Como a tecnologia está mudando o trabalho nas empresas?
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Imagine começar a trabalhar em uma empresa e descobrir que boa parte das atividades que você associava àquela profissão já é realizada de outra maneira.
Uma pessoa do financeiro pode usar um sistema que reúne pagamentos, despesas e indicadores em um único painel. No RH, ferramentas organizam currículos e dados dos funcionários. Na logística, sistemas acompanham estoques e entregas. No Marketing, plataformas automatizam campanhas e ajudam a analisar o comportamento do público.
A tecnologia não está mudando apenas as profissões diretamente ligadas à informática. Ela está alterando como diferentes profissionais executam suas tarefas, analisam informações e tomam decisões.
Para quem está escolhendo uma graduação agora, entender esse movimento ajuda a perceber por que tecnologia deixou de ser assunto apenas de quem pretende trabalhar com programação.
Resposta rápida: como a tecnologia está mudando o trabalho?
A tecnologia está automatizando algumas tarefas, facilitando o acesso a informações e criando novas formas de organizar processos e tomar decisões.
Isso não significa que todas as profissões serão substituídas.
Em muitos casos, o que muda primeiro são as atividades realizadas dentro de uma profissão.
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de um em cada quatro empregos no mundo apresenta algum grau de exposição à Inteligência Artificial generativa. A própria organização ressalta, porém, que o cenário mais provável para a maior parte das ocupações é de transformação das tarefas, e não de eliminação completa dos empregos.
É uma diferença importante.
Uma profissão é formada por várias tarefas
Pense no trabalho de um contador.
Há atividades relacionadas à organização de informações, análise de documentos, elaboração de relatórios, interpretação de dados, comunicação com gestores e orientação sobre decisões financeiras.
Uma tecnologia pode automatizar algumas dessas etapas sem conseguir assumir todas as responsabilidades profissionais.
O mesmo acontece em várias áreas.
Um profissional de RH pode deixar de organizar manualmente centenas de currículos, mas continua precisando compreender pessoas, avaliar contextos e participar de decisões.
Um profissional de Marketing pode utilizar Inteligência Artificial para gerar versões iniciais de um texto, mas ainda precisa entender público, posicionamento, objetivos e estratégia.
Na Administração, sistemas podem produzir indicadores automaticamente. Alguém, porém, precisa decidir o que fazer com aquelas informações.
É por isso que discutir futuro do trabalho exige olhar menos para “qual profissão desaparecerá?” e mais para quais tarefas estão mudando dentro de cada profissão.
Automação significa fazer tudo sem pessoas?
Não necessariamente.
Automação acontece quando uma tecnologia executa automaticamente uma tarefa ou parte de um processo que antes exigia intervenção manual.
Um exemplo simples está em uma empresa que recebe centenas de pedidos por dia.
Em vez de um funcionário atualizar manualmente o estoque depois de cada venda, o sistema pode realizar essa baixa automaticamente.
Isso economiza uma tarefa repetitiva, mas não elimina tudo o que acontece ao redor dela.
Ainda será necessário planejar o estoque, acompanhar diferenças entre previsão e demanda, lidar com fornecedores e decidir o que fazer quando ocorre uma falta ou excesso de produtos.
No artigo Como funciona a logística? Do estoque até a entrega, mostramos justamente como sistemas integrados, análise de dados e acompanhamento de operações já fazem parte da logística.
Automatizar uma etapa pode mudar o trabalho humano para atividades de análise, supervisão e decisão.
Como isso aparece no setor financeiro?
Planilhas continuam sendo usadas, mas convivem com sistemas capazes de registrar movimentações, consolidar informações e produzir indicadores.
Processos que antes exigiam a consulta de diferentes documentos podem estar integrados em uma mesma plataforma.
Também existem ferramentas para:
- automatizar tarefas financeiras;
- acompanhar fluxo de caixa;
- identificar transações fora de determinados padrões;
- produzir relatórios;
- analisar riscos;
- projetar cenários;
- acompanhar indicadores em tempo real.
Isso modifica o perfil de várias atividades.
Registrar informações continua sendo necessário, mas cresce também a importância de interpretar aquilo que os sistemas mostram.
E na Contabilidade?
A Contabilidade é outro bom exemplo.
Softwares conseguem automatizar etapas operacionais, importar documentos e organizar grandes volumes de informações.
Isso não elimina a necessidade de conhecimento contábil.
Ao contrário, pode aumentar o espaço para atividades como análise de custos, controladoria, auditoria, planejamento, compliance e apoio às decisões empresariais.
Nesse cenário, saber utilizar uma ferramenta é diferente de compreender o significado das informações produzidas por ela.
O sistema pode mostrar que determinado custo aumentou.
Cabe aos profissionais envolvidos investigar a causa, avaliar seus efeitos e decidir como a empresa deve responder.
O RH também está ficando mais tecnológico?
Sim.
Sistemas de Recursos Humanos podem organizar informações de funcionários, férias, benefícios, treinamentos e processos seletivos.
Há também ferramentas de people analytics, que utilizam dados para analisar questões relacionadas às pessoas dentro das organizações.
Isso pode incluir indicadores sobre rotatividade, absenteísmo, recrutamento e desenvolvimento profissional.
A Inteligência Artificial também começou a aparecer em diferentes etapas do recrutamento.
Mas decisões sobre pessoas exigem cuidado.
Um algoritmo pode ajudar a organizar informações, mas critérios mal definidos podem produzir avaliações inadequadas. Por isso, conhecimento sobre gestão de pessoas, ética e capacidade de interpretar contextos continuam importantes.
E no Marketing?
Talvez seja uma das áreas em que as mudanças sejam mais visíveis.
Ferramentas digitais já permitem:
- segmentar públicos;
- automatizar campanhas;
- analisar resultados em tempo real;
- acompanhar comportamento de consumidores;
- personalizar comunicações;
- produzir versões iniciais de textos e imagens;
- organizar informações de clientes em sistemas de CRM.
A Inteligência Artificial ampliou ainda mais essas possibilidades.
Isso não significa que planejamento, criatividade e interpretação perderam espaço.
O artigo Como a inteligência artificial está transformando o marketing já mostra como ferramentas de IA convivem com atividades que continuam dependendo da leitura do contexto e das decisões do profissional.
Dados estão mudando a forma como as decisões são tomadas
Toda essa digitalização produz informações.
Uma loja consegue saber quais produtos venderam mais em determinada semana.
Uma indústria pode acompanhar o desempenho de uma linha de produção.
Uma empresa pode analisar quais campanhas trouxeram mais clientes.
Um RH pode acompanhar indicadores de rotatividade.
Ter dados, porém, não significa automaticamente saber o que fazer.
Por isso, uma das mudanças importantes nas empresas é o avanço da tomada de decisão baseada em dados.
O profissional precisa saber fazer perguntas, identificar informações relevantes e interpretar os resultados.
O blog da FSA já possui um conteúdo específico sobre como a análise de dados melhora decisões nas empresas, que explica aplicações em Marketing, vendas, operações, atendimento e finanças.
E onde entra a Inteligência Artificial?
A IA é uma parte desse movimento, não a única.
Ela pode ajudar a resumir informações, identificar padrões, produzir conteúdos, apoiar análises, automatizar atendimentos e auxiliar em tarefas que envolvem grandes volumes de dados.
A adoção, porém, não garante bons resultados automaticamente.
Uma empresa precisa decidir em quais processos a ferramenta realmente ajuda, quais dados podem ser utilizados, como os resultados serão avaliados e onde é necessária supervisão humana.
No artigo Uso de inteligência artificial nas empresas: IA não está falhando, o Prof. Me. Régis Pasini explica justamente que utilizar uma ferramenta de IA não significa, por si só, gerar resultado para a organização.
A Inteligência Artificial vai substituir empregos?
Alguns postos podem diminuir, outros podem surgir e muitas ocupações devem ter suas tarefas reorganizadas.
Por isso, não existe uma resposta simples que sirva para todo o mercado.
A OIT analisou milhares de tarefas profissionais e concluiu que a transformação dos empregos é, atualmente, um resultado mais provável da IA generativa do que a automação integral da maioria das profissões. Ocupações administrativas e bastante digitalizadas aparecem entre as mais expostas.
A OCDE chegou a uma conclusão semelhante em estudo publicado em julho de 2026: a IA pode automatizar tarefas, criar novas atividades e ampliar produtividade ao mesmo tempo. Seus efeitos variam conforme a profissão, o setor e a forma como a tecnologia é adotada.
Então, aprender a trabalhar com novas tecnologias tende a ser uma questão importante para profissionais de diferentes áreas.
Só as habilidades tecnológicas vão importar?
Não.
Esse é outro equívoco comum.
O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta IA e Big Data, redes e cibersegurança e alfabetização tecnológica entre as habilidades cuja importância mais deve crescer até 2030.
Ao mesmo tempo, continuam aparecendo competências como pensamento analítico, criatividade, flexibilidade, liderança e colaboração.
Ou seja, o mercado não está simplesmente substituindo habilidades humanas por conhecimentos tecnológicos.
Os dois grupos começam a aparecer juntos.
Uma pessoa pode saber utilizar uma ferramenta de IA e ainda ter dificuldade para avaliar se o resultado produzido por ela faz sentido.
Pode dominar um sistema de dados e não saber explicar suas conclusões.
Pode automatizar uma tarefa sem compreender o processo que está automatizando.
Por isso, conhecimento técnico e capacidade de análise continuam se complementando.
O que significa aprender continuamente?
Não significa fazer um curso novo toda semana.
Significa compreender que determinadas ferramentas utilizadas no início de uma carreira podem não ser as mesmas alguns anos depois.
O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades consideradas centrais pelos trabalhadores devem mudar ou se tornar menos relevantes até 2030.
Isso ajuda a entender por que empresas falam tanto em upskilling e reskilling.
Upskilling é o desenvolvimento de novas competências para melhorar ou ampliar a atuação dentro de uma função.
Reskilling envolve aprender competências que permitam desempenhar funções diferentes.
Na prática, essa atualização pode acontecer por meio de cursos, treinamentos internos, pós-graduação, projetos e experiências profissionais.
Quem não trabalha com tecnologia também precisa entender tecnologia?
Em muitos casos, sim, mas isso não significa aprender programação obrigatoriamente.
Para um administrador, pode signific entender indicadores e sistemas de gestão.
Para um profissional de RH, compreender plataformas de recrutamento e análise de dados.
Para um contador, utilizar sistemas integrados e ferramentas de análise.
Para alguém de Marketing, saber interpretar métricas e utilizar automações.
Para um engenheiro de produção, trabalhar com sistemas, sensores e informações operacionais.
Conhecer tecnologia dentro de uma profissão significa compreender como as ferramentas interferem nos processos daquela área.
Sistemas integrados também mudaram o jeito de trabalhar
Dentro das empresas, uma decisão tomada em uma área frequentemente afeta várias outras.
Uma venda pode alterar estoque, financeiro e logística.
Uma contratação interfere em RH, folha de pagamento e gestão da equipe.
Por isso, sistemas empresariais procuram reunir informações de diferentes departamentos.
A Fundação Santo André, por exemplo, promoveu recentemente um treinamento sobre TOTVS RM com a proposta de apresentar uma visão integrada de processos acadêmicos, administrativos, financeiros e de Recursos Humanos.
Embora cada setor tenha suas próprias responsabilidades, a atividade ajuda a visualizar uma característica do ambiente profissional atual: entender apenas a própria etapa do processo nem sempre é suficiente.
Os profissionais também precisam perceber como informações e decisões circulam pela organização.
Quais profissões estão sendo afetadas?
Praticamente todas podem sentir algum efeito, mas de maneiras diferentes.
Na Administração, sistemas e dados influenciam planejamento e decisão.
Em Ciências Contábeis, automação modifica etapas operacionais e amplia possibilidades analíticas.
No RH, ferramentas digitais mudam recrutamento e gestão de pessoas.
No Marketing, IA, CRM e análise de dados alteram campanhas e relacionamento com clientes.
Na Engenharia de Produção, sensores, automação e sistemas de gestão interferem em processos produtivos e logística.
Na Economia e nas Finanças, modelos de dados apoiam análises e projeções.
No Direito, documentos digitais, sistemas processuais e ferramentas de IA também modificam determinadas atividades.
E, naturalmente, surgem novas demandas para profissionais que desenvolvem e protegem toda essa infraestrutura tecnológica.
O artigo Por que cursos de TI e Engenharia de Software estão em alta mostra como dados, IA, nuvem e cibersegurança já aparecem em diferentes setores da economia.
Então devo escolher uma profissão pensando apenas em tecnologia?
Não.
Tecnologia é um dos elementos que podem ser considerados ao pesquisar uma carreira, mas não precisa ser o único.
Se você está escolhendo uma graduação, procure entender:
- quais problemas aquela profissão procura resolver;
- como é a rotina dos profissionais;
- em quais setores é possível trabalhar;
- quais conhecimentos fazem parte da formação;
- como novas tecnologias estão sendo utilizadas naquela área;
- quais habilidades humanas continuam importantes.
Essa pesquisa ajuda a enxergar uma profissão como algo que evolui, em vez de uma lista fixa de tarefas.
A graduação também precisa preparar para mudanças
Uma formação universitária não consegue ensinar todas as ferramentas que um profissional utilizará ao longo de décadas de carreira.
Algumas nem existem ainda.
Por isso, além dos conhecimentos específicos de cada área, ganham importância competências como interpretação de informações, pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação e capacidade de aprender novos processos.
Tecnologia pode assumir algumas tarefas, reorganizar outras e criar novas possibilidades.
O profissional continua precisando compreender por que determinada atividade é realizada, qual problema precisa ser resolvido e como avaliar a qualidade do resultado.
Para quem está escolhendo uma profissão agora, conhecer como tecnologia, dados e automação aparecem em diferentes áreas pode ajudar nessa decisão.
Na Fundação Santo André, você pode conhecer os cursos de graduação nas áreas de Gestão, Negócios, Tecnologia, Engenharias e outras formações. Para quem já possui uma graduação e busca atualização profissional, a FSA também reúne opções de pós-graduação ligadas a gestão, dados, tecnologia e diferentes áreas profissionais.