada.

Ansiedade antes de uma prova é a mesma coisa que transtorno de ansiedade?

Não.

Sentir ansiedade em determinados momentos não significa automaticamente ter um transtorno de ansiedade.

O próprio Ministério da Saúde explica que a ansiedade pode aparecer como uma resposta diante de determinadas situações e que o problema merece atenção quando sua intensidade passa a prejudicar o funcionamento da pessoa.

Essa diferença é importante porque, na internet, é fácil transformar qualquer sensação em diagnóstico.

Você pode reconhecer que está ansioso sem tentar diagnosticar a si mesmo.

Se a ansiedade estiver muito intensa, persistente ou interferindo bastante na sua rotina, o caminho mais adequado é conversar com um profissional de saúde.

A sensação de que ainda falta estudar tudo pode aumentar a pressão

A poucas semanas do Enem, é comum olhar para o conteúdo e pensar:

“Eu deveria saber muito mais a essa altura.”

O problema é que essa frase dificilmente ajuda a decidir o que fazer hoje.

Neste momento, talvez você realmente não consiga revisar cada assunto estudado ao longo de três anos. Isso não significa que todo o trabalho anterior deixou de contar.

Uma estratégia mais prática é substituir a pergunta “como vou estudar tudo?” por algo mais específico:

O que faz mais sentido revisar agora?

Você pode identificar conteúdos em que ainda tem dificuldade, questões que costuma errar e assuntos que aparecem com frequência nos seus exercícios.

Esse tipo de organização reduz a quantidade de decisões que precisam ser tomadas a cada sessão de estudo.

No artigo sobre hábitos de estudo, falamos justamente sobre transformar metas muito amplas em tarefas concretas. “Estudar Biologia” é difícil de medir. “Revisar genética e responder dez questões” mostra claramente o que você pretende fazer.

Estudar mais nem sempre significa estudar melhor

Quando uma prova importante se aproxima, aumentar um pouco o tempo de preparação pode acontecer naturalmente.

O problema é imaginar que toda hora disponível precisa virar estudo.

Você dorme menos para terminar uma revisão.

No dia seguinte está cansado, demora mais para compreender o conteúdo e decide estudar até ainda mais tarde para compensar.

Esse ciclo pode continuar por vários dias.

Sono e aprendizagem estão relacionados. Como vimos no artigo Como o cérebro aprende?, dormir participa de processos ligados à memória, além de influenciar atenção e disposição durante o dia.

Por isso, sacrificar repetidamente o descanso para ganhar algumas horas de estudo pode produzir justamente o efeito contrário ao que você procura.

Faça um planejamento que aceite que você é uma pessoa

Cronogramas de estudo costumam funcionar muito bem no papel.

O problema é que a vida continua acontecendo.

Talvez um exercício leve mais tempo que o previsto. Talvez apareça uma atividade da escola. Você pode ter um compromisso familiar ou simplesmente chegar a um dia em que está muito cansado.

Um planejamento possível precisa admitir isso.

Em vez de preencher cada minuto disponível, deixe algum espaço para reorganizar tarefas. Se algo não aconteceu na terça-feira, veja onde pode ser retomado. Não é preciso transformar a quarta em uma punição.

Também ajuda separar o que é realmente prioridade do que você gostaria de fazer se houvesse tempo.

Essa diferença reduz a sensação de que o cronograma está sempre atrasado.

Comparar sua preparação com a dos outros quase nunca mostra a história inteira

Um colega diz que fez 120 questões no fim de semana.

Outro publica que tirou 960 na redação.

Alguém comenta que já decidiu o curso, a faculdade e até a área em que pretende trabalhar.

Você olha para a própria semana e sente que está ficando para trás.

Só que você está comparando informações muito diferentes.

Você não sabe quanto tempo aquela pessoa tinha disponível, quais dificuldades enfrenta, há quanto tempo estuda determinado conteúdo ou o que não apareceu naquela conversa ou publicação.

Comparar algumas referências pode até ajudar a encontrar estratégias novas. O problema aparece quando o desempenho de outra pessoa se torna a medida para avaliar constantemente o seu.

O que importa para sua preparação é identificar onde você está agora e o que consegue fazer a partir daí.

E quando a pressão vem da escolha da faculdade?

Essa é outra questão comum no terceiro ano.

Enquanto você ainda está tentando terminar o Ensino Médio, parece que precisa decidir o que fará profissionalmente durante décadas.

Só que escolher uma graduação não exige conhecer agora todos os detalhes da sua futura carreira.

Você pode começar conhecendo áreas.

Se gosta de tecnologia, por exemplo, existem cursos bastante diferentes dentro desse campo. O mesmo acontece com saúde, educação, negócios, engenharias e ciências humanas.

Pesquisar a matriz curricular, conhecer as áreas de atuação e conversar com profissionais ajuda a transformar uma escolha abstrata em algo mais concreto.

Também é completamente possível estar entre duas ou três opções.

A dúvida não significa que você está atrasado.

“Todo mundo já sabe o que quer fazer, menos eu”

Provavelmente não.

Muita gente parece decidida porque responde rapidamente quando alguém pergunta.

Isso não quer dizer que não existam dúvidas.

Outros estudantes mudam de ideia depois de conhecer melhor uma profissão, começam um curso e descobrem outra área dentro dele ou constroem caminhos profissionais que nem conheciam durante o Ensino Médio.

A escolha da graduação importa, mas ela não precisa ser tratada como uma sentença definitiva sobre toda a vida profissional.

Seu objetivo agora pode ser fazer uma escolha informada com aquilo que você conhece sobre si, sobre os cursos e sobre as profissões neste momento.

A família pode ajudar, mas também pode aumentar a pressão

Perguntas como “já escolheu o curso?” ou “quanto você precisa tirar no Enem?” podem ser feitas com a intenção de ajudar.

Para quem já está preocupado, porém, ouvi-las várias vezes pode aumentar a sensação de cobrança.

Se isso estiver acontecendo, uma conversa mais específica pode ajudar.

Em vez de apenas dizer “vocês estão me pressionando”, você pode explicar o que seria mais útil naquele momento.

Talvez você precise de ajuda para pesquisar cursos.

Talvez queira visitar uma faculdade.

Pode precisar de algumas horas sem interrupções para estudar.

Ou apenas queira que a conversa sobre vestibular não aconteça todos os dias.

A família não precisa resolver a escolha pelo estudante para participar dela.

Pausa não é abandono dos estudos

Você terminou uma lista de exercícios e decide assistir a um episódio de uma série.

Sai para caminhar.

Conversa com amigos.

Joga alguma coisa.

Nenhuma dessas atividades cancela o estudo que você fez.

Em períodos de prova, existe uma tendência a pensar que qualquer momento sem estudar está sendo desperdiçado.

Só que descanso também faz parte de uma rotina sustentável.

A ideia não é usar uma pausa para fugir indefinidamente de uma tarefa que precisa ser feita. É permitir que estudo e descanso ocupem lugares diferentes no dia.

O mesmo vale para atividades de que você gosta.

Manter algum contato com hobbies, amigos e família pode ajudar a impedir que o vestibular vire o único assunto das suas semanas.

O que fazer quando eu travo durante os estudos?

Às vezes você senta para estudar e simplesmente não consegue começar.

Nesses momentos, insistir em “preciso estudar tudo” costuma deixar a tarefa ainda maior.

Tente diminuir o primeiro passo.

Em vez de “revisar toda Matemática”, abra uma lista e resolva duas questões.

Em vez de “treinar redação”, leia um tema e escreva apenas a tese e dois argumentos.

Depois você decide se consegue continuar.

Se o bloqueio estiver ligado a uma dúvida específica, procure ajuda. Professor, colega ou material complementar podem resolver em poucos minutos algo que você passou muito tempo tentando entender sozinho.

Pedir ajuda também faz parte de aprender.

Como saber quando procurar apoio?

Não existe uma tabela simples que determine quando alguém “já deveria” procurar ajuda.

Mas alguns sinais merecem atenção, principalmente quando persistem ou começam a interferir bastante na rotina.

Isso pode incluir alterações importantes no sono ou alimentação, isolamento, dificuldade frequente para realizar atividades habituais, sofrimento emocional intenso, ansiedade que impede tarefas do cotidiano ou sensação de que você não está conseguindo lidar sozinho.

O mais importante é não esperar que a situação fique insuportável para conversar com alguém.

Uma pessoa adulta de confiança, familiares, escola e profissionais de saúde podem ajudar a encontrar o apoio adequado.

Para adolescentes e jovens entre 13 e 24 anos, o Ministério da Saúde também disponibiliza o Pode Falar, serviço gratuito de acolhimento e orientação em saúde mental, com possibilidade de atendimento anônimo. Em 2026, o acesso também passou a estar disponível pelo Meu SUS Digital.

Pelo SUS, a Unidade Básica de Saúde, UBS, também pode ser uma porta de entrada para cuidados em saúde mental. Os Centros de Atenção Psicossocial, CAPS, oferecem acolhimento para situações de sofrimento psíquico mais intenso, e o primeiro acolhimento pode ocorrer sem necessidade de agendamento prévio.

Um mês antes do Enem: em que focar?

O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. No primeiro domingo, os participantes farão Linguagens, Ciências Humanas e Redação. No segundo, Ciências da Natureza e Matemática.

Neste momento, você ainda tem algumas semanas para revisar conteúdos e treinar questões.

Mas talvez o planejamento mais útil seja aquele que combina três coisas: o que você ainda precisa estudar, o que já aprendeu e precisa revisar e quanto tempo realmente possui.

Evite reorganizar toda a preparação porque teve um dia ruim.

Um simulado abaixo do esperado pode indicar conteúdos que precisam de revisão. Ele não determina antecipadamente o resultado que você terá no exame.

O mesmo acontece com uma redação.

Uma nota de treino serve para mostrar o que pode ser melhorado antes da prova.

Escolher uma faculdade também pode ser feito aos poucos

Depois do Enem, outras decisões continuam.

Algumas pessoas já sabem qual curso pretendem fazer. Outras estarão começando essa pesquisa agora.

Uma maneira de reduzir essa pressão é transformar “escolher meu futuro” em tarefas menores.

Você pode comparar duas graduações, ler a matriz curricular, conhecer áreas de atuação e observar como seria a rotina profissional.

Aqui no Blog FSA, os conteúdos sobre profissões e cursos são pensados justamente para ajudar nessa etapa de pesquisa.

Se você está comparando opções, pode consultar os cursos de graduação da Fundação Santo André e conhecer as diferentes áreas disponíveis.

Conheça os cursos de graduação da FSA

A escolha pode ser importante sem precisar ser feita no susto.

Se você já é estudante da FSA

Quem já ingressou na Fundação Santo André e enfrenta questões emocionais, acadêmicas ou de aprendizagem também conta com o Núcleo de Apoio Psicossociopedagógico, NAPSI.

O núcleo atende estudantes de graduação e trabalha com acolhimento, escuta, esclarecimento e orientação em situações que possam afetar a aprendizagem e a permanência acadêmica, incluindo questões emocionais relacionadas à vida universitária.

Conheça o NAPSI da Fundação Santo André

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